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    10/06/2019 08h52 - Atualizado em 10/06/2019

    Antônio Medeiros de Oliveira, pecuarista

    "Se trabalhamos com amor, tudo fica mais leve"

    Nathália Araújo - Da Redação

    Natural de São João Batista do Glória, Antônio Medeiros de Oliveira, 63, também conhecido por Toninho Professor, recebe pela primeira vez uma homenagem pela sua dedicação à pecuária. Ele foi homenageado com uma placa no dia 5 deste mês na abertura de Exposição Agropecuária de Passos (Expass) 2019. Ao longo da sua vida exerceu duas funções: a de pecuarista e educador, todas elas desafiadoras segundo o produtor. Graduado pela Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp) em Matemática foi professor por 14 anos e atuou em quase todas as escolas de Passos. Nas propriedades Fazenda Nossa Senhora das Graças e Pau Brasil mantém a sua dedicação à pecuária leiteira com produção média de 3 mil litros/dia mais a produção dos cereais soja e milho. Homem de fé e devoto de Nossa Senhora Aparecida, todos os anos, na festa de 12 de outubro, uma missa é celebrada na sua propriedade. Casado com Aparecida das Graças F. Medeiros é pai de três filhos: Mirley, Irley (pecuarista) e Crisley casados com Nober, Jaqueline e Denis, respectivamente. A sua descendência continua com os cinco netos: Pedro Henrique, João Paulo, Valentina, Heloisa e Junia. Tonhinho falou sobre sua trajetória ao Entre Prosas durante a Feira em Passos.

    Folha da Manhã - Como o senhor recebeu essa homenagem do sindicato que congrega toda a classe produtora?

    Toninho - Eu recebi esta homenagem com satisfação, porque homenagem tem que ser feita enquanto somos vivos. Depois de morto, não adianta. Fiquei muito contente com a indicação do presidente do Sindicato Rural de Passos, Darlan Esper Kallas, e também com os produtores que apoiaram a homenagem.

    FM – Em sua opinião, esse tipo de evento, a Exposição Agropecuária e a Feira de Negócios, servem de estímulo para a classe produtora? Qual a sua avaliação do evento deste ano?

    Toninho - O evento traz muitas oportunidades para a nossa classe produtora, já que reúne o pessoal que fica afastado nas roças, faz uma grande confraternização e realiza negócios. Tinha que acontecer com mais frequência, pelo menos duas vezes ao ano. Reunir é muito bom, aprendemos muito e trocamos ideias. Este ano, a Feira oferece muitas oportunidades e o setor de tecnologia tem melhorado a cada evento. Sobre os leilões, vou participar no domingo do “A nata do leite”, embora não goste de comprar e nem de vender em leilão, estarei lá. Prefiro vender na fazenda, pois tenho facilidade e tenho clientela para os meus animais, sendo Girolando ¾ e 5/8, e também tenho Gir Leiteiro. Para quem não tem essa facilidade de comercializar, o leilão é o melhor caminho.

    FM – Há quanto tempo o senhor faz o comércio de gado na fazenda? Como tudo começou?

    Toninho – Faço isso há muito tempo. Sobre o gado, sempre selecionei animais mesmo quando era professor. Aprendi muito com o meu pai, Antônio Pedro de Medeiros, e tive sociedade com Alcides Santiago por uns 25 anos, o que me ajudou muito, porque ele me apoiava e me deu crédito. Se tem dois por cento de pessoas honestas em Passos, ele é um deles. Sempre foi muito correto e muito direito, aprendi a negociar com ele. Também Hudson Lemos, José Sarno, José Ovídio e Mendes Sá, só tive sociedade com gente boa. Não tenho arrependimentos por ter deixado o magistério; eu saí do nada e, graças a Deus, hoje tenho alguma coisinha, pois fico olhando meus colegas que estão apenas com a aposentadoria. Meu pai foi um homem firme, não gostava que os filhos estudassem e, na minha casa, só eu estudei. Todos os meus irmãos são produtores rurais bem sucedidos. Fui criado em um universo de muita retidão e seriedade e só o fato de trabalhar com gente honesta já abre portas.

    FM - Levando em conta a experiência que o senhor tem nas duas áreas, o que é mais difícil: ser professor ou produtor rural?

    Toninho - Todas as duas profissionais são difíceis. Eu gosto mais do campo, mais de produzir. É mais difícil, mas se trabalhamos com amor, tudo fica mais leve. Hoje, ser professor é muito complicado. Comecei a dar aulas em 1972 e segui até 1992. Naquela época arrendava fazenda no Glória, tinha balsa e dava aula a noite. Não tinha como trabalhar assim nas duas funções, então tive que me optar, por isso fiquei com a pecuária.

    FM - Quais as melhores lembranças que o senhor tem da sala de aula?

    Toninho – Entre as minhas boas lembranças está o dia em que me efetivei. Foi um alívio. Não tive problemas dentro de sala de jeito nenhum, eu era muito respeitado pelos alunos. Não me lembro de ter faltado nenhum dia de aula. Eu era ‘caxias’, não faltava de maneira alguma. Eu gostei muito da minha área, que era a matemática, isto porque fui aluno dos melhores professores, como o Geraldo Majela Soares e o Darlan Esper Kallas, só tive professores bons.

    FM - E as piores?

    Toninho – As piores, bom, quando comecei a lecionar e era contratado, porque no início de todos os anos perdíamos a vaga para os efetivos e era muito ruim. Tinha compromisso e ficava sem os rendimentos.

    FM – O senhor incentivou algum dos seus três filhos a seguir alguma de suas profissões?

    Toninho - Minha filha mais velha não quis estudar. O do meio formou em Administração e me ajuda na fazenda, este gosta de pecuária. Minha filha mais nova fez o magistério, mas não atua na sua área de formação.

    FM - Durante os seus 63 anos de vida, especificamente na pecuária, como o senhor vê a situação da atividade nos dias de hoje, existiram crises ou dificuldades piores?

    Toninho - A crise sempre existiu, tem que estar firme para enfrentá-la. Qualquer negócio tem crises; o leite, por exemplo, desde que me entendo por gente é assim: dois meses bons, dois ruins e assim vamos levando. O que a pessoa tem que fazer é não desistir, não pode abandonar, pois não consegue voltar para a atividade. Ta ruim, agüenta. Nesse momento o preço está bom (entre R$1,67 e 1,75, dependendo da qualidade do produto), mas em setembro/outubro piora com a entrada dos aventureiros no mercado. A pessoa acha que está dando muito dinheiro, entra na produção, não se mantém e prejudica quem está na atividade há mais tempo. O leite é um bom negócio, mas tem que ser persistente. Durante a minha vida fiquei uma semana sem produzir leite e quase fiquei doente. Minha propriedade é pequena, fazer o que? Produzir leite! A atividade não é ruim e acredito que o leite, na pior das hipóteses, empata, mas não dá prejuízo. Na produção de cereais podemos perder tudo da noite para o dia, já na pecuária é diferente e mais seguro.

    FM - Na sua visão de ruralista, o que os governantes deste país deveriam fazer para o produtor rural?

    Toninho - Eu acho que tinham que olhar mais para a classe ruralista e não deixar as multinacionais fazer o que fazem. Vendemos a saca de milho de 60 kg por R$ 30,00 e compramos 10 kg de sementes por cerca R$700,00 ou R$800,00. Eles ganham um absurdo! Vendemos quantos mil quilos para pagar 10 kg? Com os fertilizantes é a mesma coisa; eu acho que deveriam ser tabelados porque é uma guerra de preços. As multinacionais acabam com a gente! Sabemos que o que segura o país é o agronegócio, mas existe muita especulação em cima do produtor, além de que tudo é caro. Tem que ser mais compatível! Imagina o quanto as multinacionais estão faturando nisso.

    FM – E na de professor, o senhor acha que a atual política educacional está no caminho certo?

    Toninho - Não está no caminho certo. O que os alunos estão fazendo com os professores é um absurdo, eles tinham que tomar alguma providência. Os alunos não respeitam mais! Na minha época, o professor falou, estava falado; só que isso não volta mais. Hoje, o professor não pode chamar a atenção dos alunos, porque os pais reclamam. Eu acho que os professores atuais são mais preparados, mas o problema está na maneira de conduzir a educação. Falta apoio e respeito para o professor. Um retireiro ganha melhor que um professor, bem melhor. Na minha fazenda um casal ganha R$4 mil, com moradia e leite gratuitos, sem nenhuma formação. Eu não sei a tabela de hoje, mas até pouco tempo um colega me disse que um P3 estava ganhando R$1.050. Isso é um absurdo, o professor é a base de tudo é a mola que alavanca o país.

    FM - Qual a mensagem que o senhor deixa para os produtores rurais neste momento de festa e confraternização do meio rural com a Expass?

    Toninho - Trabalhar, seguir em frente e não esperar promessa de político nenhum diante de tanta corrupção, e ainda, se precaver da legislação, pois há muitas multas sem sentido que dificultam o nosso trabalho e nos desestimulam. As Leis trabalhistas precisam de alterações. Eu paguei R$120 mil como indenização de uma unha! Tem muita coisa que precisa ser revista, por isso desanimamos. Assim como existem funcionários ruins, tem patrões ruins também, mas é preciso ter um consenso.

     

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