• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    23/05/2019 10h06 - Atualizado em 23/05/2019

    Personagens da vida pública

    CONTINUEMOS OBSERVANDO O ROL DOS PERSONAGENS PÚBLICOS

    Alberto Calixto Mattar Filho
     Personagens da vida pública são personagens reais, estão nos noticiários e exercem ou já exerceram seus nacos de poder e influências, mas muitos deles se enquadrariam perfeitamente como personagens literários sob a lavra de qualquer grande escritor. Pensei nos poderes imaginativos de Gabriel Garcia Márquez para bem retratá-los. 
    Refiro-me, por ora, a quatro dessas portentosas figuras, ainda que existam muitas outras a merecer considerações: Jair Bolsonaro, Olavo de Carvalho, Hamílton Mourão e Michel Temer. Ou seja, quatro dos membros mais polêmicos do nosso atual universo político e midiático.
    Deixo claro, de antemão, que não me importa, neste texto, dizer se algum dos  figurões está certo ou errado, se concordo com um ou com outro, se saio às redes sociais vociferando em prol de um ou em desfavor das ideias de outro. Nada disso. Como personagens reais, mas que considero também literários, desejo somente compartilhar com vocês as características principais que vejo neles.
    Jair Bolsonaro me lembra, por vezes, com as devidas proporções, um tipo bem representado, há alguns anos, pelo comediante Luiz Fernando Guimarães, que criou o sujeito supersincero, aquele que não conseguia conter os fluxos de pensamento que lhe vinham à mente e ia descarregando tudo que pensava para as pessoas com quem conversasse, nem que lhes apontasse os defeitos que via nelas. Parece que Bolsonaro sofre, com boa frequência, dessas torrentes caudalosas de sinceridade. Espécie de caminhão na banguela. 
    Vejam a entrevista que ele concedeu recentemente, nos EUA, a alguns jornalistas a respeito dos protestos havidos semana passada contra o bloqueio de verbas da educação. Num determinado instante, ele foi ficando inflamado e acabou por ofender uma das repórteres que lhe haviam indagado algo de que não gostara. Tachou-a, “na lata”, de jornalista ruim e malformada nos bancos escolares, além de acusá-la de pertencer a um dos maiores inimigos do governo em sua visão, grande parte da mídia.  
    Noutros momentos, ele lê um texto qualquer que se encaixa em sua visão política, empolga-se com o teor  e já vai ansiosamente ao Twitter para compartilhá-lo com seu universo de seguidores. Bolsonaro, em geral, costuma ficar eufórico facilmente com os mantras que defende e sai por aí desferindo suas caneladas. As caneladas do “palmito”, seu apelido de outrora. Pensem em personagens assim, supersinceros, e nas situações difíceis que podem ocorrer em consequência de tamanha sinceridade, ainda que o desejo de dizer o que se pensa seja sempre muito forte. 
    Olavo de Carvalho tem sido a figura mais polêmica nos círculos do poder e da mídia. Possui inúmeros seguidores fiéis nos seus cursos e na rede social. E representa aquele personagem completamente desbocado e que não mede esforços para atacar a quem quer que seja. Por seu temperamento aloprado, tornou-se uma pedra no sapato dos militares. Seus vídeos tomam a atenção e os comentários que emite, muitas vezes densos em palavrões, têm-me feito gargalhar. Olavo se enquadra no círculo dos personagens das ideias fixas, aqueles obsessivos e paranoicos que a literatura nos fornece aos montes. Mas é divertido e corajoso. Um verdadeiro iconoclasta dos tempos atuais. 
    Hamílton Mourão, o vice, me vem à tona justamente por causa de Olavo de Carvalho, seu crítico contumaz. Olavo costuma apontar Mourão como traidor de Bolsonaro, numa espécie de enredo shakespereano cá nas bandas tupiniquins. Já que Bolsonaro é o supersincero, Mourão me parece querer vender a imagem do sujeito legal e equilibrado para a mídia. Que ele seja mais equilibrado do que Bolsonaro até creio que sim. Mas o traço literário de Mourão que eu gostaria de expor é justamente este: o do sujeito polido que tenta aparentar grande tranquilidade em meio às controvérsias comunicativas. O cara legal, que almeja a imagem oposta ao do supersincero e a tudo procura dar pouca importância.
    Por último, Michel Temer. Este mereceria um texto exclusivo em seu louvor. Reiterando o que manifestei no início, não me interessa dizer se ele cometeu crimes contra o erário ou se é inocente. Entretanto, na primeira hipótese, a do criminoso, Temer deveria dar aulas de como se mostrar um corrupto do mais alto nível perante a imprensa. A categoria de Temer, momentos antes de se entregar, em sua segunda detenção, durante uma entrevista em que comentava os reveses por que passava, merece lugar no rol das palavras e posturas elegantes de um político de estirpe elevada em situação adversa. Talvez, o personagem Michel Temer ficasse melhor sob as mãos de Aghata Christie, mestra na criação de bandidos os mais refinados.  
    Continuemos observando o vasto rol dos personagens públicos que nos circundam. Se as controvérsias prosseguem num cenário de difícil solução em nossa terra arrasada por anos de rapinagem, ao menos, a literatura, o teatro e o cinema estão garantidos. 
     
    ALBERTO CALIXTO MATTAR FILHO escreve quinzenalmente, às quintas, nesta coluna (mattaralberto@terra.com.br)

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus