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    20/05/2019 10h26 - Atualizado em 20/05/2019

    Tempo de transição

    PESSOAS HÁ QUE FAZEM DA VIDA UM TÉDIO PETRIFICADO

    Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho
    Tudo não passa de vã filosofia. É o que dizem. Reles filosofia, expressão filosófica. Mas temos que encarar a vida de frente, para frente, sem nos preocupar com o que está por vir. Aliás, porvir já dá conotação e ideia do que vem adiante, o futuro.
    Premissa não falsa, as pessoas se parecem. Coloquem-nas sob idênticas condições. Lá estão: absolutamente iguais. Respiram, agem, comem, bebem, dormem, sonham. Diferenciam muito pouco, umas e outras. 
    Quem pensa que bandido não chora requer tratamento de choque. Choram e não lágrimas de crocodilo. Exceção à regra, os psicopatas. Frios e calculistas são extremamente “emotivos”, especialmente quando têm como meta o mal. No particular, a premissa é falsa. E sem conta, em borbotões, psicopatas caminham livremente pelas ruas da cidade, em operações perigosas, maléficas, fraudulentas. 
    Desprezíveis as situações, posicionamentos, atitudes. Dissimulações, então, de se odiar. Há razões para tanto. Cobrem-se de chuvas negras, ou cinza, a chamada cor plúmbea. 
    Céu pardacento nada a ver com o glamour do apreço que se deva dar à verdade dos fatos. Lusco fusco é a melhor definição. Tempo de mudanças. Depois da noite, o amanhecer. 
    Pessoas há que fazem da vida um tédio petrificado. Tudo cheira a tédio. Uma decomposição irracional a beirar o vazio, sem sentido da ação do ser e estar. São de mal com a vida. Como diz uma letra musical de Caetano Veloso: “Tudo vai mal, tudo. Tudo mudou não me iludo e, contudo...” (Como dois e dois)
    E me confundo. Quem está com a verdade: lado “a” ou “b”? Questionável. O tempo, senhor da razão, o dirá, com certeza.
    Na pluralidade do lugar-comum, o chamado clichê, natural: nem tudo são rosas. Mar de rosas. Se bem que, em certas ocasiões, não se é chegado a rosas. Bonitas no inegável. Mas trazem angústia e depressão. Lembram dor. Materializam ocasiões desagradáveis. Pessoas que se foram e destroçaram corações.
    Diz a trova literária, de forma inspiradora: “Até as flores têm sua sorte, umas enfeitam a vida, outras enfeitam a morte”. Quando a ideia brota em esparsa ironia, vejo-me tomado de efêmera atitude. Uma postura para quem quiser saber: estou aqui vivo, por enquanto. E não gostaria de estar coberto e acobertado pela essência das rosas.
    Mesmo entediado, meio macambúzio. Macambúzio! Um palavrão. Se falar sorumbático talvez fique pior. O certo é dizer triste mesmo. 
    E às vezes sinto-me recolhido em mim mesmo, como se nada tivesse importância, relegado ao estado degradante de uma letargia espúria.
    Eis que surge no horizonte de tão aguardada expectativa a fascinante volta. Expunjo o mal-estar. Então, renuncio à timidez mórbida, faço meia volta e pronto estou para o combate frontal. As formas amorfas que a vida nos oferece em redemoinhos que mais parecem tufões quando tomados de chofre.
    Que amemos, pois, as flores, o seu perfume, na multiplicidade da inspiração. A beleza pode estar numa manhã orvalhada e tudo que ela nos traz e faz. E saudemos a vida, com graça, mesmo que no íntimo seu conceito literal não seja duplo. É múltiplo, sim, na verdade. E levemos uma rosa, com o cheiro do amor e sem limite, a quem amamos verdadeiramente. A imagem há de brilhar mais do que os olhos de quem receber. Uma ressonância melódica de sofisticação. É propriedade vital e humana falando alto, no limite sensível de franqueada poesia. 
    As mulheres se encantam com as rosas. E como encantam. Outras tantas fazem felizes homens em variados momentos pelo espírito da fragrância e olores. Talvez disso tudo resultem obras de caráter divino a enobrecer grandes artistas em respectivas áreas de atuação. Da pintura à escultura; da poesia às composições musicais. Pessoas comuns crescem, enaltecem e têm espaço aos olhos da pessoa amada. É a arte na sua indefinível expressão. Na concepção maior.
    Uma rosa não pede licença. Entra com vagar em nossas vidas. Do começo ao fim. No meio uma “florarte”. Mistura feliz daquilo que em tempo algum podemos nos desvencilhar. E não há como deixar de reverenciá-la em qualquer circunstância. A rosa. Uma flor. A combater a monotonia de um arremedo de quem teima não entender a vida e a morte. A vida é a morte na consequência. 
    Aos amigos que se foram, muitos dos quais prematuramente, a obra do poeta francês Mallarmé trata das flores, na disposição sublime e original. Se o original fala em “De grandes fleurs avec la balsamique Mort”, não menos insinuante é a tradução: “Grandes flores com a balsâmica morte”. (Stéphane Mallarmé, 1842 – 1898, ‘Les fleurs’)
    Como na política dos homens, uma tempestade passageira. As nuvens são assim. Flores não fogem disso. Brilham no espetáculo quando eleitas e queridas. Morrem e apodrecem depois. A esperança fica no canto triste ou alegre. Com ou sem física quântica ou mesmo no purismo da física. Melhor, na compreensão e abstração de cada um dos mortais.
     
    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga (luizgfnegrinho@gmail.com), escreve aos domingos nesta coluna.  

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