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    20/05/2019 08h18 - Atualizado em 20/05/2019

    Joaquim de Melo Freire, Ex-deputado federal

    "Os partidos políticos viraram mercadorias"

    Adriana Dias - Da Redação

    Joaquim de Melo Freire nasceu em Passos no dia 11 de janeiro de 1927, filho do agricultor José Gonçalves Freire e de Valéria Pimenta de Melo. Transferindo-se para São Paulo, realizou os estudos secundários na Associação de Ensino de Ribeirão Preto, formando-se em 1949. Filiado à União Democrática Nacional (UDN), tornou-se, em 1957, presidente do Diretório Municipal do partido em Passos, cargo no qual permaneceria até 1965. Em outubro de 1958, elegeu-se vereador de Passos, na legenda da UDN. Assumiu o mandato em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos legislativos como líder da maioria na Câmara. Em novembro de 1962, concorreu a uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na legenda da UDN. Eleito como deputado estadual, iniciou o mandato em fevereiro seguinte. Ainda em 1963, iniciou o curso de Direito na Universidade Federal de Minas Gerais, que concluiu em 1967. Participou do movimento político-militar de 31 de março de 1964 que depôs o presidente João Goulart (1961-1964). Com o advento do bipartidarismo decorrente do Ato Institucional nº 2 (AI-2), de 27 de outubro de 1965, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar, exercendo o restante do mandato nessa legenda. Reeleito deputado estadual em 1966 e 1970, na legenda da Arena, participou dos trabalhos legislativos como presidente da Comissão de Segurança, membro titular da Comissão de Finanças, Orçamento e Tomada de Contas, da Comissão de Siderurgia e Mineração e da Comissão de Segurança Pública e suplente da Comissão de Transportes, Comunicações e Obras Públicas, da Comissão de Serviço Público Civil e da Comissão de Redação.
    Em novembro de 1974, concorreu a uma vaga na Câmara dos Deputados, na legenda da Arena. Eleito, assumiu o mandato em fevereiro seguinte. Em outubro de 1990, candidatou-se a vice-governador de Minas na legenda do PMDB, na chapa encabeçada pelo senador Ronan Tito, derrotado por Hélio Garcia, do Partido das Reformas Sociais (PRS). Melo Freire deixou a Câmara ao final da legislatura, em janeiro. Em 1991, tornou-se secretário-geral do PMDB, cargo que exerceu até 1993. Concorreu a uma cadeira na Câmara dos Deputados em outubro de 1994, mas sem sucesso. Decidido a não mais disputar cargo eletivo, retirou-se da vida pública. Casou-se com Maria Helena Isaac Freire, com quem teve quatro filhos. Aos 92 anos, ele concedeu entrevista ao Entre Prosas e contou um pouco mais sobre sua trajetória política, falando do atual cenário político e do lançamento de seu livro, uma autobiografia com o título: “Melo Freire – Uma Vida Política Séria”´, que acontece no próximo sábado, 25, no Capella do Chopp às 12h30 com um almoço por adesão de R$70.

    Folha da Manhã - Que avaliação o senhor faz hoje da atividade política partidária no Brasil? Por que a classe política está sendo tão rejeitada como agora?

    Melo Freire - O exercício da atividade política partidária para as pessoas que as exercem com seriedade não está nada fácil, pois, há cerca de 30 anos até aos nossos dias, a política vem perdendo grandeza. Muitos daqueles que a exercem não possuem a devida vocação e estão na atividade por outras razões. O fato que tem contribuído negativamente para a rejeição dos políticos é que eles votarem leis e resoluções que os beneficiem. Fato que pegou muito mal perante a opinião pública foi a lei aprovada pelo Congresso que estabelece verbas volumosas para os partidos políticos usarem nas eleições. Com relação ao quadro partidário existente hoje no Brasil, julgo ser o pior possível. Os partidos políticos viraram mercadorias, o que acredito ser bom negócio, pois, nas últimas eleições, concorreram mais de 30 deles. Tenho informações que no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) existe um número bastante elevado de pedidos de criação de novos partidos, o que demonstra realmente que é um bom negócio. Voltando um pouco ao passado, no ano de 1945, foram criados partidos de âmbito nacional, pois, até então, existiam somente partidos regionais, como aqui em Minas tinha o PRM (Partido Republicano Mineiro), assim também era em outros Estados. Naquela época, foram criados os seguintes partidos: PSD (Partido Social Democrático), UDN (União Democrática Nacional), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), dentre outros poucos. Esse quadro partidário permaneceu até 1965, quando foram extintos pelo governo militar, que os extinguiu quando perceberam que os políticos estavam se preparando para voltar ao poder nas eleições que se aproximavam. O governo não só extinguiu os partidos como estabeleceu também a eleição indireta para presidente da República, começando aí o ciclo de presidentes militares, que perdurou por vinte anos.

    FM - O senhor era tido como sucessor do governador Hélio Garcia, que chegou a indicá-lo como candidato dele à sua sucessão. Mas, em nome da unidade do partido, o senhor abriu mão de sua candidatura para Newton Cardoso. Foi uma decisão difícil?

    Melo Freire – Eu era presidente do PMDB no Estado e, a pedido do governador Hélio Garcia, passei a coordenar o processo de escolha do seu substituto. Surgiram vários candidatos e a definição tornou-se muito difícil, pois todos eles se julgavam em condições de disputar a convenção que se aproximava. Fizemos muitas reuniões, mas as posições não mudaram. Os deputados estaduais e vereadores foram ao governador e pediram para ele indicar os candidatos a governador e vice. O governador convocou uma reunião no Palácio das Mangabeiras com os pretendentes, o presidente do partido e o deputado federal Dalton Canabrava. A reunião se iniciou às 9h30 e, até as 12h, nenhuma solução apareceu. O governador nos convida a irmos ao Palácio da Liberdade onde iria fazer a indicação dos nomes. Lá chegando, o número de pessoas que estavam presentes era muito elevado, devido à expectativa que se criou em torno do fato. O governador iniciou a reunião, fez várias considerações sobre a política nacional e também a do Estado de Minas Gerais e, em seguida, fez a indicação de meu nome para governador, do deputado Dalton Canabrava para o cargo de vice-governador e do deputado Ronan Tito e Alfredo Campos para o Senado, encerrando a reunião em seguida. A decisão para aqueles que estavam esperando por sua indicação não agradou e passaram então a agredir verbalmente o governador. Na manhã seguinte, depois de analisar a questão, cheguei à conclusão que ela não daria certo e procurei o governador no Palácio das Mangabeiras. Conversamos a respeito e, em determinada parte da conversa, eu disse a ele que a melhor solução para evitar uma grande divisão do partido seria o afastamento do meu nome. De início, ele não aceitou a ideia, mas, conforme fui colocando a questão, ele passou a aceitá-la. Ao final da conversa, ele aceitou meus argumentos e me abraçou efusivamente. Eu me dirigi à sede do partido, pois havia convidado a imprensa para conceder uma entrevista. Nesse momento, após fazer algumas considerações a respeito da sucessão no Estado, disse a eles que me afastei do processo. Com esse novo quadro criado, surgiram dois candidatos à convenção: Newton Cardoso e Pimenta da Veiga. Realizadas as eleições, o ex-prefeito de Contagem foi eleito governador do Estado.

    FM - O senhor foi um dos responsáveis pelo “apadrinhamento” de dois políticos: José de Alencar (que chegou à vice-presidência com Lula) e Rodrigo Pacheco. Considera que eles fizeram e fazem bem o dever de casa? Aprenderam o que o senhor ensinou?

    Melo Freire – Conheci o senhor José de Alencar em encontros ocasionais, mas nosso relacionamento tornou-se mais próximo quando o procurei juntamente com o prefeito de Passos e outros líderes da cidade para pedir a construção de um Centro de Atividade do Trabalhador (CAT). Era ele, nessa época, o presidente da Fiemg. Ele não só nos atendeu muito bem como determinou a construção imediata de nossa solicitação, cujo centro recebeu o nome de minha irmã já falecida, Clézia de Melo Freire, que sempre me ajudou nas minhas atividades políticas. Não vou alongar mais a respeito, pois os fatos são conhecidos e contados mais por ele do que por mim. Com relação ao senador Rodrigo Pacheco, devo dizer que não tive participação na sua decisão de entrar na atividade política, pois, quando o conheci melhor, ele já era candidato a deputado federal pelo nosso Estado. Segui a sua campanha, embora não tenha participado da mesma, em razão da doença de minha esposa, que exigia e exige muito de minha presença em casa. Rodrigo foi eleito e, em Brasília, já no primeiro mandato, foi escolhido presidente da Comissão de Constituição e Justiça, uma das mais importantes da Câmara Federal. Eleito senador, penso que muito poderá fazer pela nossa cidade de Passos, pela região e pelo nosso Estado.

    FM - Tem uma escola em Guapé que leva seu nome. Escola Municipal Deputado Joaquim de Melo Freire. Como vê essa homenagem e qual é a sua relação com cidade de Guapé?

    Melo Freire – Fui eleito deputado estadual em 1962. Era governador do Estado o Dr. Magalhães Pinto, quando ocorreu a inauguração da Hidrelétrica de Furnas, construída no governo de Dr. Juscelino Kubitschek, obra de grande importância para o desenvolvimento do país. Houve, porém, uma grande falha no planejamento da obra, uma vez que se esqueceram das consequências negativas que ocorreriam e milhares de mineiros que viram de um momento para outro suas terras serem tomadas pelas águas da represa. Essa situação atingiu não apenas áreas imensas de terra em mais de vinte municípios da região, mas também várias cidades, tendo algumas delas desaparecido do mapa. A situação era dramática e o governador do Estado convocou uma reunião de emergência em Furnas com os diretores da empresa e autoridades da região para tratar do assunto. Com relação à cidade de Guapé, uma das mais atingidas, o governador pediu-me para dar assistência à mesma e também ao município, podendo utilizar os órgãos do Estado. O prefeito de Guapé, na época, Walter Amaral Correa, foi várias vezes à capital e juntos fizemos o que foi possível no atendimento ao município. Passada essa fase, recebi um ofício do prefeito comunicando-me que a Câmara Municipal aprovara um projeto do Executivo dando meu nome a uma escola do município.

    FM - O senhor foi filiado à UDN (União Democrática Nacional), tornou-se, em 1957, presidente do Diretório Municipal do partido em Passos, cargo no qual permaneceu até 1965. O que o levou a deixar a UDN?

    Melo Freire – Fui um dos fundadores da UDN em Passos, no ano de 1945, quando tinha 18 anos de idade. Em 1957, fui eleito presidente do Diretório Municipal e, no mesmo ano, eleito vereador. Em 1965, o presidente Castelo Branco extinguiu os partidos políticos existentes na época. Tal medida foi tomada porque os políticos já estavam preparando para voltar ao poder através das eleições que se aproximavam. O governo criou dois partidos: Arena, de apoio ao governo, e MDB, de oposição, dizendo que aquele quadro seria provisório, mas durou quase vinte anos.

    FM – O senhor sempre foi muito discreto sobre sua trajetória, embora a vida política tenha sempre holofotes, querendo ou não. Quem ou o que o levou a lançar essa autobiografia?

    Melo Freire – Fui eleito por oito mandatos consecutivos. Um de vereador em Passos, três de deputado estadual e quatro de federal. Além desses mandatos, exerci outros cargos como o de presidente do Diretório Municipal da UDN em Passos, de 1957 a 1965; secretário do Diretório Estadual da Arena; presidente do Diretório Estadual do PMDB por dez anos, secretário-geral do PMDB nacional, de 1991 a 1993; secretário de Agricultura de Minas Gerais em 1987, de onde me afastei para reassumir o mandato na Câmara Federal, a fim de participar dos trabalhos pela elaboração da Constituição de 1988. Fiz essas considerações para dizer que, no decorrer dessas atividades, fiz muitos amigos que sempre cobraram a publicação de minhas memórias. Eu sempre resisti a isso por achar que não teria relevância que precisasse ser publicada em um livro. Nesse período, fui procurado por vários jornalistas, uma editora e dois funcionários da Assembleia Legislativa, que desejavam fazer uma gravação sobre as minhas atividades políticas. Quando completei 85 anos, com o objetivo de avivar a memória, escrevi um pouco sobre alguns acontecimentos políticos de que participei no correr dos anos. Esses escritos ficaram guardados e, somente no fim do ano de 2018, resolvi publicá-los, novamente atendendo às solicitações de amigos e familiares. Desejo deixar claro que, ao fazer a publicação desse pequeno livro, não o fiz com o objetivo de fazer uma autobiografia, mas o de relatar os fatos que julguei marcantes na minha atividade política.

    FM – Conte-nos um pouco sobre o lançamento da sua autobiografia.

    Melo Freire - Um grupo de amigos queridos resolveu fazer o lançamento em Passos no próximo sábado, 25, com um almoço no Capella do Chopp, onde vamos presentear os convidados com o livro, dar autógrafos e conversar. Os ingressos podem ser adquiridos com alguns passenses como Frank Freire (35) 98839-1090 e 3521-3061 e (35) 99115-0562 e 3522-6285 Erick Silveira. Bom, a obra “Melo Freire – Uma vida política séria”. O livro, de minha autoria conta com 111 páginas, foi impresso pela Usina do Livro Gráfica e Editora, e recebeu o prefácio do escritor Wellington Abranches de Oliveira Barros.
     

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