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    17/05/2019 08h34 - Atualizado em 17/05/2019

    "Bacurau" empolga críticos em Cannes

    O filme se apresenta como um faroeste brasileiro de aventura e ficção científica que se passa em um futuro distópico, em um povoado com nome igual ao do pássaro de hábito noturno

    Rodrigo Fonseca - Especial para a Folha

    Três anos depois de Aquarius, o pernambucano Kleber Mendonça Filho e a francesa Emilie Lesclaux, diretor e produtora, voltaram a passar pelo tapete vermelho de Cannes, desta vez sem cartazes de protesto, concorrendo uma vez mais à Palma de Ouro, agora com um filme assinado em codireção por Juliano Dornelles: um longa que desafia todas as convenções de tensão dos thrillers já feitos na América Latina. Bacurau troca as reflexões sobre gentrificação de O Som ao Redor (2012) e do longa com Sônia Braga sobre um edifício do Recife por uma linha de suspense arrebatadora, que deixou a imprensa atônita.
    “O filme tem uma atmosfera fascinante e joga com a dinâmica dos filmes de gênero sem ser óbvio”, elogiou o crítico espanhol Nando Salva Grimat, ao fim da sessão para os jornalistas. Risos nervosos, suspiros de assombro, torcidas apaixonadas e um aplauso num momento de virada marcaram a projeção para a imprensa da saga de uma cidade do Nordeste que, num futuro próximo, com drones em forma de disco voador, some do mapa depois da morte de uma ilustre moradora. O desempenho de Silvero Pereira, como um dos habitantes de maior fúria no local, infla a tela com urros, fúria e sangue, numa narrativa com ecos de Mad Max e de Walter Hill (Warriors - Os Selvagens da Noite).
    “O filme se passa em Pernambuco, mas acabamos achando a locação, sem a gente perceber, no Rio Grande do Norte, na fronteira com a Paraíba, no sertão do Seridó. Foi uma viagem com Juliano instrutiva não só para informar a gente sobre o visual e o clima do sertão, como uma sociedade, mas também por se encaixar com nossa bagagem do sertão através do fato de a gente ser do Nordeste e ter tantos amigos que vieram do sertão. O sertão existe forte em quem é nordestino. Temos uma estrutura clássica de uma única rua”, disse Kleber, que trouxe Sônia Braga para o papel da médica Domingas e uma trupe ainda pouco conhecida para papéis essenciais à trama.
    Wilson Rabelo é quem mais se destaca, no papel do professor das crianças de Bacurau: é ele quem se dá conta de que o lugarejo desapareceu da cartografia brasileira. Esse sumiço condiz com a chegada de um par de forasteiros de moto (Antonio Saboia e Karine Teles) e o início de uma onda de mortas ligada a um grupo de estrangeiros chefiados por Michael, papel do ator e modelo alemão Udo Kier. A relação do filme com o filão ‘nordestern’, o cinema de cangaço, vem por uma frase que servia de lema aos clássicos de Glauber Rocha: “Mais fortes são os poderes do povo” Em Bacurau, a frase não é dita, mas vivida, num levante em prol da resistência contra a opressão, que traduz uma série de metáforas políticas. Não por acaso, a trilha sonora de Sérgio Ricardo para o cult A Hora e a Vez de Augusto Matraga (1965), de Roberto Santos, considerada um hino de protesto, embala a feérica luta de um povoado contra predadores do exterior, que matam por prazer.
    “Cannes é um festival único, que nos permite passar dois dias seguidos ininterruptamente falando com a imprensa internacional sobre o filme que fizemos, com visibilidade para o mundo inteiro”, disse Dornelles que, em duo com Kleber, levou para os créditos do longa uma frase referindo-se ao número de empregos que a produção gerou, em prol da economia da cultura.
     

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