• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    15/05/2019 09h44 - Atualizado em 15/05/2019

    Dia a Dia: Uma manhã agradável!

    Sebastião W. Borges

    No dia 21 de março co-memorou-se o Dia Inter-nacional de Sindrome de Down, e “Como Contribuo Com Minha Comunidade” foi o tema sugerido para o ano 2018.
    No domingo 18 de mar-ço, em uma agradável ma-nhã, participei juntamente com minha família do 1º Picnic Down em nossa ci-dade de Passos no Parque da Estação, e como foi bonito ver a alegria estampada nos rostos de todos que lá estavam!
    Lá num certo momento, o sol começou a esquentar a careca, procurei uma sombra, sentei, fiquei observando aquelas tendas ali armadas, dança de Capoeira, apresentação de dança pelos alunos da Apae, brincadeiras e muita boa vontade e ani-mação por parte de todos, plataforma cheia de gente, uns comendo algodão doce, pipoca, outros se refrescan-do com picolé... e a mente acabou embarcando no meu tempo de criança numa via-gem de Maria Fumaça: Naquela época, chegan-do a hora do embarque, o guarda apitava, todos toma-vam seus lugares e punham seus malotes e suas malas no bagageiro suspenso do vagão. Dado o sinal de ok do maquinista, o guarda api-tava por três vezes, e o trem movimentava aos sacolejos e partia levando os que em-barcavam, e em suas cabeças, muitos pensamentos! “E lá vai a máquina, a fornalha de lenha e os vagões, não respeitando ninguém a sua frente!”
    Tinha vagão de primeira classe com poltrona acol-choada, e seus passageiros tinham acesso ao vagão--restaurante, com vários tipos de refeições, e muitas vezes tinham que segurar o que estava sobre a mesa pelo sacolejo! No vagão de segun-da classe, os bancos eram de tábua serrada, podendo sentar de frente ou de cos-tas, o banco era removível, e dentro desses vagões tinha muita comilança. Levavam dentro da bagagem galinha com farofa, bolo, rapadura, frutas, se não levasse tinha que comprar nas estações e gastar ás vezes o “último tostão”!
    Em viagem longa, muitos dormiam embalados pelo sonho a procura de uma vida melhor. O chefe do trem muitas vezes acordava o passageiro para picotar o bilhete, o sujeito fazia cara feia, enfiava a mão no bolso e depois tornava a dormir. Na hora de furar o bilhete, sempre algum esperto, sem a passagem, se escondia na-quilo que servia de banheiro, e se o guarda descobrisse, apontava a ponta do vagão e “na próxima estação desce sem nenhum pio senão te entrego pra polícia”!
    E a locomotiva ia se exi-bindo puxando os vagões, até ir perdendo as energias, e se deixando morrer na plataforma de alguma esta-ção. E pelas portas e janelas via - se sair sacos, cestas, malas e malotes. Em todas as paradas, os passageiros eram festejados pelo povo que ali se reunia nas esta-ções de pequenas cidades. E o trem seguia passando por cortes de serra, pontes sobre rio, da janela via - se bonitas paisagens, estradas, pastagens, fazendas, sítios, povo trabalhando.
    Alguém lá longe via o trem, acenava desejando boa viagem. E nós, meni-nos, deslumbrados com a viagem, ficávamos com o nariz esmagado na vidraça. Essa época, para muitas pessoas, o divertimento era sentar num banco da estação, contemplar o movimento do local e ter o prazer de ver o o trem chegar! No entra e sai da estação o povo fazia amizade, revia velhos ami-gos, e no vai e vem da ida e vinda, construíam muitos amores, muitas esperanças, e ás vezes desilusões. Pelo apito do trem é que muitos sabiam o horário, se fosse horário matutino era hora de preparar o bolo saindo do forno e tomar o café. Se mais tarde, preparar a janta, e se de madrugada era por o pé fora da cama para o batente. Quem nunca ouviu o seu apito adentrando ou saindo da cidade, com suas vagarosas paradas parecendo cansada em cada estação, não entende a lembrança da Ma-ria Fumaça, do trem de ferro pelos trilhos, deslizando.
    E esse tempo se foi, mas esse trem que eu menino co-nheci, por mim será sempre lembrado. Diz a história que a Estação Mogiana chegou em Passos em 11 de dezem-bro de 1921, desativada em 1977, e em 1986, iniciou-se a retirada dos trilhos. Com a retirada dos trilhos, per-demos um marco de fazer turismo em Passos. Seria um ótimo passeio para as crianças e também para nós, os mais velhos, que tivemos a alegria de viver a época das “Maria Fumaça”, das viagens de trens por esse Brasil afora.
    Enfim, sobre o Picnic, foi uma manhã saudável e agra-dável, uma convivência entre colegas, amigos, familiares e a sociedade, foi um encontro enriquecedor. Parabéns aos seus organizadores!
    É o tempo passando e a gente “Memoriando”! 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus