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    09/05/2019 09h14 - Atualizado em 09/05/2019

    O papel essencial da imprensa

    GOVERNANTES LÚCIDOS NÃO EMPREENDEM GUERRA À IMPRENSA

    Alberto Calixto Mattar Filho
    Já demonstrei em outros textos a minha paixão pelos jornais e o apreço que nutro pela liberdade de expressão, independentemente de concordar com opiniões e de aderir ao que é divulgado. Nunca é demais ressaltar que, sem a atuação de uma imprensa forte e livre, o primeiro prejuízo seria o do Estado Democrático de Direito. 
    A história costuma expor que a medida inicial dos sistemas ditatoriais é o de perseguir ou calar a imprensa independente para dar azo somente às publicações que, no entender do governo de plantão, lhe sejam favoráveis. 
    Autocratas costumam odiar a crítica que aponta as falhas que cometem. Autocratas almejam o louvor aos próprios atos. Autocratas e ditadores, assumidos ou dissimulados, adoram somente as versões oficiais, aquelas que surgem dos seus próprios órgãos de comunicação. Autocratas vociferam contra quem lhes descortina erros. Autocratas tacham os críticos de conspiradores do regime. Autocratas costumam ser paranoicos e despreparados para lidar com quem não lhes rende louvores.
    Na realidade, o ato de comunicar sempre ostentou papel fundamental nas relações humanas, não importa de que natureza o sejam, se pessoais, se profissionais, se relativas ao que qualquer governo deseja expor, se próprias de opositores. Hoje, tudo isso está muito mais intenso em razão das facilidades tecnológicas, algo extraordinário e que nos permite comunicações 
    instantâneas. 
    Um fato na China, nos Estados Unidos ou na Indonésia, e o mundo já estará ciente do que ocorreu em fração de segundos. Caso alguém deseje apenas compartilhar um pensamento, lá está a rede social disponível para espargir a ideia a qualquer momento. Ótimo.
    Não se pode negar, todavia, que o fenômeno da comunicação atual traz também seus riscos, o que demanda prudência e atenção do sempre crescente público consumidor de notícias e pensamentos. A liberdade de expor necessita da contrapartida da análise menos precipitada do público alvo ao ressoar as mesmas notícias e pensamentos. 
    Um grande exemplo reside na divulgação das chamadas “fake news”, o que se tornou muito mais fácil, justo em razão do imenso universo de pessoas e grupos que atuam no mundo online o tempo todo. A divulgação de opiniões e imagens aptas a denunciar a tudo e a todos como  mal-intencionados em seus propósitos também adquiriu muito mais espaço, venham os ataques do lado do governo, venham do lado dos opositores, venham do enorme público virtual. 
    A sociedade da intolerância, que repousa sua base na busca da imposição das ideias de grupos que se opõem, ganha, pois, cada vez mais corpo. Quem pensa diferente é inimigo. Parece que tais núcleos almejam o pensamento único, de adesão pura e simples aos dogmas políticos e ao ideário que defendem e querem ver implementados. 
    Está aberto, em consequência, o caminho para os sofismas, aqueles raciocínios concebidos com o objetivo de produzir os efeitos da verdade, mas que, no fundo, são inconsistentes, incorretos e deliberadamente enganosos.
    Creio que, justo nesse intenso turbilhão comunicativo, residem ainda o espaço e o papel fundamental que a imprensa, por seus diversos órgãos, deve continuar a exercer. E que espaço e papel seriam estes? O da busca incansável da verdade real e da análise bem fundamentada, sem se render à instituição, ao governo, à oposição ou ao público que se sentirem contrariados com o que não lhes apraz.  
    A imprensa verdadeira e independente abre espaço, por dever constitucional, às partes objeto de suas publicações. A imprensa verdadeira persegue, com faro de cão, o que, de fato, ocorreu, e atua, nesse sentido, como uma espécie de poder do qual uma nação democrática não pode prescindir. A imprensa verdadeira critica, doa a quem doer.  A imprensa verdadeira traz a público os fatos de interesse público, contrarie a quem contrariar. A imprensa verdadeira investiga dentro de suas possibilidades. 
    Atente-se, por oportuno e valioso, que a imprensa pode, sim, apoiar, por meio de sua linha editorial, um partido ou candidato. A imprensa pode defender livremente o ideário político e econômico em que acredita, se mais à esquerda, se mais à direita, se ao centro. O que a imprensa verdadeira não pode e não deve é sucumbir a desvios na busca da verdade e do pensamento crítico em relação àqueles que ostentam ou pretendem ostentar seus cargos nas esferas dos poderes. 
    Governantes, sejam quais forem, precisam se cercar de pessoas que os auxiliem no trato com a imprensa e, assim, com os inevitáveis questionamentos que advirão de suas medidas ou da falta destas. Governantes lúcidos não empreendem guerra à imprensa, mas respondem com palavras e atos suficientes a demonstrar que suas políticas prosperam em benefício do país, do estado, do município. O mesmo se diz de opositores que querem fazer prevalecer suas ideias a qualquer custo. 
    Num momento em que panfletários virtuais sabe-se lá de onde, além de membros dos governos de plantão, integrantes da oposição e um imenso universo de usuários online que se multiplicam à razão geométrica atuam para desqualificar os órgãos da imprensa tradicional e vender os seus sofismas, é que o papel da independência, do pensamento crítico e da liberdade de expressão deve se fazer presente e continuar a ocupar seu espaço, nem que seja como espécie de ilhas do bom senso, do equilíbrio e do real interesse público. 
    A multiplicidade de pensamentos será sempre bem-vinda. Mas a busca da verdade dos fatos e do excesso de versões que se vende aos montes atualmente há de ser o norte pelo qual a imprensa, por intermédio do jornalismo sério, livre, investigativo e comprometido com os interesses maiores da população deve sempre se orientar. 
     
    ALBERTO CALIXTO MATTAR FILHO escreve quinzenalmente, às quintas nesta coluna (mattaralberto@terra.com.br)

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