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    15/04/2019 08h36 - Atualizado em 15/04/2019

    Edney Silvestre, Jornalista e escritor

    "É preciso criar novas utopias"

    Edney Silvestre já tinha uma carreira consolidada no jornalismo quando decidiu explorar sua verve literária. E o fez com brilhantismo. Correspondente internacional da rede Globo por mais de uma década, cobriu eventos históricos, como o atentado ao World Trade Center, em Nova York. No comando do programa Globo News Literatura, já entrevistou dezenas de escritores, inclusive alguns laureados com o prêmio Nobel.
    Mas foi em 2009 que Edney, nascido na cidade de Valença, no Rio de Janeiro, e apaixonado por leitura desde criança, quando descobriu os quadrinhos e os romances de Jack London, começou uma nova etapa em sua carreira, ao publicar seu romance ”Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, premiado com o Jabuti de Melhor Romance no ano seguinte e que agora chega à televisão como minissérie adaptada por Ricardo Linhares, com Antônio Fagundes, Murilo Benício, Mariana Ximenes e grande elenco, a ser exibida a partir de segunda-feira.
    Com três romances publicados, além da coletânea de contos Welcome to Copacabana & outras histórias, Edney ocupa seu lugar como um dos nomes relevantes da literatura brasileira contemporânea. Conversamos um pouco sobre sua carreira literária e a adaptação vindoura de seu livro, num papo que você confere a seguir.
     
    P - “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, seu romance de estreia, foi bem recebido pela crítica e pelos leitores, tendo ganho o prêmio Jabuti e traduzido em diversos países, como França, Inglaterra e Itália. Agora é adaptado para televisão. Qual sua expectativa quanto à recepção por esse novo público?

    R - Meu livro é uma metáfora sobre o Brasil mestiço, sem voz, sufocado pelo patriarcado, e cruelmente destruído, mostrado através da figura da bela mestiça Anita. A minissérie adaptada de “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” escrita pelo Ricardo Linhares explicita esses aspectos, traz ainda para mais perto do público as diversas faces da sociedade hipócrita que prevalece até hoje. Acredito que será acolhida pelos telespectadores da mesma forma que leitores e críticos acolheram meu romance e pode, quem sabe, despertar interesse em conhecer esta e outras obras minhas que, igualmente, têm a história do Brasil como base.

    P - Você se envolveu na produção de alguma forma? Acompanhou as filmagens, deu sugestões, participou da produção do roteiro?

    R - Ricardo e eu conversamos muito, longamente, antes de ele escrever o roteiro. Desse momento em diante, eu apenas lia os capítulos, que ele mandava para mim, por mera gentileza. O roteiro é inteiro do Ricardo. Juntos acompanhamos a preparação do elenco, vimos alguns ensaios, visitamos o set de filmagem em Catas Altas (MG) e no Estúdios Globo. Criamos uma parceria e desenvolvemos nossa amizade.

    P - O enredo acompanha dois garotos que investigam um misterioso assassinato numa cidade do interior fluminense na década de 1960. Podemos vislumbrar algo pessoal nessa ambientação?

    R - A cidade fictícia de Sâo Miguel é uma mistura de minha cidade natal, Valença (RJ), no Vale do Café, com Tiradentes (MG). Muito do que Paulo e Eduardo vivenciam no romance tem, sim, a ver com muito do que eu mesmo vivenciei na minha infância e pré-adolescência. Muitos meninos dos anos 1960 tiveram experiências semelhantes ‘as minhas, acredito.

    P - Apesar da técnica complexa, o romance “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” — policial, histórico,de formação — é um livro agradável de ser lido, mesmo com algum tipo de violência. Como foi o trabalho de elaboração para chegar a esta simplicidade com sofisticação?

    R - Eu acreditava, no início, que estava escrevendo um romance histórico, apenas, apesar da trama do assassinato brutal de Anita. Conforme a trama evoluía, e com ela os meninos, percebi as características do romance de formação. A parte policial me permitia cercar a personagem central com aqueles habitantes de um universo cruel, machista e perverso. Mas, ainda faltava alguma coisa. Que eu não sabia o que era. Até que, finalmente, houve um momento em que encontrei a direção que unia aqueles aspectos. Foi quando, literalmente, “ouvi” uma voz que me contava o início de tudo: “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos...” Eu estava em um hotel, em Paris, de férias, completamente distraído. Ou achava que estava distraído, distante do romance. Naquele momento eu senti que a elaboração que eu vinha tentando até então, e que já durava, intermitentemente, mais de dez anos, estava toda equivocada. Eu não estava criando nem um romance policial, nem um romance histórico, nem um romance de formação. Era tudo isso junto. Era um romance de evocação. Não tinha a estrutura clássica que eu imaginava para o que eu acreditava, até ali, ser um romance histórico. Eu sonhava em construir um romance com começo, meio e fim. Minhas referências eram autores que admirava e que ainda admiro, como Eça, Dickens, Fitzgerald, Yourcenar, Graciliano. Mas estava enganado. Graciliano não se prendeu a arcabouços rígidos, Eça tampouco, nem Yourcenar, enfim, qualquer desses autores, e eu percebi, ao “ouvir” a voz, que “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, estava emperrado há tanto tempo porque estava completamente equivocado na maneira de contar. E em entender: era, mesmo, um romance histórico? Mas com uma história de crime, policial, enfim? Sendo, ao mesmo tempo, um romance de formação? Por vezes, muitas vezes, achei que não iria conseguir reunir todos os fatores que queria. E me afligia a ideia de que eu tinha uma história para contar e que precisava contá-la, que era complexa demais para minhas possibilidades e capacidade para narrar. Teve um momento em que abandonei o romance, com pena, mas abandonei sem acreditar que jamais tocaria nele. Mas a história não me abandonava. Paulo e Eduardo não me abandonavam. Ubiratan, Hanna, irmã Maria Rosa, Anita e Aparecida, não me abandonavam. Tinham ganhado vida própria e exigiam que eu voltasse a eles. Deixei de lado, mesmo. Até a tarde em que li a frase que virou a epígrafe do romance: “Os mortos não ficam onde estão enterrados”. Tal como os meus mortos, sempre a assombrar os sobreviventes. Foi quando retomei. Cortei muito. Editei muito. Esse episódio da “voz” foi em abril de 2006. Dei o ponto final no romance em junho de 2009.

    P - Que estranho e belo Brasil é esse que circula nas páginas do romance? Ou isso é resultado da linguagem, por assim dizer, simples e despojada?

    R - É o Brasil da segunda metade do Século 20, aquele Brasil cheio de esperança, aquele Brasil formidável que foi capaz de erguer uma capital, no meio do nada, em pouco mais de três anos. Este Brasil, em que eu me formei, vivia um grande conflito entre forças revolucionárias radicais de esquerda e forças estupendas de direita. Éramos o que tinha resultado da ditadura de Getúlio, da guerra contra o nazismo, das leis trabalhistas, do início da popularização da cultura de massa, da transferência maciça da população do campo — e particularmente do Nordeste — para as grandes cidades, do crescimento da indústria e das favelas, do surgimento de tentativas de arte nacional popular. Este Brasil, que eu até hoje não consegui apreender de todo, nem sei se conseguirei, era o Brasil que eu tinha vontade de retratar e que não encontrava nem fora, nem dentro de mim. Simbolicamente, este é o país cheio de contradições com que os dois meninos, sonhadores e ingênuos, se deparam e que tem o destino misturado ao deles. Um com um encontro conformista, ajudando a construir o “Brasil Grande” dos governos militares, o outro se vendo obrigado a deixar tudo para trás e se exilar. Tanta esperança e tanta utopia destruídas. Mas talvez a gente deva lembrar sempre o que o escritor português José Saramago disse, numa entrevista que me deu: “É preciso criar novas utopias”.

    P - Você já era um jornalista com uma carreira consolidada quando decidiu se aventurar na literatura, tornando-se inclusive um autor profícuo. Como se deu esse processo? Era um desejo acalentado e maturado com o tempo?

    R - Sempre escrevi, desde que aprendi a juntar as letras. Sempre gostei de contar histórias. Eu já havia publicado alguns contos, esporadicamente, em revistas literárias. Mas a urgência de publicar o romance que fervilhava na minha cabeça veio, mais forte, depois da minha traumática experiência cobrindo as 3 mil mortes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e da morte de algumas pessoas próximas muito queridas. O que narro no capitulo 13 de “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, por exemplo, é intensamente pessoal e se ancora em uma dessas perdas.

    P - Quais suas grandes inspirações e referências literárias?

    R - Graciliano Ramos, mestre de todos os mestres. Charles Dickens, Philip Roth, Carlos Drummond de Andrade. E muitos outros.

    P - Há planos de adaptação – seja para a televisão ou cinema – para seus demais romances “A felicidade é fácil” e “Vidas provisórias”?

    R - “A felicidade é fácil” vai virar filme, com direção de João Daniel Tikhomiroff, da produtora Mixer. Há negociações para a adaptação de “Vidas provisórias” em seriado. Mas ainda é cedo para bater o martelo.

    P - No programa GloboNews Literatura, pôde entrevistar alguns dos nomes mais importantes da literatura contemporânea, desde ganhadores do prêmio Nobel como Mario Vargas Llosa e Orhan Pamuk a grandes autores brasileiros, a exemplo de Lygia Fagundes Telles e Milton Hatoum. Quais considera mais marcantes?

    R - Um dos momentos mais emocionantes da minha vida, tanto profissional quanto pessoal, foi o dia inteiro que passei na casa de José Saramago, fazendo uma entrevista intensa, sincera, cheia de luz, como ele era. Há outros momentos: com Norman Mailer, com Adélia Prado, com Ohran Pamuk, Vargas Lhosa, Paulo Coelho, tantos, um privilégio repetido várias vezes, pelos quais sinto gratidão sem tamanho.Edney Silvestre já tinha uma carreira consolidada no jornalismo quando decidiu explorar sua verve literária. E o fez com brilhantismo. Correspondente internacional da rede Globo por mais de uma década, cobriu eventos históricos, como o atentado ao World Trade Center, em Nova York. No comando do programa Globo News Literatura, já entrevistou dezenas de escritores, inclusive alguns laureados com o prêmio Nobel.
    Mas foi em 2009 que Edney, nascido na cidade de Valença, no Rio de Janeiro, e apaixonado por leitura desde criança, quando descobriu os quadrinhos e os romances de Jack London, começou uma nova etapa em sua carreira, ao publicar seu romance ”Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, premiado com o Jabuti de Melhor Romance no ano seguinte e que agora chega à televisão como minissérie adaptada por Ricardo Linhares, com Antônio Fagundes, Murilo Benício, Mariana Ximenes e grande elenco, a ser exibida a partir de segunda-feira.
    Com três romances publicados, além da coletânea de contos Welcome to Copacabana & outras histórias, Edney ocupa seu lugar como um dos nomes relevantes da literatura brasileira contemporânea. Conversamos um pouco sobre sua carreira literária e a adaptação vindoura de seu livro, num papo que você confere a seguir.
     
    P - “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, seu romance de estreia, foi bem recebido pela crítica e pelos leitores, tendo ganho o prêmio Jabuti e traduzido em diversos países, como França, Inglaterra e Itália. Agora é adaptado para televisão. Qual sua expectativa quanto à recepção por esse novo público?

    R - Meu livro é uma metáfora sobre o Brasil mestiço, sem voz, sufocado pelo patriarcado, e cruelmente destruído, mostrado através da figura da bela mestiça Anita. A minissérie adaptada de “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” escrita pelo Ricardo Linhares explicita esses aspectos, traz ainda para mais perto do público as diversas faces da sociedade hipócrita que prevalece até hoje. Acredito que será acolhida pelos telespectadores da mesma forma que leitores e críticos acolheram meu romance e pode, quem sabe, despertar interesse em conhecer esta e outras obras minhas que, igualmente, têm a história do Brasil como base.

    P - Você se envolveu na produção de alguma forma? Acompanhou as filmagens, deu sugestões, participou da produção do roteiro?

    R - Ricardo e eu conversamos muito, longamente, antes de ele escrever o roteiro. Desse momento em diante, eu apenas lia os capítulos, que ele mandava para mim, por mera gentileza. O roteiro é inteiro do Ricardo. Juntos acompanhamos a preparação do elenco, vimos alguns ensaios, visitamos o set de filmagem em Catas Altas (MG) e no Estúdios Globo. Criamos uma parceria e desenvolvemos nossa amizade.

    P - O enredo acompanha dois garotos que investigam um misterioso assassinato numa cidade do interior fluminense na década de 1960. Podemos vislumbrar algo pessoal nessa ambientação?

    R - A cidade fictícia de Sâo Miguel é uma mistura de minha cidade natal, Valença (RJ), no Vale do Café, com Tiradentes (MG). Muito do que Paulo e Eduardo vivenciam no romance tem, sim, a ver com muito do que eu mesmo vivenciei na minha infância e pré-adolescência. Muitos meninos dos anos 1960 tiveram experiências semelhantes ‘as minhas, acredito.

    P - Apesar da técnica complexa, o romance “Se Eu Fechar Os Olhos Agora” — policial, histórico,de formação — é um livro agradável de ser lido, mesmo com algum tipo de violência. Como foi o trabalho de elaboração para chegar a esta simplicidade com sofisticação?

    R - Eu acreditava, no início, que estava escrevendo um romance histórico, apenas, apesar da trama do assassinato brutal de Anita. Conforme a trama evoluía, e com ela os meninos, percebi as características do romance de formação. A parte policial me permitia cercar a personagem central com aqueles habitantes de um universo cruel, machista e perverso. Mas, ainda faltava alguma coisa. Que eu não sabia o que era. Até que, finalmente, houve um momento em que encontrei a direção que unia aqueles aspectos. Foi quando, literalmente, “ouvi” uma voz que me contava o início de tudo: “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, ainda posso sentir o sangue dela grudado nos meus dedos...” Eu estava em um hotel, em Paris, de férias, completamente distraído. Ou achava que estava distraído, distante do romance. Naquele momento eu senti que a elaboração que eu vinha tentando até então, e que já durava, intermitentemente, mais de dez anos, estava toda equivocada. Eu não estava criando nem um romance policial, nem um romance histórico, nem um romance de formação. Era tudo isso junto. Era um romance de evocação. Não tinha a estrutura clássica que eu imaginava para o que eu acreditava, até ali, ser um romance histórico. Eu sonhava em construir um romance com começo, meio e fim. Minhas referências eram autores que admirava e que ainda admiro, como Eça, Dickens, Fitzgerald, Yourcenar, Graciliano. Mas estava enganado. Graciliano não se prendeu a arcabouços rígidos, Eça tampouco, nem Yourcenar, enfim, qualquer desses autores, e eu percebi, ao “ouvir” a voz, que “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, estava emperrado há tanto tempo porque estava completamente equivocado na maneira de contar. E em entender: era, mesmo, um romance histórico? Mas com uma história de crime, policial, enfim? Sendo, ao mesmo tempo, um romance de formação? Por vezes, muitas vezes, achei que não iria conseguir reunir todos os fatores que queria. E me afligia a ideia de que eu tinha uma história para contar e que precisava contá-la, que era complexa demais para minhas possibilidades e capacidade para narrar. Teve um momento em que abandonei o romance, com pena, mas abandonei sem acreditar que jamais tocaria nele. Mas a história não me abandonava. Paulo e Eduardo não me abandonavam. Ubiratan, Hanna, irmã Maria Rosa, Anita e Aparecida, não me abandonavam. Tinham ganhado vida própria e exigiam que eu voltasse a eles. Deixei de lado, mesmo. Até a tarde em que li a frase que virou a epígrafe do romance: “Os mortos não ficam onde estão enterrados”. Tal como os meus mortos, sempre a assombrar os sobreviventes. Foi quando retomei. Cortei muito. Editei muito. Esse episódio da “voz” foi em abril de 2006. Dei o ponto final no romance em junho de 2009.

    P - Que estranho e belo Brasil é esse que circula nas páginas do romance? Ou isso é resultado da linguagem, por assim dizer, simples e despojada?

    R - É o Brasil da segunda metade do Século 20, aquele Brasil cheio de esperança, aquele Brasil formidável que foi capaz de erguer uma capital, no meio do nada, em pouco mais de três anos. Este Brasil, em que eu me formei, vivia um grande conflito entre forças revolucionárias radicais de esquerda e forças estupendas de direita. Éramos o que tinha resultado da ditadura de Getúlio, da guerra contra o nazismo, das leis trabalhistas, do início da popularização da cultura de massa, da transferência maciça da população do campo — e particularmente do Nordeste — para as grandes cidades, do crescimento da indústria e das favelas, do surgimento de tentativas de arte nacional popular. Este Brasil, que eu até hoje não consegui apreender de todo, nem sei se conseguirei, era o Brasil que eu tinha vontade de retratar e que não encontrava nem fora, nem dentro de mim. Simbolicamente, este é o país cheio de contradições com que os dois meninos, sonhadores e ingênuos, se deparam e que tem o destino misturado ao deles. Um com um encontro conformista, ajudando a construir o “Brasil Grande” dos governos militares, o outro se vendo obrigado a deixar tudo para trás e se exilar. Tanta esperança e tanta utopia destruídas. Mas talvez a gente deva lembrar sempre o que o escritor português José Saramago disse, numa entrevista que me deu: “É preciso criar novas utopias”.

    P - Você já era um jornalista com uma carreira consolidada quando decidiu se aventurar na literatura, tornando-se inclusive um autor profícuo. Como se deu esse processo? Era um desejo acalentado e maturado com o tempo?

    R - Sempre escrevi, desde que aprendi a juntar as letras. Sempre gostei de contar histórias. Eu já havia publicado alguns contos, esporadicamente, em revistas literárias. Mas a urgência de publicar o romance que fervilhava na minha cabeça veio, mais forte, depois da minha traumática experiência cobrindo as 3 mil mortes dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 e da morte de algumas pessoas próximas muito queridas. O que narro no capitulo 13 de “Se Eu Fechar Os Olhos Agora”, por exemplo, é intensamente pessoal e se ancora em uma dessas perdas.

    P - Quais suas grandes inspirações e referências literárias?

    R - Graciliano Ramos, mestre de todos os mestres. Charles Dickens, Philip Roth, Carlos Drummond de Andrade. E muitos outros.

    P - Há planos de adaptação – seja para a televisão ou cinema – para seus demais romances “A felicidade é fácil” e “Vidas provisórias”?

    R - “A felicidade é fácil” vai virar filme, com direção de João Daniel Tikhomiroff, da produtora Mixer. Há negociações para a adaptação de “Vidas provisórias” em seriado. Mas ainda é cedo para bater o martelo.

    P - No programa GloboNews Literatura, pôde entrevistar alguns dos nomes mais importantes da literatura contemporânea, desde ganhadores do prêmio Nobel como Mario Vargas Llosa e Orhan Pamuk a grandes autores brasileiros, a exemplo de Lygia Fagundes Telles e Milton Hatoum. Quais considera mais marcantes?

    R - Um dos momentos mais emocionantes da minha vida, tanto profissional quanto pessoal, foi o dia inteiro que passei na casa de José Saramago, fazendo uma entrevista intensa, sincera, cheia de luz, como ele era. Há outros momentos: com Norman Mailer, com Adélia Prado, com Ohran Pamuk, Vargas Lhosa, Paulo Coelho, tantos, um privilégio repetido várias vezes, pelos quais sinto gratidão sem tamanho. 

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