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    09/04/2019 08h33 - Atualizado em 09/04/2019

    Arles: para reviver os traços de Van Gogh

    O sul da França foi morada de um dos artistas mais reconhecidos da história das artes visuais ocidental

    Sabrina Moura - Especial para a Folha
    Van Gogh vivia com sua famlia na cidade Holandesa de Zundert
    Van Gogh vivia com sua família na cidade Holandesa de Zundert

    Durante os anos que residiu na região da Provença, Vicent Van Gogh registrou em telas, lugares e momentos do cotidiano da pitoresca Arles. Os passos de Van Gogh é um roteiro turístico que não pode faltar em sua caminhada pelas ruelas entre os muros medievais desta encantadora cidade francesa.

    Nascido em 30 de março de 1853, na cidade Holandesa de Zundert, Van Gogh, filho de pastor de rebanho, vivia com sua família de forma modesta. Vicent é um daqueles artistas que, por ser extremamente sensível à sua realidade, buscava registrar sua época e as pessoas simples que o cercavam. Camponeses e pobres são retratados em várias de suas obras com a delicadeza, a técnica e o olhar crítico a frentes de seu tempo. Idealista e místico, ele possuía uma violenta sensibilidade que se intensificava com os excessos de horas de trabalho, de álcool e de tabaco. Marcada por uma vida intensa, suas grandiosas pinturas podem narrar esta sensibilidade e esta inquietude interna, traços de sua personalidade como pessoa e artista. Um talento indiscutível que não foi reconhecido pelos seus pais e pela sua irmã mais nova, mas seu irmão Theo, o considerava um gênio e esteve com ele, o apoiando e sacrificando mensalmente parte do seu modesto salário para financiar a arte de Vicent.excessos de horas de trabalho, de álcool e de tabaco. Marcada por uma vida intensa, suas grandiosas pinturas podem narrar esta sensibilidade e esta inquietude interna, traços de sua personalidade como pessoa e artista.

    Theo, ao deixar a Holanda, começou a trabalhar em uma galeria no centro de Montmartre, na cidade parisiense. Montmartre era um bairro de encontro dos talentos artísticos mais originais de uma época riquíssima em produção de arte de vanguarda.
    Vicent se muda para Paris com o intuito de morar com o irmão e conhece artistas como Camille Pissarro e Paul Gauguin. Sua estada na cidade luz foi breve, mas mesmo assim, este foi um momento de muitas trocas e experiências artísticas que contribuíram para o processo de formação estética de Vicent. Van Gogh se sentia deprimido em Paris, a cidade das luzes era escura e cinza para o que ele almejava. Aspirava por luz solar que pudesse iluminar seu trabalho, decidiu mudar para o sul da França.

    Mudança
    Em busca de uma claridade natural vibrante, plástica e mística, no dia 20 de fevereiro de 1888, ele se instala em Arles. Para sua surpresa, ao chegar à pequena cidade francesa, ele encontra gelo e neve que é retratada em sua tela Paisagem Nevada.
    Com a chegada da primavera, Vicent sai aos campos em busca de luz para pintar seus quadros. Por possuir um espirito inquieto e efervescente, ele trabalhava muitas horas por dia. Dentre suas produções, temos a Ponte de Gleize e Amendoeira em Flor. Em seus quadros, os arbustos e galhos retorcidos, as árvores frutíferas e as cores quentes lembram estampas japonesas. Arles se torna a casa das grandes feitos de Van Gogh.
    Com o intuito de formar na cidade uma comunidade de pintores, ele convida seu amigo Paul Gauguin para se juntar a ele no sul da França. Eles se instalam na “Casa Amarela”, desaparecida após a Segunda Guerra Mundial, mas eternizada em seu famoso quadro.
    Devido à sua personalidade colérica, inclinação para o consumo de álcool e suas crises depressivas, às vezes, acompanhadas de comportamentos violentos, o andamento do projeto ficou inviável. Gauguin residiu somente algumas semanas com Van Gogh, e logo deixou Arles com receio que ele o matasse. Os dois se encontravam em constantes discussões e ataques. Foi justamente em uma destas brigas, que possivelmente sucedeu o famoso episódio da “orelha cortada”.

    Retratos
    Em seus retratos de lugares provençais, podemos observar toda a inquietação e delírio que habitava este artista. Os girassóis, os campos, os ramos ciprestes, as noites estreladas dizem sobre o seu estilo único e, as cores vibrantes e os traços expressivos mostram que o artista vivia uma tempestade interior. Suas produções, até nos dias atuais, são capazes de intrigar e surpreender pela originalidade.
    Uma caminhada por Arles nos permite observar os pontos e contrapontos que o artista retratou em seus quadros. É possível, mesmo que de forma razoável, ter um comparativo do seu olhar fantástico sobre a realidade que o cercava.
    Em Arles, temos doze passos que podem ser seguidos como roteiro turístico:
    Parque Público (1888)
    Les Arènes em português As Arenas (1888)
    .

    Arles, cidade com cultura de touradas, foi retratada por Vicent, que pintou os expectadores nas arquibancadas: homens e mulheres trajados propriamente para este evento.
     

    La Charcuterie (1888) é um quadro sobre o olhar do artista a “Partir Da Janela de Açougue de carne de Porco”.
     

    A Casa Amarela (1888), localizada na Place Lamartine, esta pintura noturna representa a residência em que Vicent idealizou o possível local para encontro de artistas e pintores;
     

    O Café à Noite na Place Lamartine ou O Café à Noite (1888), nos conta através dos contrates de cores e tonalidades, que variam do rosa e verdes suaves ao vermelho intenso e amarelos marcantes, o clima atmosférico e sensorial do interior do café. As pessoas se mostram depressivas, arruinadas e abandonadas nas feições expressadas na figura;
     

    Noite Estrelada Sobre o Ródano (1888), retrata com magnificência cromática as estrelas refletindo nas águas do Rio Ródano. Apesar de ter traços fortes de um estilo Pós Impressionista e de um Expressionismo emergindo, a obra apresenta uma calmaria expressada nos tons de azul e na postura das figuras no quadro. 

    A Ponte Trinquetalle (1888).
    O Pátio do Hospital de Arles (1888 – 1889), o artista retratou os jardins do sanatório em que ficou internado;

     

    Terraço do Café à Noite ou O Terraço do Café na Place du Forum (1888), obcecado por cores vibrantes e apaixonado por observar o cotidiano das pessoas, Van Gogh se encanta por este café, onde podemos observar as pequenas figuras de pessoas bebendo, sentadas nas mesas de ferro retorcidos.
     

    Les Alyscamps (1888), o artista apresenta momentos do outono do sul francês. As cores em tons amarelos e alaranjados das árvores e a atmosfera solícita, onde pessoas caminham tranquilas pelo parque.
     

    A Ponte em Langlois com Lavadeiras (1888), a combinação de algumas lavadeiras com seus vestidos coloridos, lavando suas roupas à margem das águas azuis de um rio em correnteza, um cavalo puxando uma carroça amarela pela ponte, também em variações amarelados, a terra em tons alaranjados, a vegetação verde em traços marcados e um céu claro turquesa remete que toda esta obra está em movimento, tanto em movimento da cena como também mostra o movimento do artista para explorar as tendências de uma arte Expressionista.

    Instabilidade
    Padecendo a cada dia de epilepsia e instabilidade emocional e psíquica, Vincent pediu para ser internado em uma casa de repouso. Muda-se para o manicômio de Saint-Paul-de-Mausole, onde se coloca prontamente a pintar. Produz muito. Esta é considerada a fase que Vicent mais produziu, chegando a média de uma obra por dia. Poucos meses depois, ele se muda para Auvers-sur-Oise e num sopro de delírio, Van Gogh tira sua própria vida em um campo de Provença. Os campos dourados, berço de magníficas pinturas, também foi o cenário para sua morte. Estudos recentes de Steven Naifeh e Gregory White Smith contestam a afirmação que Van Gogh teria se matado.
    O que não temos dúvidas é que Van Gogh, ao se mudar para o sul da França, buscava luz intensa para dar cor a sua criação e sem hesitação, a beleza das tardes da bela Provença, os campos e o azul do mar mediterrâneo foram inspiradores e contribuíram para que este artista complementasse sua obra.
    Caminhar por Arles é mais que sentir o cheiro da lavanda nos sabonetes artesanais. É mais que poder sentar para apreciar um bom café e crossaint francês com geleia de maçã ou degustar um marcante queijo Reblochon com um suave vinho branco. É mais que viajar no tempo pelas ruelas medievais compostas por arquiteturas romanas. Caminhar por Arles é reviver os passos de Van Gogh, um dos maiores artistas plásticos de todos os tempos.
     

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