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    25/03/2019 08h52 - Atualizado em 25/03/2019

    Brisas de Outono

    VIM PARA RESTABELECER A ORDEM E FAZER A MINHA PARTE

    Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho
    A manhã deu cara de que o dia seria suave como a brisa de um bosque nas cercanias de Viena. E trazia consigo uma fragrância deliciosa de perfume produzido na região turística de Côte d’Azur, na França.
    O outono chegou. Como dizem, chegou chegando. E veio para dar cara nova a uma paisagem que cheira a beleza de alma que ardentemente se deseja na busca de novas instituições da paz, em suas diversas razões e maneiras de ser e estar. A serenidade no esplendor da honraria da calma, nada que contrarie e objete.   
    Como em tudo na vida, no cenário da existência humana, também pairam estranhas criaturas, tais como blocos incidentais a furarem filas nas passarelas de alegres danças de outrora. E machucam. Ferem. Cutucam. Como se obstáculos negativos sensoriais tivessem que existir para a produção de mágoas insolentes em nossos viveres.
    E no panorama de tão almejadas bonanças, os maus tempos se insurgem como um tsunami de gigantescos tentáculos, pondo em polvorosa os homens da calma e de doces momentos da harmonia, na sensação plantada entre flores 
    e oliveiras.
    Como se estivesse em Grasse, nas proximidades de Nice e ainda mais perto de Cannes, tudo sob os encantos das belas paisagens de Provence, eis que tomam assentos em revoados hinos de clássicas poesias, galantes personagens de todos os estilos, entre o classicismo e barroco. Enquanto o primeiro se depara com planos, o segundo com a profundidade. Se o classicismo é sereno, tranquilo, meditativo; o barroco, ao contrário, é frenético, como uma banda de 
    rock pauleira. 
    Não se descurando dizer, no classicismo existem os planos sucessivos, com espaços geometricamente organizados. Já o barroco, não. Tudo gira e circula sem repouso. Daí a importância de polos opostos, cada qual em sua medida histórica e alegorias destoantes.
    Assim o outono traz uma cara nova, em que pese ser assim de todos os anos. Mas desta vez será melhor, o ameno da esperança, da graça da incidência de uma felicidade que teima declinar toda a sua realeza de glória festiva, como a canção ouvida em êxtase, bem pianinho, ao pé do ouvido, permitindo-se a dança dos sons e da alma. Esse é o outono do qual descrevia Nietzsche. Ele que dizia: ”Repara que o outono é mais estação da alma do que da natureza”.  
    Mas nem tudo são flores, hinos, poesias, menos ainda luzes, como em Paris. Existem brumas na perturbação da ordem. Um desarrazoado ao estilo tardes e noites londrinas, ao sul do rio Tâmisa. Um viés histórico e geográfico, valendo até mesmo, na penumbra de insólitos macabros, a figura sinistra de “Jack”, também conhecido por “O Estripador”.
    Jack, o Estripador é o pseudônimo mais conhecido para designar um lendário assassino em série não identificado, que atuou na periferia de Whitchpel, distrito de Londres e arredores, nos idos de 1888.
    Então se põe a pensar: entre sonhos encantados, lindas canções à beira do lago, metrificadas no produto em poesias, ao som de flautas e liras, a marcarem com doçura o compasso de cisnes em águas plácidas e amenas, na desenvoltura de balés clássicos voltados para uma lua que tudo vê e espia em alto lume.
    Ao depois, a manhã vem e o dia segue. Vida que segue. Um pássaro aponta por detrás de frondosa árvore que resistira aos impactos de maledicentes mãos humanas, as quais insistem atacar grotescamente fauna e flora de forma desbragada, violentando a postura intransigente dos defensores do meio ambiente, do verde de constantes esperas e o do branco da paz.
    E a voz da poltrona, de cinema de antigo triller, como que em tom de insinuante ameaça, aponta o dedo para terrificante indicativo: o pior 
    está por vir!
    Na contramão de bumbos desvairados em anúncios na cova dos leões, eis que surge a voz plácida de uma natureza forte, ora amena, a bater suavemente na harmonia da pauta, que vem apenas e tão-somente para fazer valer sua presença na vida dos hemisférios. Eu sou outono! Vim para restabelecer a ordem e fazer a minha parte no sistema em que todos dele devem participar. Que a transição seja para melhor. Amem-se, permitam-se amar. Daqui a pouco vou, depois volto. Isto, claro, se deixarem.
     
    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna. (luizgfnegrinho@gmail.com) 

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