• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    14/03/2019 09h56 - Atualizado em 14/03/2019

    O Diário de Anne Frank

    ESCREVER LHE REPRESENTAVA O EXPURGO NECESSÁRIO DE TODA A DOR QUE SENTIA

    Alberto Calixto Mattar Filho
    Há de se reconhecer facilmente por que “O Diário de Anne Frank” tem sido das obras mais lidas do mundo nas últimas décadas. Quem a detiver em mãos e se entregar ao relato estará, sem dúvida, com um dos vários documentos extraordinários e também originais do que se passou naqueles últimos dois a três anos de um dos períodos mais cruéis da história: a Segunda Guerra Mundial. Desta feita, com um pequeno grupo de fugitivos, que se abrigaram em um cômodo comercial. 
    Sua originalidade reside não só nas circunstâncias bélicas de tempos sombrios. Embora escrito sob um panorama terrível, não se restringe somente às noticias ouvidas nas rádios sobre perseguições a judeus, mortes, bombardeios e exílios em pavorosos campos de concentração, mas também na narrativa do cotidiano de pessoas que se viram obrigadas a tentar escapar da fúria de Adolf Hitler e, assim, manter um mínimo de equilíbrio em busca de um futuro melhor. Quando tudo parece perdido, resta-nos buscar forças para continuar vivendo.
    Anne Frank é uma menina de família judaica nascida em Frankfurt, Alemanha, em 1929. Em 1933, ela, sua irmã e seus pais emigraram para a Holanda a fim de se esquivarem da mira dos nazistas, que já ocorria em anos antecedentes ao início da Segunda Guerra. Seu pai, Otto Frank arrumara trabalho numa firma holandesa. 
    A questão é que, em anos posteriores, por volta de 1942, no auge das batalhas, a situação se agravou bastante para os judeus, e Anne Frank, juntamente com sua família e outros amigos, teve que se esconder em um anexo do prédio comercial onde seu próprio pai trabalhava, algo como um esconderijo secreto, com certa estrutura para abrigar aquele grupo de oito pessoas. Hoje, o local se transformou no Museu Anne Frank, em Amsterdã. 
    De qualquer forma, o que chama mesmo a atenção na obra é a excepcional capacidade de uma adolescente em transpor para as folhas de um diário a rotina de pessoas que, em desespero por se manterem a salvo, não viram outra hipótese a não ser dividir um oculto espaço em busca de autoproteção. Quando Anne começou a redigi-lo, ela tinha somente 13 anos. Quando se viu forçada a concluí-lo, havia acabado de chegar aos 15. 
    Anne demonstra, a todo instante, que era leitora voraz e apaixonada pela escrita.  Escrever lhe representava o expurgo necessário de toda a dor que sentia. Seu diário se torna um apoio essencial. Via-o como uma amiga íntima a quem chamava de Kitty e que lhe permitia confessar, sem receios, os dramas mais recônditos que a fustigavam. Seus níveis de maturidade, cultura e inteligência para detalhar tantos aspectos daqueles anos de sofrimento surpreendem e tocam fundo a sensibilidade de quem se envolve com o 
    que ela expõe.
    Estamos perante uma narrativa pungente, pois repleta da angústia inevitável para quem se via em uma das piores situações da existência, se não a pior: as agruras das injustiças de uma guerra que sempre acabavam em exílio e morte chocantes. 
    Por outro ângulo, já que a vida que a vida daquelas pessoas, apesar das dificuldades,  precisava continuar, resta também à Anne a revelação de aspectos corriqueiros dos relacionamentos entre os moradores e suas estratégias de como lidar com a escassez iminente até de alimentos. Surgem, então, as descrições do que comiam, da divisão dos cômodos, do uso da água e do banheiro, dos conflitos de temperamento, dos momentos irritantes, dos momentos de paz, das parcas situações de felicidade, dos fatos risíveis e, principalmente, do sentimento que ainda os movia em meio à tanta adversidade, a esperança. 
    Sim, a esperança. Sob seu excepcional talento narrativo, em cujas entrelinhas se torna possível perceber as ilusões de uma adolescente que sabia reconhecer os próprios defeitos, mas que sonhava com a liberdade, o amor e a realização profissional no seio da barbárie do Holocausto, somente a esperança poderia lhe dar o necessário suporte emocional para sobreviver 
    e sonhar. 
    São tantos os trechos a merecer destaque que fica difícil selecioná-los. Ainda assim e como forma de demonstrar o esplendor desse diário, vale transcrever algumas de suas frases: “Alegria celeste, tristeza mortal. Sinto uma alegria celeste  quando me lembro como estou bem aqui em comparação a outros judeus. A tristeza mortal me invade quando ouço contar que a vida lá fora continua.”   ....você já sabe há muito tempo que o meu maior desejo é vir a ser jornalista e, mais tarde, escritora famosa. Serei capaz de realizar minha ambição?” 
    O dramático fim de todos os integrantes do anexo vem narrado nas duas páginas finais. Vale muito a pena ler “O Diário de Anne Frank” também para tomarmos sempre ciência e consciência dos tempos que não desejamos mais.  Nada como a paz. 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus