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    11/03/2019 09h27 - Atualizado em 11/03/2019

    A vida não comporta improvisos

    NÃO VAMOS COLOCAR A CASA EM ORDEM NUM CURTO ESPAÇO

    Luiz Gonzaga Fenelon Negrinho
    O dia amanheceu como outro qualquer. Levantei-me a custo, corpo não querendo sair da cama. Nem preciso falar em despertador eletrônico. O meu é natural. Mell e Bell triscam a porta do quarto em sincrônicos miados, ao tempo que anunciam que estão acordadas e eu não. No recorrente, atendo aos apelos. Também, haja cristão!
    Entre sonolento e acordado, pós-Carnaval, quarta braba, vou à cozinha para um café instantâneo. Rápido e fácil, tomo uma xícara acompanhada de um pão de queijo aquecido no forno microondas. As gatinhas me devorando com os olhos. E tomem esfregões. Dou-lhes a parte que lhes cabe, ração balanceada, antes da assepsia nos recipientes destinados à higiene, com a costumeira troca de água, agora limpa e fresca.
    Já sintonizado com o mundo real, ligo a tevê para o noticiário. Mais um pecadilho do nosso presidente. Bolsonaro se volta contra factoides do Carnaval, dando importância ao que não tem. E deita críticas a um caso isolado de um rapaz que faz trejeitos de caráter pouco conveniente numa república, no seu entender, desejosa de harmonia, bons costumes e patriotismo acima de tudo. 
    Considerando que Carnaval é uma festa em que loucuras e diabruras se sucedem no seu contexto cultural, não há como um chefe de Estado criticar o Carnaval através do Twitter. Pura perda de tempo. Como gostava de dizer o amigo João Carlos Moraes, é gastar cartucho à toa, enfim atirar a esmo.  
    Entre ter ou não a intenção de criticar o espírito momesco, ficou mal foi para o primeiro mandatário da nação. Temos coisas mais importantes para nos preocupar. Poderia citar na conveniência o famoso adágio “aquila non capit muscas, ou seja, a águia não apanha moscas. Numa versão para o óbvio, um homem importante não perde tempo com assuntos menores. E foi o que aconteceu, com falhas gramaticais à parte. 
      Pelo visto a Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR) vai ter muitos problemas para atenuar as falas oficiais. Os arquétipos de próclises, mesóclises e ênclises já devem estar aguçados para os devidos fins no setor do órgão informativo.
      Nem se há de repudiar ou não a extensão do gesto do presidente do Brasil, ultraconservador na opinião da comunidade mundial. Não aprovaram e seguidas avaliações negativas aconteceram. Melhor então é prevenir. 
      A verdade é que Bolsonaro teve seu nome cogitado em muitos blocos carnavalescos, na conformidade histórica dos árbitros de futebol: “Um, dois, três, quatro, cinco mil, queremos que Bolsonaro vá...” E o presidente não gostou. Também pudera. 
    Quem se habilita a campanhas político-partidárias, já deve esperar por situações estranhas e indesejáveis. Caso contrário, não deve entrar. O jogo sempre foi esse e ainda mais com essa falsa moralidade de transparência no jogo democrático, é muito pior. Por isso é que as penitenciárias estão cheias de políticos corruptos e no aguardo de outros tantos na iminência. Só aguardar para ver.
    Ninguém aqui torce pelo caos. Jamais. É que essas picuinhas do meio social devem ser relegadas ao descaso, ao que costumo chamar de cemitério de abutres. Não há o que apreciar no campo da sociologia, pedagogia, antropologia etc. 
      Estupidificam-se em casos tão mesquinhos e ridículos, como o fato de interventores do bom costume se impor contra quem está fazendo xixi em postes de logradouros por falta de sanitários públicos no período carnavalesco. Tenham dó. 
    E outra: a evitar incompreensões no mundo da política palaciana, muitos projetos de relevo estão na pauta do dia – leia-se em especial o da Previdência. E o que é preocupante, o presidente Jair Messias Bolsonaro não pode descuidar-se de suas falas oficiais, evitando-se ao máximo de fazê-lo de improviso. As barbaridades podem ser evitadas. Aí se mistura democracia com militarismo, ao que depois, em infundadas tentativas de conserto, os retoques se perdem nas abobrinhas para terceirizadas ideias fora do contexto da compreensão humana.
    Em definitivo, não vamos colocar a casa em ordem num curto espaço de tempo. Pior do que está não dá. Em sendo assim, o que me resta é deixar o lar por instantes e ir atrás do pão de cada dia. De minha parte cuido eu. Não vislumbro meio de ser granjeado com a sorte grande e tampouco ficar rico do dia para a noite. Meus clientes me aguardam e que Deus me ajude por mais um dia de ferrenha batalha, numa trincheira que há muito chamo de sacrário laboral. Amém.

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