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    08/03/2019 09h36 - Atualizado em 08/03/2019

    Sete Estrelas

    A AUDÁCIA VENCEU A INéRCIA E AS MENINAS VENCERAM OS PRECONCEITOS

    Marcio Nogueira
    Eram garotas que como muitas amavam os Beatles e os Rolling Stones. Um dia resolveram mostrar ao mundo o quanto gostavam de música e criaram um conjunto musical. Eram sete. Julia Isabel, Labib Assad, Maria Ângela Camargo, Marisa Andrade, Glauce Andrade, Neila Castriota e Sirlene Nogueira.
    A Julinha que muitos conhecem sua musicalidade era a pianista. Sirlene a baterista, Labib, no contrabaixo e cantora romântica, Neila, cantora, ritmista e dançarina, Glauce era a crooner do grupo, Maria Ângela e Marisa eram ritmistas. Todas eram vocalistas e embelezavam os bailes com a graciosidade de cada uma delas.
    No início dos anos sessenta o movimento feminista ainda não existia, ou se existia era insipiente. As francesas ainda não haviam queimado sutiãs em praça pública. Passos, apesar de sempre ter espírito progressista, ainda era uma cidade provinciana. Os pais levavam as filhas aos bailes do Passos Clube. Especialmente as moças tinham horário marcado de chegar em casa, geralmente às 21,30h. Os namoros tinham que ter a aprovação dos pais. 
    Os rapazes da cidade estavam se politizando. Nessa época, foram fundadas a UPES e a UEC. Elis Regina, Jair Rodrigues, Tom e Vinicius, entre outros bambas davam o tom da MPB. Ainda existiam as grandes orquestras e os grandes bailes nos clubes sociais. Toda cidade que se prezava tinha o seu clube.
    Era também o começo dos conjuntos musicais. O quarteto Mara, marcou época na cidade. Zé Negrinho dava seu recado. Miguel Aceves Mejia e Mazzaropi lotavam as sessões do Cine Roxi.  As matinês dançantes do Passos Clube eram o máximo do convívio social.
    Não é que nessa época as sete mocinhas resolveram inovar e criaram o Conjunto 7 Estrelas. Inspiradas em quem, eu não sei. Sei somente que foram audaciosas a ponto de serem censuradas por alguns e aplaudidas por outros. 
    O que pensar de sete meninas tocando na noite? Elas não se intimidaram e prosseguiram no projeto de se alegrarem com a música e alegrarem as pessoas para quem se apresentavam. Instrumentos adquiridos, muitos ensaios, seleção de repertorio.  A escolha do figurino foi das tarefas mais difíceis. Sete moças bonitas querendo ficar mais bonitas ainda. Finalmente tudo pronto e as coisas começaram a acontecer. Bailes no Passos Clube, Baile em Alfenas, Baile em Cassia, Baile Caipiras, Baile dos Estudantes. O sucesso chegou e elas se realizaram artisticamente. Onde se apresentavam eram recepcionadas com festas, alegria e carinho pelos diretores e sócios dos clubes.
    A audácia venceu a inercia e as meninas venceram os preconceitos. Não foi fácil essa conquista. Elas também ainda não estavam totalmente libertas. Pais e mães as acompanhavam de perto nas noites e nas viagens para outras cidades aonde iriam se apresentar.
    Uma pergunta fica no ar. Será que essas sete moças sabiam que estava iniciando um processo de liberação feminina? É provável que sim! É provável que não! Somente elas podem responder. Na minha visão eram feministas sem deixarem de serem femininas.  
    A lição que fica é que foram pioneiras. Nunca, até então, se ouvira falar em uma orquestra de mulheres, idealizada por mulheres, criada por mulheres e administrada por mulheres. Todas, exceto a Labib, estão ainda entre nós. Hoje são mães e avós amadas. 
    Mulher passense! Mulheres passenses! 
    Quanta visão de vida.
    Quanta dignidade. 
    Quanta competência. 
    Quanto desprendimento. 
    Quanto orgulho nos dá.
    Todas elas continuam sendo as mulheres passenses. Outras vieram e outras virão.

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