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    16/02/2019 09h10 - Atualizado em 16/02/2019

    Grandes tragédias, pobres soluções

    AS TRAGÉDIAS ESPORÁDICAS ESTÃO FICANDO PERMANENTES

    Esdras Azarias de Campos

    O Brasil vive a síndrome do ninguém é culpado até com prova limpa e caball! Tanto na política quanto nas tragédias. É um país de inocentes, porque ninguém é responsável por nada, uma pátria de coitados, onde ninguém sabe, ninguém viu e quem viu não tem certeza por isso não pode confirmar. Somente os delatores das altas corrupções é que conseguem afirmar o que não viram para obter condenações com penas leves ou prisões domiciliares. Além das tragédias tem a corrupção. Uai, corrupção também é tragédia e se não parece à primeira vista, provoca. Provoca tantas tragédias quanto as más administrações ou irresponsáveis gestões públicas e privadas. Estão aí ou por aí as tragédias hospitalares, escolares, a escalada da criminalidade, as crises sociais atoladas nas lamas da hipocrisia nacional. Têm situações que o cidadão comum e muito preocupado com suas ocupações e responsabilidades diárias não têm tempo de parar para pensar, ou raciocinar para perceber! Quer tragédia maior que os juros bancários que se cobram em simples empréstimos para compra de um simples eletrodoméstico? E os fabulosos impostos sobre impostos que pagamos diariamente e que sequer temos retorno ou contrapartida? Quer tragédia mais insana que os lucros bilionários dos bancos, justamente porque cobram juros altos e ainda jogam com o dinheiro lá depositado pela população e o usam para aplicar nos títulos da dívida pública, o que faz aumentar ainda mais a dívida do país! E a tragédia fica por conta de quem paga a dívida pública que somos nós o povão!” Éeeeh!oh,oh! Vida de gado, povo marcado, povo feliz!”
     Diz o ditado popular que “desgraça pouca é bobagem”, mas no Brasil não é bobagem não, é prática contumaz, é algo incrustado no inconsciente coletivo brasileiro. Muitos e importantes sociólogos e historiadores, assim como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, desenvolveram teses afirmativas de que o povo brasileiro é cordial, hospitaleiro, gentil, alegre e festeiro e por isto, durante muitas décadas do passado tais teses quase se confirmaram. Mas, no Brasil atual talvez dê para confirmar o item festeiro, que pode ser mudado para festivo, assim mesmo muito mais como fuga ou como forma de ludibriar a nossa mente para amenizar as contrariedades múltiplas e diárias das dificuldades de vida, que recaem sobre maior parte da população brasileira. E por isso mesmo, nas tragédias recentes as comoções populares estão cada vez mais se arrefecendo e perdendo força e tirando-nos a capacidade da indignação.
    Numa análise aleatória podemos classificar dois tipos de tragédias no Brasil. As tragédias permanentes e as tragédias esporádicas de comoções temporárias! As primeiras são duradouras, centenárias que de tão permanentes parecem fazer parte natural da sociedade brasileira e, portanto, ninguém mais se dá conta de que se tratam tragédias. E delas a mais profunda é a convivência ou conivência com a pobreza. Pobreza esta que tem origem lá no passado colonial e imperial e que foi repassada através dos séculos para a atualidade. A pobreza que além de jogar milhões de brasileiros na árdua e dura vida de sobrevivência, ainda mantém a herança maldita da mentalidade de que é natural existir a casa grande dos senhores e a senzala para os escravos. Que nos tempos atuais são representados pela opulência dos ricos e pelas casinhas dos bairros periféricos, pelos puxadinhos, pelas favelas, enfim pelos bairros sem saneamento básico e pelos salários da fome. Nada disso é mais visto como tragédias cotidianas. Já as tragédias esporádicas, aquelas que são impossíveis de serem escamoteadas pela mídia e pelas autoridades, até estas não estão mais causando comoções. E quando causam, são comoções temporárias, ou seja, que tem começo, meio e fim. Quem se lembra dos duzentos e dezenove jovens mortos na boate Kiss? E dos dezenove mortos (assassinatos) da tragédia provocada pela Samarco em Mariana? E mesmo as recentes tragédias a dos dez jovens flamenguista mortos no incêndio, a da Vale com 330 mortos (assassinados) em Brumadinho já estão caindo no lugar comum. Ou seja, comoção nos dez primeiros dias e depois a lenta e dolorosa providência porque nunca se completa, deixando as famílias das centenas de mortos e dos que perderam seus lares e bens de manutenção de sobrevivência ao deus dará ou quem sabe, proverá! E o irônico de tudo isso é que neste início de ano as tragédias esporádicas estão ficando permanentes e tirando o foco de outros graves problemas que se avolumam pelo país!
    Nota de pêsames: O ser humano pode ou deve ser avaliado pelo conjunto de suas qualidades e defeitos, seus acertos e erros. Para no final poder ser julgado pelo que preponderou em sua vida, se os erros e defeitos ou se as qualidades e os acertos. Pelo homem e profissional jornalista que foi podemos afirmar seguramente, que Ricardo Boechat teve bem mais qualidades e acertos e que homens assim fazem muita falta, num país tão carente de lucidez, quando se vão desta vida.
     

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