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    08/02/2019 06h12 - Atualizado em 08/02/2019

    Maurício no universo de Lobato

    Criador da Turma da Mônica, Mauricio de Sousa se aventura pelo universo de Monteiro Lobato em adaptação ?Narizinho Arrebitado?

    Mauricio de Sousa teve a chance, muitos anos atrás, de ilustrar os livros do escritor que despertou nele o gosto pela leitura. O convite veio da Brasiliense, editora de Monteiro Lobato (1882-1948) por quase toda a vida, que queria modernizar suas edições – as primeiras são dos anos 1920.
    “Não aceitei. Mexer no que eu tinha lido e adorado, que era uma coisa sagrada para mim, seria um sacrilégio. Não tive coragem de alterar a obra de Lobato – nem que fosse com um desenho bonitinho”, relembra hoje, aos 83 anos, um dos mais bem-sucedidos autores de obras para crianças do País.
    Mas o tempo passou, Mauricio ficou mais seguro e famoso e os herdeiros saíram de cena no começo do ano com a entrada da obra de Lobato em domínio público. E eis que encontramos o pai da Turma da Mônica em seu estúdio, em São Paulo, feliz da vida com o livro que tem em mãos: Narizinho Arrebitado. Abaixo do título, seu nome ao lado do nome de Lobato. “Isso não tem preço”, diz, e sorri.
    Narizinho Arrebitado foi o primeiro livro que Lobato escreveu para crianças, ainda no início dos anos 1920. É nele que o autor apresenta alguns dos personagens que povoariam a infância de gerações e gerações de brasileiros e que no livro que é lançado agora são representados nas ilustrações pela Turma da Mônica: Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, é a Magali; Emília, sua boneca de pano, é a Mônica. Tem ainda a Tia Nastácia e Dona Benta – Pedrinho e companhia só aparecerão em outro volume (há pelo menos mais um previsto).
    A editora Girassol optou por fazer uma adaptação do texto que, como escreveu José Vicente, reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, na orelha, “se preocupou em retirar os pontos negativos”. A tarefa ficou a cargo de Regina Zilberman, pesquisadora, historiadora de literatura infantil e leitora de Lobato desde a infância.
    “Buscamos dar um tom contemporâneo, trocando palavras que não são mais usadas porque saíram de moda ou porque tinham uma carga de preconceito”, conta Regina. E aqui ela não se refere apenas ao modo como os personagens tratam Tia Nastácia, mas também a questões de idade e de respeito ao próximo.
    “O interessante é que não foi preciso mexer na história. O texto é o mesmo. A integralidade dos conteúdos e da narrativa se manteve. Meu trabalho foi fazer esse ajuste para o contemporâneo. Se Lobato fosse racista ia ter que mexer mais profundamente, e não foi preciso”, diz.
    A pesquisadora lembra que o escritor teve seus momentos de muita circulação entre os anos 1920 e 1970, e então aumentou a produção de livro para crianças e “Lobato foi encolhendo”.
    Depois veio uma longa briga entre a Brasiliense e os herdeiros do autor, e suas edições ficaram desatualizadas, antigas. Há 11 anos, com a ida dessa obra para a Globo, o leitor brasileiro se reencontrou com o criador do Sítio do Picapau Amarelo.
    “Agora, em domínio público, ele vai retomar a sua pujança. Vamos ter ofertas de todos os matizes: baratas, caras, longas, curtas, coloridas, em preto e branco, de todo jeito. E vai ter também um revival em outros suportes, como cinema, televisão, HQ”, avalia.
    E o que Lobato pode mostrar para essa nossa geração de leitores? “Há coisas muito importantes nele, que são muito atuais e oportunas. Um exemplo: essa presença marcante das mulheres, um protagonismo feminino, na sua obra para crianças. E também a autonomia da criança. Ela tem noção de que pode ser ativa, tomar decisões, arcar com as decisões que ela toma – e isso, ainda hoje, é muito inovador.”
    Indagado sobre a primeira lembrança de um livro do Lobato, Maurício revela: “Caçadas de Pedrinho. Depois fui lendo aleatoriamente, tudo. Meu pai lia Lobato e me introduziu. Virei um leitor compulsivo e isso me ajudou muito em tudo o mais que eu fiz na vida. E Lobato me empurrou para diversos assuntos que depois que eu lia eu mergulhava mais fundo para aprender mais”.
    O criador da Turma da Mônica confessa que o seu personagem preferido é a Emília, pela molecagem e irreverência. Ele reconhece que edição não tocou em questões que poderiam ser polêmicas, pois decidiu que o melhor seria fazer um texto limpo das dúvidas que podiam ser levantadas.
    Diante o questionamento se, tirando essas questões ou não contextualizando pode parecer que elas não existiam, Maurício explica: “Mas aí entramos numa armadilha. Se coloca o livro como era, você, de algum modo, ressuscita o ambiente e assuntos que já morreram talvez por conta das conquistas sociais. A sociedade já não aceita muita coisa há muito tempo. E a gente escolhe: vou trazer de novo coisas que a gente sabe que a sociedade se negou a trazer para cá? Não, vamos acompanhar a evolução dos hábitos. Às vezes é demorado. No caso do racismo, está demorando muito para acertarmos alguns pontos. Cada vez que fazemos um trabalho como esse, quando damos uma transformada, uma cortada e deixamos para o esquecimento algum tipo de postura, estamos colaborando para melhorarmos um pouquinho a situação social”, afirma.

    NARIZINHO ARREBITADO Autores: Monteiro
    Lobato, Mauricio de Sousa e Regina Zilberman.
    Editora: Girassol (64 págs.; R$ 34,90 

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