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    25/01/2019 07h19 - Atualizado em 25/01/2019

    Formato reality show chega às finanças

    Pelo YouTube, canais se propõem a tirar um endividado do sufoco ou desafiam operadores a maximizar lucros em ações na bolsa, unindo educação financeira e entretenimento

    Anna Carolina Papp - Especial para a Folha

    Começou ontem a segunda temporada de mais um reality show - aquele formato de programa “vida real” que conquistou telespectadores de todo o mundo. A tela, porém, agora é o celular, e não mais a televisão. E a reforma não é em uma casa caindo aos pedaços ou com decoração cafona, mas sim na vida financeira de uma pessoa. Para além de culinária, arquitetura e moda, os reality shows agora chegaram ao mundo dos investimentos. Pelo YouTube, canais se propõem a tirar um endividado do sufoco ou desafiam operadores a maximizar lucros nas operações em Bolsa, unindo educação financeira e entretenimento.
    A estreia do modelo ocorreu em dezembro de 2018 no canal Me Poupe!, da youtuber Nathalia Arcuri, com quase 3 milhões de inscritos. A primeira temporada do programa, que recebeu 980 inscrições, acompanhou durante quatro semanas a professora da rede estadual Bruna Vieira, com uma dívida de R$ 70 mil - que ela julgava ser de R$ 30 mil. A proposta era, durante esse período, montar um plano de ação para o pagamento da dívida, ajudá-la a conseguir renda extra e transformá-la em uma investidora.
    Nesse projeto, Nathalia teve quatro patrocinadores: Modalmais, 99, Udemy e Serasa Experian. O investimento na produção das duas primeiras temporadas - serão dois episódios sobre cada personagem - foi de R$ 500 mil. “Foram 40 pessoas envolvidas na produção”, conta Nathalia.
    A ideia do programa vem de longa data. “Sempre gostei muito desse formato, como os programas de reforma. Por isso, em 2012, tive a ideia de utilizá-lo para transformar a vida financeira das pessoas”, diz. Ela apresentou a ideia para a TV Record, onde trabalhava à época como jornalista. “Sugeri, mas deram para outra pessoa fazer. Chegaram a gravar um piloto, mas o programa nunca foi ao ar.”
    Frustrada pela dificuldade de emplacar seu projeto e de incluir a educação financeira em suas pautas, ela criou um blog como escape. Em 2015, quando o site já tinha 15 mil acessos mensais, ela resolveu pedir demissão da emissora e encarar o YouTube. Hoje, o Me Poupe! já tem uma equipe de 13 pessoas.
    A nova temporada do reality buscou um exemplo diferente. “Ao contrário da Bruna, que tinha um descontrole com cartões, a próxima personagem é uma autônoma que nunca teve acesso ao crédito, mas tem dívidas com praticamente todos os parentes”, diz Nathalia. “Fico feliz de abrir caminho para esse tipo de conteúdo, ensinando as pessoas que investir não é uma questão de dinheiro, mas sim de comportamento.”
    Competição
    No mesmo caminho, a Ativa Corretora vai estrear em 4 de fevereiro um reality sobre dinheiro, mas com uma proposta bem diferente: uma competição entre os chamados traders, que operam na Bolsa.
    “Já publicávamos conteúdo em nosso canal no YouTube, mas queríamos fazer algo inovador e que transmitisse a emoção do mercado financeiro”, conta a sócia Rebeca Nevares, que será a apresentadora do reality, com duração de uma semana.
    Cada programa terá 30 minutos, que vai condensar as oito horas de pregão. Para dar “cara” de reality ao projeto, batizado de Money Master, a corretora contratou Anderson Correa, assistente de direção do Big Brother Brasil 2018, da Globo.
    No programa, que teve 300 inscrições, seis duplas receberão R$ 50 mil para operar, comprando e vendendo ações com base em desafios da corretora. A cada dia, uma dupla será eliminada. Os vencedores serão os que tiverem o maior lucro ao fim da semana.
    “Cada dupla terá um trader e um estudante das áreas de engenharia, economia e administração”, diz Rebeca. “A ideia é atrair não só quem tem experiência, mas quem gostaria de começar “
    Além do lucro de suas operações, o vencedor ganhará uma viagem a Nova York e um ano do pacote de corretagem. Já o ajudante ganhará um estágio na Ativa. A corretora não revelou o valor do investimento no programa.
     

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