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    15/01/2019 07h18 - Atualizado em 15/01/2019

    Park City: a maior estação de esqui

    Nos resorts de esqui e snowboard da cosmopolita Park City, EM Utah ? e também as opções de diversão para quem só quer curtir a paisagem, a boa gastronomia e a badalação da temporada de inverno

    Mônica Nobrega - Especial para a Folha

    Estávamos parados em silêncio num topo de montanha – éramos dois turistas e um guia – tomados de encanto pela beleza dourada do sol que se punha. Ao mesmo tempo, a lua se erguia no céu. De repente, a poucos metros de nós, surgiram dois alces adultos e um filhote, que passaram a se alimentar nas árvores. “Eu poderia ficar horas aqui”, disse Walter, o guia, justamente quem deveria estar acostumado à cena. “É um raro privilégio, não é tão fácil ver alces.”
    O celular indicava temperatura de 8 graus negativos. E foi só por causa do frio cada vez mais intenso que ligamos os motores das nossas motos de neve para pegar o caminho de volta entre as montanhas de Park City, no Estado americano de Utah.

    Urbana e cosmopolita
    Apesar daquele flagrante da vida selvagem durante o tour na moto de neve – o snowmobiling –, Park City é um destino de inverno urbano e cosmopolita. Tem menos de 10 mil habitantes, mas está a apenas 50 quilômetros da capital de Utah, Salt Lake City, onde fica o aeroporto. Atrai celebridades como Justin Bieber, Will Smith e Michael Jordan, felizes proprietários de casas de luxo na cidadezinha.
    A variada e refinada oferta gastronômica se concentra principalmente no centrinho, em torno da Main Street, onde até o grafiteiro Banksy dá uma canja: há uma obra em uma parede, protegida por vidro – um vidro rachado pelo frio, registre-se.
    Park City recebe, todos os anos em janeiro, um dos festivais de cinema mais importantes dos Estados Unidos, Sundance, criado em 1978 pelo diretor e ator Robert Redford. O festival, este ano de 24 de janeiro a 3 de fevereiro, chega a levar 45 mil pessoas a Park City durante os dez dias de exibições e festas.
    Esportistas das modalidades de inverno também são frequentadores da cidade, tanto por causa da celebrada boa qualidade da neve quanto pelo Parque Olímpico. O Utah Olympic Park, depois de receber a Olimpíada de Inverno de 2002, foi transformado em complexo de lazer e treinamento. É impressionante observar, do topo e da base, a plataforma de saltos do ski jumping (o tour guiado de 1 hora custa US$ 12).
    Turistas também podem descer em boias no tubing (US$ 25 por pessoa), deslizar em alta velocidade nos trenós do bobsled (US$ 175 por pessoa) e ver artefatos e histórias da Olimpíada de Inverno de 2002 no museu da Fundação Utah Legado Olímpico.
    Nas montanhas
    A temporada de inverno em Park City começou em novembro e vai até a primeira semana de abril. Desde 2014, quando foi comprada pelo grupo Vail Resorts, Park City Mountain virou o maior resort de inverno dos Estados Unidos, unida a Canyons, que já pertencia ao grupo: são mais de 330 pistas e 41 meios de elevação.
    Deer Valley é o outro resort de inverno na cidade. Várias vezes eleito como o melhor dos EUA, é mais exclusivo e elegante, limita o número de visitantes diários a um máximo de 9 mil e não recebe snowboarders, apenas esquiadores. São cerca de 100 pistas e 21 meios de elevação.
    Quatro bases de montanhas hospedam os turistas em Park City. Deer Valley tem opções no núcleo Silver Lake e em volta da recepção principal, o Snow Park Lodge. O cinco-estrelas St. Regis fica aqui, acessado por um funicular. Park City tem a Canyons Village e a Park City Village, onde fiquei hospedada no The Lowell, um prédio de apartamentos de temporada – condos, como dizem os americanos – com diárias de US$ 450 a US$ 1.000, a poucos passos das pistas. Os condos são um tipo de hospedagem comum na cidade. Muitos contam com facilidades como recepção, limpeza diária e academia no prédio. Na Main Street, há uma opção com rooftop panorâmico, da Park City Lodging.
    Só não garanto que você conseguirá ficar parado ao ar livre por muito tempo, como constatei no passeio de snowmobile da North Forty Escpaes (desde US$ 130). Ao fim do tour, embora vestindo as roupas certas, sentia as extremidades dos pés e mãos congelarem.
    Tive a mesma sensação durante as subidas à montanha nos teleféricos de cadeira aberta. O inverno de Park City tem temperatura média de 10 graus negativos e é preciso enfrentar isso para ter o prazer de esquiar, snowboardear ou mesmo dar a sorte de ver alces em seu ambiente natural. Recompensas pedem algum esforço, afinal. No pain, no gain, como se diz.

    Para ir a Park City
    Aéreo: as companhias americanas que operam no Brasil levam a Salt Lake City – American Airlines, Delta e United. Sempre com conexão – demorei 16 horas na ida, via Los Angeles, e 15 na volta, via Dallas.

    Quanto custa: o passe diário custa no mínimo US$ 139 na Park City Mountain e US$ 157 em Deer Valley. 

     

    Uma cidade, dois resorts

    Foto: Reproduo
    Foto: Reprodução
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
     
    Teleférico PayDay em dia de nevasca na Park City Mountain
     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Quando disse que não há ganho sem sacrifícios, o tal do no pain, no gain, me referia não apenas ao frio, mas também a todo o equipamento de esqui. Botas, bastões, capacete, óculos e esquis compõem um kit pesado e desajeitado. Um incômodo que Park City ameniza com o serviço dos “mordomos de esqui”.
    Em horário agendado, no dia da nossa chegada, recebemos na sala do apartamento os tais mordomos, que traziam botas e os outros equipamentos, tudo baseado nas informações que havíamos passado previamente, como peso, altura e número de calçado. O kit da Ski Butlers para iniciantes custa a partir de US$ 160 por dia, e cerca de US$ 520 para uma semana. Há o mesmo serviço para snowboarders. Os preços incluem entrega e retirada na hospedagem.
    Não sou mais uma completa iniciante, mas também não cheguei ao nível intermediário. Em Park City desci duas vezes uma pista de 3.500 metros, fazendo curvinhas à esquerda e à direita para controlar a velocidade, e com baixo índice de tombos: nenhum na primeira descida, três na segunda (nesse caso, ainda deu para culpar o cansaço!).
    Com altitude média de 2.100 metros na base das montanhas, Park City não provoca nenhum grande mal de altitude. Os passes diários para adultos custam a partir de US$ 157 em Deer Valley e de US$ 139 em Park City Mountain.

    Deer Valley
    O instrutor Gianni Dervissoglou, argentino de Bariloche, recebeu meu grupo num portunhol confortável. Há muitos instrutores com esse mesmo perfil em Park City, o que facilita a vida de brasileiros que não entendem inglês.
    A maioria dos novatos passa a primeira meia hora achando que nunca conseguirá. Acontece com quase todo mundo; sugiro fortemente que você resista à sensação de desconforto desse primeiro contato, agravado pelo aperto das botas. Ali pela metade da segunda hora de aula você já estará deslizando um pouquinho – uns 5 metros –, ou bastante: um trecho de até 50 metros, se a empolgação e a coragem baterem fortes.
    Deer Valley não recebe snowboarders. É um resort exclusivo para esquiadores, um dos três neste formato que existem nos Estados Unidos. Reparei que isso faz subir a média de idade do público frequentador, mas também garante uma bem-vinda tranquilidade para descer as pistas admirando a vista da cidade e a moldura da vegetação nativa, formada sobretudo por altas árvores coníferas.
    Peguei o teleférico expresso Silver Lake para visitar a outra base de Deer Valley – também acessível de carro e pelos ônibus gratuitos que circulam o dia inteiro em toda a cidade, em média a cada 20 minutos, em rotas circulares que incluem todos os pontos de interesse para turistas. É uma área de condos e hotéis de luxo, como o Stein Eriksen Lodge, cinco-estrelas que já foi escolhido por publicações especializadas como o melhor hotel de esqui do mundo.
    Stein Eriksen, cujo nome faz homenagem ao esquiador norueguês homônimo, medalhista olímpico, tem um spa concorrido, onde a massagem “da casa” consiste em focar os movimentos nos pontos onde o corpo do turista mais dói depois de horas de esqui. É o hotel mais ski-in/ski-out da cidade, com neve literalmente na porta.
    Park City Mountain
    Outra argentina de Bariloche, Josefina Romero, nos esperava para as aulas na Park City Mountain. O dia era de nevasca forte, frio ainda mais intenso – chegou a 15 graus negativos no alto da montanha – e, dessa vez, as lições já não eram tão básicas.
    A área da escola de esqui junto à base Park City Village é bem grande, mais gostosa de aprender. O público é mais numeroso e jovem, incluindo snowboarders. O resort também é o mais conectado ao centrinho da cidade, com o teleférico Town partindo da Main Street e pistas (de nível difícil) que terminam na avenida principal. Para quem não pratica esportes de neve, Park City tem a gôndola Quicksilver para um passeio panorâmico que une montanhas: vai até Canyons.
    Animadíssima, Josefina logo nos ensinou a fazer curvas fechadas como forma de controlar a velocidade e frear os esquis de um jeito que o “formato da pizza” não consegue. Logo pudemos embarcar no teleférico PayDay para começar o grande desafio: os três quilômetros e meio da pista Bonanza, que é, sim, para iniciantes, mas tem algumas curvas e desníveis desafiadores.

    Nada impossível
    Tanto que, depois de uma pausa para almoço no ótimo The Farm, na base Canyons Village – pedi batata doce recheada com chilli de bisão, cheddar defumado e bacon, uma bomba que você pode chamar de caloria, mas eu estava chamando de energia –, voltamos, na companhia de Josefina, para a mesma Bonanza. E a descemos mais uma vez, como despedida das deliciosas pistas de Park City.

    Park City também é boa de brinde e comida
    Tem cerveja, gim, uísque, tudo de fabricação local. É preciso agendar a Gin Experience da Alpine Distilling. Em um bonito salão na Main Street, turistas preparam o seu próprio gim, escolhendo ingredientes que serão destilados em um laboratório envidraçado à frente de todos, enquanto ouvem explicações sobre a história de bebida e seu preparo, provam o jantar em quatro passos e drinques feitos com os destilados da Alpine. A experiência, sob efeito do alto teor etílico, vai ficando mais e mais divertida à medida que a noite avança. Custa US$ 400 para duas pessoas. No fim, você sai de lá com uma garrafa do gim que você mesmo criou.
    Um passeio que mescla comida e a história de Park City, ligada à mineração, é oferecido pela Park City Food Tours (volta a operar em fevereiro). São quatro restaurantes, incluindo o brasileiro The Bridge Café & Grill, que serve coxinha; o Riverhorse on Main, mais bonito e mais gostoso restaurante que provei em Park City (aposte no atum selado) e a cervejaria local Wasatch Brewery, onde experimentei uma cerveja de jalapeño. Sim, jalapeño. Combinou com o petisco de camarão empanado, mas acho que combinaria com pouca coisa além disso.
     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

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