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    12/01/2019 08h16 - Atualizado em 12/01/2019

    E quem não treme?

    Adelmo Soares Leonel
    Cresceu como e continua Tuta. Mesmo que haja um doutor na frente ou a importância na comunidade como médico, empresário, fazendeiro e vetor político, apesar do José, do Orlando e do Pereira, é o Tuta. Importado do Jacui, onde, de calças curtas, fez estripolias até os onze anos na cidade e no Laranjal, rondando a máquina de beneficiar café do sô Orlando e com a estranha mania de pintar carneirinhos e o cachorro Peri de azul, vermelho, cor de rosa, com tinta extraida de papel crepon comprado lá no Helinho da Tita ou no Tunico.
    O bigode escovão sob o nariz árabe, os dentes na teimosia de se mostrar, testa em crescente recuo, alto, moreno, em qualquer roda de prosa, o Tuta realça o humor espocando um baú de piadas ou contando casos divertidos se transformando num instantinho no centro das atenções e risadas. Tem tiradas engraçadíssimas assim de sopetão, no improviso do assunto, ainda mais quando beira sua especialidade que embute um certo tipo de exame que detona o exclusivismo de funções de um tal furo anatômico dos machões mineiros.
    - Não adianta protelar o exame. Tem pacientes que o toque retal deve ser realizado no susto do momento, sem maiores explicações ou convencimento ou não se faz. Para o bem deles, sem essa de marcar uma próxima consulta num outro dia.
    Geralmente, as pessoas precisantes do exame e que o refugam, carecem de mais confiança no taco da própria macheza, de gostar em demasia e pender definitivamente às alegrias do desbunde. Quem é macho o encara com naturalidade, prospecção de rotina, prevenção, manutenção da saúde, todavia a ala enrustida morre de medo de soltar a franga. E como diz um que já soltou a penosa: “São uns infelizes. Não sabem o que estão perdendo!!!”
    Existem outros especialistas da área de competência comprovada mas o carisma do dedo médio do Tuta povoa as lendas dos botecos, barbearias, campos de futebol e saunas onde se reune a homaiada da cidade e região.
    Contam que um senhor respeitável da sociedade não conseguia esconder a nervosia pré-dedo ao ser colocado em posição para o exame. Suava, se remexia e à sugestão de se relaxar, finalmente admitiu: 
    -”Se o estupro é iminente, há razão realmente do relaxamento e do melhor aproveitamento da situação!” Em palavras outras...
    Circula por aí um causo do fulano com tendências de aposentar a cueca em troca de uma lingerie rendada que reclamou da situação:
    -”Mas assim, doutor? No sêco? Sem pintar um clima? Quem sabe uma dosinha de uisque e um beijinho na bôca?”
    Seria invenção das más línguas que muitos clientes, após passar pelo crivo da primeira dedada, insistem, contumazes, na marcação de consultas semanais mesmo sem nenhuma necessidade? Verdade é que os contadores destas lorotas as contam sempre com outros personagens, jamais na primeira pessoa, escondendo leite!
    Saindo do procto e voltando à vaca fria.
    Inquirido sobre o motivo pelo qual não cobrara a consulta de determinado indivíduo, conhecido nos ministérios das praças, esclareceu:
    - Acontece que o fulano, fama de caloteiro, assíduo de carteirinha no SPC, alegou estar sem nenhuma folha de cheque no bolso. Golpe manjado. Se ele me devesse, eu iria ficar com raiva se a gente topasse e me inventasse uma desculpa por não ter pago. Ou ficar escondendo a cara, mudando de passeio, fingindo que não me via, saindo de fininho. Prefiro o prejuizo ao constrangimento!
    Essas coisas de cirurgia não escolhem hora e foi assim o Tuta requisitado ao bloco cirúrgico da Santa Casa numa emergência urológica altas horas da noite, permanecendo no ato um longo tempo. Quando o encerrou, de madrugada, resolveu ir até o consultório (em outra ala do hospital) buscar um cigarrinho ainda com aquelas desengonçadas roupas de cirurgião, sempre acima do tamanho, gorro marmota também, protetores de pano para os pés. Corredores solitários, nada e ninguém, metade de luzes apagadas, silêncio de tumba. Nosso personagem vinha calmamente, passos cansados se arrastando nos pés de pano, braços pendidos meio entorpecidos pela longa cirurgia quando, em sentido contrário, uma senhora, provável acompanhante de internado, apertou o terço ostensivo e, ao cruzarem-se, murmurou:
    - O senhor não tem medo de andar por aí estas horas?
    Sem parar, cavernando a voz que ecoou no silêncio, respondeu o Tuta:
    - Eu tinha... quando era vivo!!!
    E desapareceu numa dobra do corredor antes que a paralisada mulher saisse do torpor do susto. No que ela conseguiu virar o pescoço nada mais viu senão as sombras aterrorizantes da noite. Em seguida, bateu o recorde dos cem metros rasos
    Resultado: durante muito tempo aventou-se no lendário do povo de uma assombração, feia como o capeta,  enrolada que nem múmia, boca coberta por imensas taturanas, que se arrastava nas madrugadas do hospital. De fato, a contadora (“juro por esses olhos que a terra há de comer!”) pode até ter errado na origem do macabro mas há quem concorde que acertou em cheio na descrição do bicho!!!

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