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    07/01/2019 09h16 - Atualizado em 07/01/2019

    Marcelo Carmessano

    "Superação é palavra de ordem"

    Adriana Dias - Da Redação

    Superação no dicionário é substantivo feminino, a ação de superar, de ultrapassar uma situação desagradável, perigosa. Para o ribeirão-pretano residente em São Sebastião do Paraíso Marcelo Carmessano, que completou 46 anos no dia 17 de dezembro, os motivos são sempre para comemoração e superação. Há dez anos, ele sofreu um acidente ao pular de um píer num rancho. E, ao bater a cabeça no fundo do rio, quebrou a quinta vértebra da coluna cervical. Mas ele encontrou na canoagem a força para continuar e hoje é um dos melhores do Brasil em paracanoagem. A vida de Marcelo Carmessano mudou de um batalhador vendedor de laticínios para um atleta que atualmente tem os títulos de quatro vezes Campeão Mineiro de Paracanoagem, três vezes Campeão Brasileiro de Paracanoagem e tri-campeão da Copa Brasil de Paracanoagem. Graduado em Ciências Contábeis em 2003, ele se tornou um atleta paralímpico de canoagem em 2013. A história de Marcelo tem servido de inspiração e mostra superação. Em outubro de 2008, o ribeirão-pretano, que escolheu São Sebastião do Paraíso para morar, sofreu um acidente (mergulho em águas rasas), onde fraturou as 4ª e a 5ª vértebras da coluna cervical que o deixou tetraplégico, perdendo todos os movimentos do pescoço para baixo. Foram sete dias de Unidade de Terapia Intensiva (U.T.I.) e, ao todo, foram 56 dias internado. A partir dessa situação, ele começou uma luta muito grande para se manter bem psicologicamente e fisicamente e, lá mesmo no hospital, deu início à fisioterapia e ao acompanhamento psicológico. Depois de longos sete meses, já em 2009, conseguiu a tão esperada vaga na Rede de Hospitais Sarah Kubitscheck, onde começou um processo de recuperação e reabilitação e reaprendeu a reconhecer os novos sinais que seu corpo dá após um acidente com LM-Lesão Medular e teve seu primeiro contato com os esportes adaptados como forma de reabilitação. Para falar sobre esta nova vida, o Entre Prosas conversou com Carmessano, que, com 1,82 metro e 75 quilos a bordo de sua cadeira de rodas adaptada, percorre trechos de até 25 quilômetros.

    Folha da Manhã - Como a paracanoagem surgiu na sua vida?

    Marcelo - Surgiu como forma de reabilitação pós-acidente em uma de minhas internações na Rede Sarah de Reabilitação em Brasília (DF). Lá também conheci outros esportes adaptados como: tênis, tênis de mesa, basquete, rugby em cadeira de rodas, bocha, natação, corrida em cadeira de rodas, vela e canoagem, que foi o esporte com que mais me identifiquei.

    FM - Mas por que a paracanoagem?

    Marcelo - Porque a sensação que tive ao entrar no caiaque foi de liberdade e de estar em igualdade com qualquer outra pessoa sem nenhuma deficiência e, apesar do meu acidente ter sido na água, isso não me intimidou nem um pouco, pelo contrário, isso me deu mais força para superar mais esse obstáculo. Procurei saber mais sobre esse esporte, mas não encontrei nada para o meu nível de lesão. Somente em 2011, em mais um retorno, conheci o já campeão Fernando Fernandes, que me deu todas as dicas que eu precisava para adquirir um caiaque adaptado, mais estável e que se adequasse ao meu nível de lesão.
    FM - No início, quais foram as maiores dificuldades?

    Marcelo - No começo, as dificuldades foram enormes, por conta das adaptações de banco para melhor equilíbrio, luvas para prender as mãos no remo, faixas abdominais e faixas para prender a pernas. Mas como fui um dos pioneiros na “tetranoagem”, foi tudo com tentativa de erro e acerto e, até hoje, quando testamos alguma adaptação, encontramos dificuldades. Depois de tudo adaptado, em 2013 participei do meu primeiro campeonato e foi logo o mais difícil, o Campeonato Brasileiro de Canoagem Velocidade e Paracanoagem, uma competição nacional que junta anualmente mais de 800 atletas de todo o Brasil.

    FM - Como as pessoas à sua volta (família e amigos) o incentivaram?

    Marcelo - Sempre fui uma pessoa pra cima e nunca desisti de nada e em nenhum momento me deixei abater, e, logo depois do acidente, quando eu mais precisava de um apoio, os que se diziam “amigos” sumiram, mas sempre contei com um apoio muito grande da família e, é claro, dos novos amigos que encontrei.
    FM - Na sua opinião, quais são os caminhos que pessoas com alguma dificuldade física devem seguir para começar um esporte?

    Marcelo - Acredito que primeiro tem que partir da própria pessoa em procurar uma prática esportista, depois procurar bons profissionais e um esporte que goste e, devagar, se adaptar ao esporte. E também é muito importante o apoio dos amigos e da família para manter-se motivado.

    FM - Além da saúde, quais são as vantagens que o esporte oferece aos paratletas?

    Marcelo - Não só aos paratletas, mas, além de ser uma coisa prazerosa, traz vários benefícios à saúde, melhora a autoestima, diminui peso, aumenta resistência muscular, alivia o estresse, ansiedade e, além disso, quem pratica esporte é mais feliz.

    FM - Qual é a sua rotina de treino? Onde treina, quantas vezes por semana, quem é seu coach?

    Marcelo - Faço meus treinos em uma lagoa municipal, lagos, represas vizinhas e em piscina, juntamente como os treinadores Vinícius Carnio Moherdaui e Regis Campos Couto Jr. Treino quatro vezes por semana em água, para resistência, equilíbrio e força. Treino três vezes por semana em academia, para o fortalecimento muscular, e faço uma vez por semana natação, onde busco o fortalecimento abdominal, lombar, equilíbrio, força e apneia, sendo que esse treino é muito importante, caso eu vire o caiaque e fique preso embaixo dele na água.

    FM - Quais foram as provas de maior destaque que disputou até hoje?

    Marcelo - Participei de campeonatos nacionais importantes como: Copa Brasil e Campeonato Brasileiro, mas o maior destaque foi ter participado de uma competição internacional em 2015, conquistando o 3º Lugar no Campeonato Sulamericano de Paracanoagem. Fui tetracampeão mineiro de paracanoagem nos anos de 2014, 2015 e 2017. Ganhei o bi-campeonato da Copa Brasil de Paracanoagem em 2016 e 2017 e fui bi-campeão do Brasileiro de Paracanoagem em 2016 e 2017.

    FM - É verdade que vai disputar as Paralimpíadas do Rio? Conte como tudo aconteceu.

    Marcelo - A paracanoagem vem crescendo muito desde 2010 e, com isso, conquistamos o direito de estar nas Paralimpíadas Rio 2016, mas como minha categoria foi oficializada este ano, infelizmente não estarei nos jogos paralímpicos, por quê? A classificação funcional é feita da seguinte forma e dividida por classes ou categorias como exemplo LTA ou KL3, onde o atleta utiliza os braços, tronco e pernas para auxiliar a remada. TA ou KL2, onde o atleta utiliza os braços e tronco para auxiliar a remada. A ou KL1, onde o atleta utiliza somente braços na remada. Como não havia classificação funcional para o meu nível de lesão e temos força preferencial nos ombros, mesmo assim, fomos classificados como A ou KL1, e estamos competindo assim desde 2013, mas sem chance de vitórias. Por isso, lutamos para que fosse refeita nossa classificação e que nossa categoria fosse dividida em duas classes e ficou assim: KLT1 e KLT2 ( Kayak Level Tetraplégicos 1 e 2); como foi oficializada este ano, não teve índice para campeonato mundial e nem parâmetros para os Jogos Paralímpicos 2016, infelizmente.

    FM - A palavra superação significa o que para você?

    Marcelo - A própria palavra já diz: tem que ser super e agir para superar todos os obstáculos. Todos os dias você tem que ter uma super ação – de se inspirar; super ação – de se motivar; e super ação – de se superar. Superação é isso. Inspire-se, motive-se, supere-se!

    FM - Quais são os planos para o futuro? No esporte, na família, carreira.

    Marcelo - Tenho planos em breve de criar uma Escolinha de Canoagem com apoio governamental e privado, para atender a crianças, jovens com algum tipo de deficiência física ou cognitiva e estender às pessoas da terceira idade como forma de prática esportiva. Como é um projeto grande, demanda muita cautela na captação e divisão dos recursos. Quanto à minha carreira no esporte, pretendo continuar e melhorar a cada dia e, em breve, com a oficialização internacional da categoria, subir no lugar mais alto do pódio e continuar trabalhando e, quem sabe, participar do sonho paralímpico em 2020.

    FM - Como é o apoio da sua família?

    Marcelo – É total. Sempre tive apoio da família e tudo, é claro que não foi uma decisão fácil pelo acidente ter acontecido na água, e voltar pra água dentro de um caiaque causou um pouco de receio em todos, mas deu tudo certo.
    FM - De que maneira, além do patrocínio, a Unimed contribuiu com a sua vida?

    Marcelo - Além desse importante patrocínio, a Unimed é importante para o melhor desempenho da pessoa e também do atleta Marcelo Carmessano. Eles me cedem sessões de fisioterapia, com isso, ganhei mais equilíbrio de tronco, podendo colocar mais força nas remadas, ganhando segundos importantes e trazendo títulos para a parceria, nossa cidade e todo o Estado de Minas Gerais.

    FM - Quais são suas metas para 2019?

    Marcelo - Continuar treinando e conquistando os principais títulos nacionais. Ainda em 2019, estou aguardando a oficialização da categoria, internacionalmente, para que, a partir de março, eu consiga participar das etapas do Mundial e garantir uma possível vaga nas Paralimpíadas em Tóquio, em 2020.

    FM - Onde treina diariamente?

    Marcelo - Faço meus treinos três vezes por semana na Lagoinha Municipal e aos fins de semana. Treino força e resistência e treino explosão e velocidade.

    FM - O que tem a dizer para pessoas que estão passando por problemas como o que você passou?

    Marcelo - É difícil você opinar, porque cada um sente uma dificuldade diferente, mas procurem algo em que se inspirar, se motivar, seja no esporte ou escrever um livro, tente se ocupar ao máximo, não deixe a opinião dos outros te frustrar, planeje, sorria, passeie, viaje, supere-se a cada momento todos os dias e seja feliz.

    FM - Você tinha centenas de esportes para escolher, escolheu justamente um que é na água, isso é como se fosse para trabalhar um possível trauma?

    Marcelo - Na verdade, eu pratiquei outros esportes antes como tênis, tênis de mesa, natação, rugby, mas, quando sentei no caiaque pela primeira vez, eu senti uma sensação de liberdade enorme e de estar em igualdade com qualquer outra pessoa, aí foi só me adaptar e estou até hoje.

    FM - Você hoje só não anda? É isso? Os movimentos dos braços você tem?

    Marcelo - Não, eu sou tetraplégico, ou seja, perdi movimentos de quatro membros, o que caracteriza tetraplegia. Não tenho movimentos nas pernas e nas mãos. Consegui recuperar parcialmente os movimentos dos braços e ombros. Para quem quiser ver mais sobre minha história e saber quais são os obstáculos e dificuldades presentes na vida de todos e não só para as pessoas com algum tipo deficiência veja em Facebook : https://www.facebook.com/marcelo.carmessano ou na Fanpage: https://www.facebook.com/MarceloCarmessanoParacanoagem/ e no Instagram: @mcarmessano. 

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