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    07/01/2019 08h43 - Atualizado em 07/01/2019

    Simplesmente Maria

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO - Especial para a Folha

     Ajeito-me solenemente na poltrona para conversar com Maria. Cuidadosamente, ela recosta-se no sofá da sala. Comedida nas palavras, mais ouve que fala. É atenta. Parece avaliar cada fragmento da conversa a ser iniciada num ambiente sóbrio e aconchegante.
    Maria Rosa, ou simplesmente Maria, é uma criatura especial. Dessas que não se encontram fácil por aí. Passa por momentos difíceis. Na compreensão humana, julga-se às vezes sem condições de seguir adiante. Mas não se deixa abater. Sempre dá um jeito de se recompor. E bota fé, esperança e amor no cantinho do seu coração.
    Um dia Maria chorou. Como havia feito outras vezes. Era diferente, no entanto. Sentiu-se inerme, sem forças. Faltara-lhe chão. Como amigo e interlocutor, não sabia o que dizer e fazer. Na banalidade do apoio moral, pensei no tamanho do Deus que é infinitamente maior do que qualquer problema. O seu, por exemplo. Mas, se ela estava com vontade de ficar triste, que mal há nisso? Que ficasse. E se estava com vontade de verter lágrimas, por que não fazê-lo? Pelos hormônios do choro! Chorar faz bem. Só não chora quem não tem sentimentos. Eu sabia, era por pouco tempo.
    Maria não se desespera e nem grita por socorro. Assim como as aves cantam, as águas passam por debaixo de pontes, logo o sol da alegria voltaria a reinar em seu rosto bonito e expressivo. Quanto bonita e expressiva é a sua vida. Toda devotada a orações e casos de acasos que vêm e vão. Uma mulher direcionada para o bem. Por isso sua casa mais parece uma romaria de boas, puras e preciosas amizades.
    Chego a pensar que Maria é uma estrela. Um corpo celeste de plumas que gera energia. Energia positiva. Só mesmo quem possui uma força cuja massa é de natureza descomunal pode explicar o milagre de tão honrosa vida que a nós é emprestada, cedida, com direito a fazer ou não fazer. E Maria nos faz pensar e refletir. Parece personificar Fernando Pessoa, mesmo quando passa além da dor: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.
    Como que caminhando em meio a astros no espaço sideral, Maria tem a faculdade superior de fazer-nos reféns do brilho amigo, sincero, virtuoso.
    Suas atitudes sugerem algo lúdico. Entre gangorras de altos e baixos, brinca com os segmentos de um pátio existencial nos sonhos de cada expressão que emite. E somos todos ouvidos. Cá do sofá, fico a espreitar-lhe. O enunciado para preencher o diálogo. E logo vem. Metrificado, do tamanho de sua ternura. Pergunta pelos meus, pela família, com o cuidado de não magoar com perguntas impertinentes.
    Logo o concreto da sintonia imperativa: Maria é mãe dos aflitos, flagelados, abandonados, excluídos. E no dizer do poeta, “seu nome principia”. Talvez por rimar com magia. E é a Mãe de Deus. De cada um, de todos. Não foge aos compromissos d’alma.
    Todos têm uma Maria em seu meio. No conforto físico e espiritual, não somos órfãos de uma situação aflitiva, por mais árduos que venham a serem os riscos das desarmonias que a atividade existencial nos oferece.
    A conversação tem de continuar. Mesmo no entabular de um silêncio aberto à força do necessário. Na calmaria de uma enriquecedora solidão, que mais beira a difusas orações para todos, de alfa a ômega, e o mundo ao redor, em especial para os mais necessitados.
    O sol pode debruçar-se no poente, o cadeado pronto para tomar o seu lugar. É praxe. Ela pede. Não pode a isso se prestar. E tudo volta como dantes. Como na fartura do milagre do pão, lá estará Maria como sempre, perdoando as pedradas que a vida nos atira no rosto. A mesma Maria. No dizer de um de seus diletos irmãos, anunciada por Deus para cumprir importante papel nesta terra. Não é omissa e nem displicente. No composto de sucessivas fases, apropriada para escrever uma rica e abençoada história, ora de alegrias, ora de tristezas.
    Um processo, cujo enredo e relato um dia estarão registrados no compromisso da vontade eterna, contabilizados no livro da vida repleta de intensidade e emoção. E por certo neste livro, navegando entre águas estelares, terá uma gloriosa e guerreira personagem: simplesmente Maria.

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado, com escritório em Formiga, escreve aos domingos, escreve aos domingos nesta coluna. (luizgfnegrinho@gmail.com) 

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