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    04/01/2019 08h10 - Atualizado em 04/01/2019

    Bolsonaro, chegou a hora da ação

    Marco Antonio Villa - Especial para a Folha

    Começou o governo Bolsonaro. Agora, o presidente tem a responsabilidade de governar o Brasil. Neste primeiro mês não terá a vigilância do Congresso Nacional, que só reabre em 1º de fevereiro. Deve aproveitar para que todos os ministérios apresentem seus planos e as primeiras ações práticas. A profunda reorganização ministerial com a fusão e eliminação de diversas pastas deve cobrar o seu preço inicial. Por outro lado, o clima de férias e de otimismo que marca janeiro possibilitará a Bolsonaro um momento – ainda que breve – de compreensão para eventuais erros.
     O governo deverá ter dificuldade para aprovar as medidas mais sensíveis, que considera indispensáveis para o rearranjo da economia. Tudo indica que terá pouca influência na eleição das mesas diretoras da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A renovação eleitoral, além da falta de uma eficaz articulação do Executivo com o Legislativo, aponta para a reeleição de Rodrigo Maia (DEM) sem que dependa dos votos do partido do presidente da República.
    É um mau sinal – uma demonstração de fraqueza – que pode atingir os projetos cruciais do governo. Não é um bom sinal uma derrota neste momento, mesmo que Maia não esteja catalogado entre os adversários do presidente. Mas a desarticulação do Partido Social Liberal (PSL) e a pobreza política dos seus quadros mais expressivos, demonstram a necessidade de uma ação profissional por parte dos articuladores do governo. Não é possível fazer política por meio dos filhos do primeiro mandatário ou de parlamentares sem qualquer experiência legislativa, a ampla maioria deles eleita graças ao apoio eleitoral a Bolsonaro.
    O período de lua de mel que todo presidente da República usufrui no início do seu mandato tem de ser bem aproveitado. O maior desafio será no campo econômico. O novo Ministério da Economia tem de rapidamente demonstrar eficácia. Não será fácil. São muitas secretarias e um conjunto fabuloso de tarefas sob sua responsabilidade. A imprensa, inicialmente, vai apontar possíveis deslizes nas propostas apresentadas, que são ousadas e de complexa aplicação. Redefinir o papel do Estado na economia, isso depois de quase um século de intervencionismo, vai exigir uma engenharia política e econômica que nenhum governo precisou fazer nos últimos 30 anos. E isso pode ter um alto custo político, pois interesses enraizados na estrutura estatal devem responder às medidas adotadas pela nova gestão.
    Vale recordar que a presidência de Fernando Collor ao enfrentar os poderosos cartéis e privilégios logo no início do seu governo, em março de 1990, acabou produzindo uma tempestade que redundou na crise de 1992, na abertura do processo de impeachment e na posterior renúncia em dezembro do mesmo ano. É um terreno perigoso e que só pode ser ultrapassado com muita habilidade gerencial e principalmente muita habilidade política. Não será na base do grito ou de ameaças que os privilégios serão eliminados, por mais injustos que sejam.
    O conjunto de forças empresariais que apoiaram o candidato Bolsonaro não deverá ser o mesmo que dará sustentação ao governo. Especialmente se as medidas modernizadoras anunciadas forem colocadas em prática. Volto ao caso Fernando Collor, que é ilustrativo. No campo econômico, as medidas adotadas nos primeiros dias da sua gestão foram uma verdadeira revolução e atingiram setores empresariais que apoiaram o então candidato que também enfrentou – e venceu – o Partido dos Trabalhadores. Logo o empresariado passou para a oposição e minou as ações governamentais. Deve ser lembrado que a conjuntura político-econômica era diversa, o país vivia uma inflação anual de quatro dígitos, a legenda do presidente – o Partido da Reconstrução Nacional (PRN) –  era mais frágil, porém o modus operandi se for o mesmo poderá levar a um impasse político ainda no primeiro semestre quando o governo pretende aprovar as medidas que considera essenciais para retomar o crescimento econômico sob novas bases.
    Daí a importância das eleições das mesas diretoras da Câmara e do Senado. Se na Câmara o cenário parece, neste momento, já definido, no Senado é mais complexo. O retorno de Renan Calheiros (MDB) à presidência da Casa será uma grande derrota para o governo. Muito maior do que a permanência de Maia na Presidência da Câmara. Renan vai fazer o jogo do PT e tentar, por todos os meios, sabotar o governo. Vai exigir – e cobrar – cargos e favores. Pode paralisar a ação governamental com terríveis reflexos no campo das expectativas econômicas. Encontrar um candidato para enfrentar e derrotar Renan Calheiros é tarefa fundamental para Bolsonaro. Mas, até o momento, o presidente dá pouca importância ao fato.
    O clima de festa da posse acabou. Os deslizes habituais em tais cerimônias vão para o folclore político. O que importa agora é a ação. É o fazer. E de forma diferente, como foi prometido na campanha. O desafio está posto. A pergunta que fica é se Jair Bolsonaro está à altura da complexa conjuntura histórica que vivemos.

    MARCO ANTÔNIO VILLA é historiador, professor, escritor e comentarista da Jovem Pan e TV Cultura. 

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