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    31/12/2018 08h47 - Atualizado em 31/12/2018

    Entre Prosas "Maurício Calixto, presidente da FBSJE"

    "Os amigos brincam que eu acendi a lâmpada do Otto, então eu tinha que apagar. Mas, ainda há uma luz"

    Adriana Dias
    O comerciante Maurício Calixto, de 83 anos, pode ser considerado o homem que ‘acendeu e apagou as luzes’ do Hospital Otto Krakauer, entidade mantida pela Fundação Beneficente São João da Escócia. Ele era um dos membros da comissão de criação do hospital psiquiátrico, fundado em  14 de maio de 1975, com a finalidade de prestar serviços na área de psiquiatria, tendo chegado ao longo dos anos a ocupar a 3ª colocação no Etado de Minas Gerais, na classificação de hospitais especializados dentro da capacidade de leitos disponíveis. A entidade, por força da lei de desospitalização na saúde mental, se viu obrigada a ir reduzindo a capacidade de internação e, no dia 12 de dezembro deste ano, passou os seus últimos 19 pacientes para o sistema de Residências Terapêuticas que fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (Raps) dos governos municipal, estadual e federal. Maurício é presidente da FBSJE, que faz parte da Loja Maçônica Deus Universo e Virtude, mas, embora os pacientes tenham saído, ele ainda vê a possibilidade de, em algum momento futuro, continuar prestando serviços na área da saúde, aproveitando a experiência de 42 anos dos profissionais que por ali passaram e também o espaço onde funcionou o HOK, numa área de 6.800 m2 de construção, no bairro Penha, em Passos. Para falar sobre essa situação de interrupção nas internações e sobre o futuro da fundação, o presidente, que ficou no cargo mais de 20 anos, e que é viúvo de Therezinha Maria Silva Calixto, com quem teve três filhos e cinco netos, conversou com o Entre Prosas em sua casa.
     
    Folha da Manhã - Além de ser presidente da Fundação Beneficente São João da Escócia, o senhor ainda é presidente de outra entidade? Ou foi?
     
    Maurício – Fui presidente muitos anos da Fundação de Ensino Superior de Passos (Fesp). Atualmente, sou presidente da FBSJE, que é mantenedora do Hospital Otto Krakauer e também do Recanto Geriátrico. Fui também presidente da Associação de Amigos e Pais dos Excepcionais de Passos (Apae). Com a transferência dos moradores, dos 19, a função do hospital, como hospital, se encerrou. O hospital tinha capacidade para 156 leitos, operacionaliza em torno de 130 funcionários, formatado com um modelo assistencial de equipes multiprofissionais, com financiamento de 100% do SUS (Sistema Único de Saúde), atendendo em média a 115 municípios do sul e sudoeste de Minas Gerais com referência de internações, todas elas por meio da Central de Regulação de Alfenas. E, durante os últimos dez anos, contamos diariamente com a ajuda da população não só de Passos, como da região, com doações, o que possibilitou a manutenção do hospital. Sem essa ajuda, não seria possível. Os presidentes que passaram depois de mim, e antes, fizeram muito pelo hospital.
     
    FM – Parece que a FBSJE não quer fechar em definitivo o Otto, isso procede?
    Maurício - Por enquanto, a diretoria não resolveu o que exatamente vai ser feito do espaço.  Vai depender de vários fatores, que um deles é o financeiro. Pela localização do hospital na cidade, pela experiência de mais de 40 anos em psiquiatria, entendemos que o ideal seria reativá-lo. Isso é uma possibilidade, mas há que se ter estudos e recursos financeiros.
     
    FM - O promotor de justiça Eder da Silva Capute comentou sobre o novo olhar do Ministério da Saúde, que agora pede para abrir hospitais psiquiátricos. O que o senhor tem a dizer sobre isso?
     
    Maurício – Nós sabíamos que isso iria acontecer. Por conta da experiência com a saúde mental. Alguns pacientes precisam de internação. Não se consegue conter um paciente psiquiátrico tendo um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) que não funciona sábado e domingo, por exemplo.
     
    FM - O senhor sabe que, agora, depois de tanta luta, desacordo, foi liberado um decreto que pode ter um hospital psiquiátrico, na contramão de tudo aquilo que o próprio governo lutou?
     
    Maurício - Essa luta de 40 anos no Otto era tudo trabalhado em cima do Sistema Único de Saúde (SUS) e era impossível continuar com a Autorização de Internação Hospitalar congelada no valor de 10 anos atrás, não tinha condições. Agora, esses hospitais estão surgindo. Se, por acaso, o Otto vier a ser reativado, logicamente, vai ser com uma opção para atendimento na maioria para pacientes particulares, porque não há condições. Como nós tínhamos a comunidade ajudando, mais os irmãos da loja, os maçônicos colaborando, foi possível. Hoje, é insustentável.
     
    FM – Como foi a ação de desospitalização dos últimos pacientes?
     
    Maurício – Para tirarmos os remanescentes, aqueles que não tinham família ou não tinham família com condição de receber os pacientes, foi muito difícil. Nós da diretoria fizemos um esforço muito grande para poder tirar esses internos de lá. E a própria Prefeitura ajudando a fazer essa remoção, porque ela sozinha não teria condições. Ajudamos a buscar opções de casas para alugar,  emprestamos as camas, pois, sem isso, não daria para a remoção. Em contrapartida, recebemos da Prefeitura um não muito ostensivo. E, muito fracamente, uma coisa fora de ética, pois estávamos em negociações para que a administração alugasse o prédio do Otto, onde abrigariam algumas das secretarias. Faço aqui uma crítica severa à equipe que rodeia o prefeito Carlos Renato de Lima Reis, o Renatinho. Eu falo pela experiência que tive durante esses meses de luta junto à Prefeitura. Prefeito não tem muita culpa das coisas não, mas a equipe dele deixa muito a desejar. Cada um quer que a sua ideia prevaleça, quer seja boa ou ruim. Umas 15, 20 pessoas lá. Não sei como o Renatinho aguenta esse rojão. Tanto é que ele havia alugado o hospital de nós. E voltaram atrás por influência da equipe.
     
    FM – E a fundação estava com outras negociações para a área?
     
    Maurício - Perdemos até um cliente, que era muito bom. Eu conversei com o Renatinho pessoalmente, explicamos que a comunidade ia ficar satisfeita que lá no hospital iriam funcionar vários departamentos da Prefeitura. Isso seria incrível. Mas, infelizmente, cada cabeça é uma sentença.  Eu fico triste, porque Passos não evolui. Francamente, nós não evoluímos de acordo com o mundo. Ao invés de ficarmos tristes, soltamos foguetes de satisfação.
     
    FM – Sobre festejar a transferência dos internos, deve ser porque a equipe finalmente conseguiu fazer o que era preconizado, naquele momento, pelo Ministério da Saúde, para a desospitalização.
    Maurício – Pode realmente ser isso, mas acho desnecessário. Não é por aí. Tinham que mostrar, na verdade, insatisfação. Afinal, essa é mais uma instituição que Passos ‘já teve’, entra naquela listinha do Passos já teve.
     
    FM – E agora a Fundação não acaba, obviamente, ela continua. Qual é o futuro, então, do espaço do Otto?
     
    Maurício – A diretoria ainda vai fazer uma reunião nesse sentido. Mas a intenção é não fechar a possibilidade de um retorno do hospital. E, com relação ao Recanto Geriátrico, precisamos lançar mão de campanhas e ações sociais, uma vez que lá também é deficitário. Que tem em média R$30 mil de déficit mensal.
     
    FM - O senhor sentia que tinha esse compromisso, quando olhava e via, assim de longe, a situação pela qual o Otto passava, de reassumir a presidência e resolver?
     
    Maurício - Naquela época, estávamos sempre com esperança de algo.  Os amigos brincam que eu acendi a lâmpada do Otto, então, eu tinha que apagar. Mas ainda há uma luz no fim do túnel. Ainda há esperanças.
     
    FM – Em sua primeira vez como presidente da FBSJE, nos 20 anos que ficou lá, era um tempo de ‘vacas gordas’, um momento tranquilo. Recebia-se aquilo que gastava. Quando o senhor viu a situação, mais de vinte anos depois, o senhor sentia que tinha essa missão?
     
    Maurício - Não sentia, porque, naquela época, nós conseguimos comprar na MG-50 dois alqueires de terra. Quem pagou a transação foi o hospital. A situação do hospital era privilegiada. Nós tínhamos o privilégio. Lógico, a história é longa, grande. Às vezes, passa despercebida alguma coisa, você se esquece de algo. A luta sempre foi muito grande, nós sempre lutamos. 
     
    FM – O Recanto Geriátrico atende apenas particular? Ou tem vagas sociais, tal qual o Asilo?
     
    Maurício – Temos, sim, nove vagas sociais e, além dessas, existe o fato de que, em muitos casos, o morador entra pagando um valor por estar enquadrado numa categoria. Por exemplo, que não precisa de cuidador, que toma banho sozinho, que não usa medicamentos. Dias depois, essa pessoa entra em outra categoria, necessitando de tudo isso. Invariavelmente, a família se recusa a pagar o referente à outra categoria. E o Recanto Geriátrico tem que arcar com esse valor. Porém, sobre isso, a diretoria ainda não fez uma reunião específica com relação a essa situação. Mas o meu modo de pensar é que deveríamos melhorar mais ainda a parte física e a parte técnica. Apesar de que a parte  técnica está completa.
     
    FM – Como seriam as melhorias?
     
    Maurício - Temos que estudar realmente o que podemos fazer para melhorar a estrutura física e captar mais clientes. A população idosa tem aumentado significativamente e as famílias estão pequenas, sem muitos filhos que possam cuidar dos pais.
     
    FM – Como presidente da Fesp, quais são suas lembranças positivas?
     
    Maurício - Fui feliz naquela época. Aqui, onde hoje eles chamam de D.A., ali estava projetada uma rodoviária, e eu consegui, naquela época, há muitos anos, que esse local fosse doado para a Fesp. E foi feito, foi doado. Infelizmente, agora houve a estadualização e modificou alguma coisa. Mas, de qualquer forma, ficou o local. Inclusive, o curso de Enfermagem, a criação, foi uma luta da nossa gestão, muito difícil. Depois, em 1971, a gente criou a Apae. Outra luta difícil.
     
    FM – Recentemente, o senhor foi presidente da Apae?
     
    Maurício - Eu fui diversas vezes presidente da Apae. Em 1971, nós trabalhávamos aqui onde é a Photo Boutique hoje. Ali era a Apae. Com poucos alunos e poucos profissionais. Hoje, ela é uma situação invejável na região. Claro que é o esforço da comunidade, o esforço de todos os diretores que já passaram por lá. Até os funcionários ajudaram a colocar a Apae na situação que ela está hoje.
    31/12/2018
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