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    18/12/2018 07h56 - Atualizado em 18/12/2018

    Dia a Dia: O fim da infância

    DÉCIO M. CANÇADO - Especial para a Folha

    Com a aproximação do Natal, somos induzidos a pensar no Nascimento de Jesus, no presépio, no fim de mais um ano, em mudança de vida, na ceia e, neste emaranhado de pensamentos, lembramo-nos da nossa infância e de como ficávamos maravilhados com as luzes dessa época e com a expectativa de ganhar presentes.
    Com o passar do tempo e com as mudanças nos hábitos e costumes, muita coisa daquela infância que vivi foi deixando de existir, foi-se modificando. Não que a de hoje seja melhor ou pior, mas, convenhamos, é bem diferente, e só saberemos se ela foi boa e deixou saudades daqui a alguns anos.
    Dia desses, ao sair de uma agência bancária, percebi uma mulher acompanhada de uma garota de aproximadamente onze anos, muito magrinha, com as perninhas muito finas, que andava com dificuldade, equilibrando-se num salto alto enorme, visivelmente desproporcional ao seu porte físico. Será que a mãe não percebeu que sua filha ainda não estava preparada para usar aquele tipo de calçado? Que é necessário um amadurecimento gradativo para que as mudanças ocorram na vida das crianças? Que há um tempo certo para que as coisas aconteçam? Lembrei-me que quase todas as crianças de hoje têm seus momentos de lazer voltados, prioritariamente, para o tablet ou para o celular. É uma pena!
    Ao refletir sobre isso tudo, decidi repartir com vocês um texto muito interessante, escrito por uma mulher. Diz ela: “Li uma matéria em que um especialista em educação infantil previa que a infância está próxima ao seu fim. Se olharmos à nossa volta, esse fim não está distante. Raramente vejo meu sobrinho brincar de pique-esconde, soltar pipa, andar de carrinho de rolimã e jogar bolinha de gude. São experiências que ele não vive. Sua vida quase que se resume aos jogos eletrônicos!
    Estávamos na hora do almoço, justamente falando sobre isso; como a idade dos presentes variava entre 25 e 30 anos, vivemos, mais ou menos, o mesmo tipo de infância. E comecei a desencadear várias lembranças: - eu ia à padaria todos os dias, às 7h30 da manhã, comprar ‘bengala’ e leite de saquinho, sempre com a caderneta em mãos para marcar a conta! Não me lembro de existir pãozinho francês e, muito menos, leite em caixinha. O mais incrível é que o dono do estabelecimento marcava o que eu comprava na minha caderneta e jamais em algum controle interno também. Ou seja, ele confiava inteiramente que meu pai pagaria no final do mês e não alteraria os dados por ele registrados. - Eu usava boné vermelho, camiseta branca e shortinho vermelho com elástico na coxa, meias brancas e conga vermelha para ir à pré-escola, que só entrei quando tinha 5 anos. No início, minha lancheira era de plástico e parecia uma casinha. Depois, ganhei uma de luxo, emborrachada, sempre com espaço para a garrafinha de suco. Saía da escola, almoçava, fazia minha lição de casa e então minhas amigas chegavam para brincarmos de casinha. Eu tinha jogo de panelinha, fogão e, claro, várias bonecas. Tinha a ‘Chorinho’ que, quando tirávamos a chupeta da sua boca, ela chorava... e a ‘Din-Din’ que quando eu colocava para dormir, seu corpinho se mexia e tocava uma musiquinha de ninar. Quando a margarina era nova em casa, a marca era Doriella, que tinha um pote super arrojado e bonito, eu e minha irmã vivíamos competindo quem seria a primeira a usar e, às vezes, brigávamos. Então, meu pai nos colocava de castigo, sentadas uma de frente para a outra, sem poder cochilar e falar. - Eu pulava corda, amarelinha, elástico e jogava bola na rua. Também batia nos moleques e, às vezes, corria atrás deles. Ah, também brincava de pique-pega e esconde-esconde. Era uma delícia! Mais tarde, comecei a ganhar meus próprios discos. Um dos primeiros foi o do Balão Mágico. Era fã da Simony e do Jairzinho. E por aí vão as minhas lembranças. Eu não assistia novela das 8hs, pois em geral já era hora de ir para a cama. Dormir tarde só aos finais de semana. Mas o pior na minha infância era meu corte de cabelo. Terrível. Minha mãe não tinha critério nenhum para escolher quem ia cortá-los. Como são muito lisos, sempre ‘acabavam’ com o coitado. Às vezes, era a franja que ficava no meio da testa ou eles ficavam muito curtos, como cabelos de meninos, e ‘espetados’ no centro da cabeça. Certa vez, eu passei a tesoura e ficou uma falha enorme.
    Eu era bem desligada em relação aos meninos, mas, um dia, estava assistindo à aula e um garoto jogou um bilhetinho na minha mesa. Meu coração disparou! Nele estava escrito: “Gosto de você e queria saber se quer namorar comigo.” Fiquei emocionada, envaidecida, vermelha, alegre. Pela primeira vez na vida, eu sabia que um menino olhava para mim! Escrevi um bilhetinho e respondi: “Fiquei contente com seu pedido, mas não posso aceitar, sou nova demais para namorar.” Mais ou menos assim! Ele me deu um sorriso meio sem graça e eu fiquei uma semana sem poder olhar para a cara dele e, claro, não tive coragem de contar a ninguém que um dos meninos mais bonitos da classe estava gostando de mim!
    Aos 13 anos, as meninas só falavam em beijo. A maioria já tinha beijado na boca, mas eu não tinha muita vontade de beijar; estava era começando a ficar curiosa de tanto que elas falavam sobre o assunto, mas demorou um pouco mais para acontecer. Esse foi o ponto em que percebi que minha infância estava ficando para trás e as minhas bonecas já eram meros enfeites na minha cama”. 

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