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    10/12/2018 09h17 - Atualizado em 10/12/2018

    Fragrâncias e estilos de vida

    Luiz Gonzaga

     O interessante mesmo é que, sem querer, envolvi-me em uma conversa entre duas mulheres, cuja substância do diálogo era o uso de perfumes.
    Uma elogiando a que estava com um toque de fragrância, cujo frescor de fato era agradável. Perceptível o aroma, mais voltado para o silvestre, um suave almíscar, o que me agrada. Citaram a marca, preço, onde comprar, entre outras abstrações.
    Eu, na minha, só escutando. Audível para um local público. De repente, um aparte não solicitado. A senhora, de impecável elegância, se dirigiu a mim num gesto de graciosidade e simpatia: “Por exemplo, esse cavalheiro ao lado - referindo-se a mim - está usando possivelmente uma colônia de boa qualidade, o que se pode deduzir pelo odor”.
    Agradeci, ancorei-me igualmente na serventia da boa educação, no que fui sincero. Mas não me fiz de barato. Usei de meus parcos conhecimentos sobre o uso devido e indevido de como usar um bom perfume e a famosa mistura de tantos cheiros se misturando para o agrado e dissabores dos olfatos, pele e personalidade. Aquilo que chamam de lifestyle, vocábulo inglês que significa ‘estilo de vida’. Mas não aquela de levar vida de ostentação, riqueza, requinte. Nada disso. É mais em conta para os dias atuais. Pode-se dizer que o lifestyle não passa, de fato e de direito, de uma maneira diferente de se viver, da qual o comum dos mortais pode dar-se ao desfrute, sem maiores esforços e condições financeiras.
    Os seres humanos costumam se rotular, na maior, o que é pior e patético. Todos nós temos desejos, procedimentos comportamentais, diferentes modos de encarar os fatos, de como viver, o enfrentamento da vida em si, que segue recheada de atropelos e dotada de poucos e reduzidos contornos de agradáveis surpresas.
    Afinal, a vida é um arcabouço de muitas desavenças e poucas avenças. Ah, isso é deste escrevinhador. Podem se deleitar à vontade, passar adiante. Não me importo. Um anjo acaba de me inspirar. De novo: “A vida é tormentosa ante as desavenças e pouco generosa em razão de raras avenças. Ih, já mudei! Mutatis mutandis... Mas o produto é meu. E podem tascar e lascar. Botem figuras de anjinhos, cachorrinhos, dois gatinhos e façam bom uso nas redes sociais. Já me usaram muito. Não ligo a mínima.
    Nisso, voltando ao assunto, quando as senhoras me deram a fala não requerida, posicionei-me como se fora um profundo conhecedor da matéria, o que de jeito algum sou e admito. Um pouco atrevido, o mais provável.
    Quando me lembrei, então, de ter lido que o bom perfume depende muito da epiderme, a camada superficial da pele. Enfim, a que está em contato com o exterior, que nada mais é do que o tecido epitelial, ou seja, nenhuma representatividade com o conhecimento médico e em abissal distância de um esteticista de renomada carreira.
    No arrojo, também não me distanciei de qualificar valores agregados a quem está de bem com a vida, como equilíbrio emocional e orgânico, na livre tradução, paz, malhação e alimentação balanceada. Comigo tenho, peguei bem.
    Numa rara felicidade de quem pratica o bem olhando para a pessoa à qual está se dirigindo, lancei: plena convicção, a senhora com certeza, está de bem com a vida, mantém um estilo de vida no alinhamento perfeito da boa forma. Parabéns!
    Não deu outra, no alisamento do ego, lado oposto: “Pode me tratar por você!” – fez-se por grata, sorriu-me na musicalidade da bela riqueza de modos, e despediu-se do ambiente em que estávamos com um quê enigmático nos lábios, com saliva possivelmente cheirando a mel.
    Quanta insolência! Como avaliar saliva cheirando a mel, na distância do não sentir, do não provar, ainda mais néctar de abelhas em proibidos e floridos quintais? Tenência, moço!
    Existem atitudes que se estreitam no respeito, na boa convivência, em ações positivas e transformadoras de um mundo que mais se debruça na temeridade da ingratidão, intolerância e impaciência.
    Assim como vidas que se deslocam para cenários pouco ou nada convidativos em prol de aprazíveis homenagens na forma de carinho, ternura e afeto com as escusas do clichê e chavão de muitas falácias e poucas audácias do quase nunca fazer em favor de uns pelos outros. Ou num resumo bem apropriado, com sabor, textura e cheiro dos mais sedutores.
    Ou amar não é querer o bem-estar do outro? Outro clichê e mais chavão de sofríveis qualidades, só absolvidos pelas andanças de tempos idos e passados. Mulheres se submetiam ao Chanel nº 5, quem sabe o Opium, de Yves Saint Laurent; cabendo aos homens o selo e dinastia do tão sedutor Lancaster, talvez o onipresente da época, legítimo toque aromático dos anos 70. Na sua falta, por mim, borrifava-me de alfazema de minha mãe Julieta.
    Pobre rememoração, o Lancaster era adquirido em suaves prestações, mais precisamente na Importadora RA 100; à côté, obtinha na extinta Casa Pimenta, camisas psicodélicas, calças bocas de sino, ambas coloridas e de complacentes lembranças, as quais jamais se afastarão de vidas que teimam viver, ainda que aos poucos vão se esfumando e diluindo com o tempo.
    Fazer o quê, também existia o Tabu, de Jean Charles, de engulhos desatinos e términos de namoros, para angústias e desespero de filas de bancos e jornadas nada agradáveis em ônibus e coletivos afins. Meu Deus! Como se sofria. Mas, saudades doem por igual e por inteiro. Como deixar de tê-las?

    LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado (luizgfnegrinho@gmail.com), com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna. 

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