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    10/12/2018 07h59 - Atualizado em 10/12/2018

    Klauss Tomich - turismólogo

    A região tem potencial internacional

    ELIABE SCHAULIMAN Especial para a Folha
    Klauss de Sousa Tomich, tem 36 anos, é formado em Turismo pela PUC Minas, Administração pela FGV, e tem MBA em Gestão Empresarial pela FGV, nascido em Leopoldina, há seis meses decidiu se mudar para Piumhi, o motivo? Ficou completamente encantado pela região e pela cidade que não só é conhecida como Cidade Carinho, como também Portal da Canastra e Lago de Furnas.
    O turismólogo iniciou sua carreira aos 16 anos, no ramo de A&B. Trabalhou com Fast-food (MC Donalds), Coffee-shoop (California Coffee), Mercado (Veganza Empório) e Alta Gastronomia (Sargas Restaurante); experienciou a hotelaria na Accor Hotels, na Thess Hoteis e também como consultor de diversas pousadas. Atuou no ramo de turismo emissivo e receptivo na CVC Viagens, fundou duas agências de viagens (SR Turismo e Mundial Vistos-ES) e foi consultor de agência de viagem em Santa Catarina - (Portal Turismo); foi Consultor da FIEMG (Federação da Industrias) e do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) onde teve a oportunidade de planejar o turismo de uma forma macro no IER (Instituto Estrada Real), hoje tem sua própria agência de consultoria turística (Kontur) e trabalha nessa região que tem tantos atrativos eco turísticos.
    Klauss recebeu a reportagem em um hotel de Piumhi, um dos que ele presta serviço de consultoria, fomos muito bem recepcionados por todos, e, em um bate papo bem descontraído ele nos explanou sobre diversas questões acerca do turismo regional da Canastra e Furnas.
     
    Folha da Manhã - Qual o potencial turístico das regiões sul e centro-oeste de minas?
     
    Klauss - É um potencial turístico inicialmente de abrangência nacional, tem capacidade de trazer turistas de vários estados em relação ao potencial da região da Serra da Canastra e do Lago de Furnas, se bem trabalhado eu creio que tem um potencial internacional, hoje a cidade de Piumhi é muito voltada para o turismo regional.
     
    FM - O que precisa ser melhorado para recepcionar e atrair mais turistas para essas regiões?
     
    Klauss - A estruturação básica, capacitação, treinamento, políticas públicas, sinalização, marketing de cidades, seguir o Plano Nacional do Turismo indicado pelo Ministério do Turismo, é isso que precisa, precisa estruturar a política pública e em relação ao setor privado capacitação.
     
    FM - Quais são as regiões mais atrativas e com maior oferta de passeios para os turistas?
     
    Klauss - É o Lago de Furnas, passeios de lancha e em segundo plano a Serra da Canastra que são os passeios de jipe 4x4 e ecoturismo, eu vejo um potencial também mas ainda não é explorado, o de grutas, espeleologia.
     
    FM - Por que alguém deveria escolher essas regiões para passar as férias?
     
    Klauss - É uma região voltada para um turismo de natureza, e a natureza aqui é muito intensa, muito forte, muito exuberante, então em relação a observação de fauna, observação de flora, turismo ecológico, cachoeiras, passeios, pesca, é por isso que as pessoas deveriam buscar, é um nicho de mercado.
     
    FM - Qual o local mais procurado pelos turistas?
     
    Klauss - O Lago de Furnas.
     
    FM - Em sua opinião, como fica o lado ambiental de preservação do meio ambiente nesses lugares onde há um grande fluxo de turistas?
     
    Klauss - Primeiro, política pública de criação de leis orgânicas para controle de preservação, a gente vê uma organização grande em relação a Serra da Canastra, por causa do Instituto Chico Mendes, o ICMBio, ele é bem ativo em relação a controle de visitação, capacidade de carga, então a gente precisa incentivar isso em relação ao uso do Lago de Furnas, porque envolve não só o Ibama e o Instituto Chico Mendes, mas, como também, a Marinha, então isso que precisa, análise de capacidade de carga e leis orgânicas de controle de visitação e de claro de conservação, limpeza, multa para quem sujar, esse tipo de controle.
     
    FM - Qual a importância de se preservar esses locais?
     
    Klauss - A continuidade do uso, se não preservar amanhã não vai existir mais.
     
    FM - Você acredita que somos capazes de aumentar o fluxo turístico sem degradar o meio ambiente?
     
    Klauss - Sim
     
    FM - Você acha que a região está preparada pra isso?
     
    Klauss - Não, a região não está preparada, tem que se preparar, mas é capaz
     
    FM - Como fazer isso?
     
    Klauss - Controle, leis orgânicas, as prefeituras fazerem leis para o turismo, sinalização, incentivar a capacitação, trazer cursos, incentivar os empresários a participarem dos cursos, fazer leis de controle para limpeza, coleta seletiva, limpeza de trilhas, organização e demarcação de locais das trilhas, controle do poder público e auxilio de companhias privadas.
     
    FM - E como os moradores dessas regiões podem ajudar na preservação?
    Klauss - Tem que fazer um trabalho de conscientização acerca da preservação do meio ambiente nas escolas, para que crianças e adolescentes possam entender a importância da natureza, do meio ambiente para preservar. Povo educado não degrada o seu próprio meio ambiente.
     
    FM - Você acha que o mercado regional está preparado para um aumento de procura turística?
     
    Klauss - Essa é uma pergunta complexa, a capacidade hoje, tanto hoteleira, quanto de agências receptivas de passeios estão esgotadas, então hoje não tem uma capacidade de aumento de turistas não, precisa de construir mais hotéis, mais restaurantes, mais empresas de transporte, hoje não temos um transporte público nas cidades, então isso é uma carência, como um turista vai vir em uma cidade onde não há transporte público, então atualmente acredito que não haja capacidade para aumentar não, tem que trabalhar com o que temos e depois pensar em aumentar.
     
    FM - O que o mercado tem a ofertar para os turistas?
     
    Klauss - Turismo ecológico, e de negócios também, eventos, passeios de lancha, passeios de 4x4, serviços hoteleiros e alimentício, o turismo de negócio é forte também, pessoal produtor de queijos, leite, gado, café, hoje temos duas das principais empresas de café do mundo, elas estão situadas aqui, então o turismo de negócio também é um ponte forte.
     
    FM - Quais os tipos de turismo mais comuns na região?
     
    Klauss - Ecoturismo, sem dúvidas, também há o de negócios, o gastronômico ainda é pouco explorado, na região da Serra da Canastra, por exemplo, que eu conheça só existe uns dois restaurantes de comida típica mineira, onde se pode comer uma galinha caipira, frango ao molho pardo, e em Capitólio também deve ter apenas uns dois ou três onde se pode comer comidas realmente típicas, o turismo gastronômico ainda tem que se desenvolver, há muitos restaurantes de comidas caseiras, mas não realmente que atraiam pessoas de fora para comer na região, gastronomia típica é carente, o que existe são muitos restaurantes que ofertam pratos comuns como o arroz com feijão, bife e salada, há restaurantes de comidas japonesas e mexicanas, mas a comida típica mineira ainda é carente de restaurantes.
     
    FM - Como os produtores do queijo canastra podem melhorar a questão do turismo gastronômico em relação ao queijo?
     
    Klauss - Primeiro, formatar um roteiro, o que o turista vai fazer quando chegar lá? Depois que estiverem com esse roteiro formatado, informando preços, qual será a visitação, se vai visitar a fabricação, se vai ter palestras sobre o queijo, visitação ao curral, tirar leite, ver a logística de transporte e depois ofertar isso ao mercado para as agencias operadoras de turismo, hotéis, locais onde estão os turistas, é isso que precisa ser feito.
     
    FM - Você acredita que esses produtores estão preparados?
     
    Klauss - Alguns sim, existem alguns que já estão iniciando esse trabalho de visitação a algumas fazendas de produção de queijo, mas ainda é um pouco amador, ainda há o que melhorar, mas já existe isso na região sim.
     
    FM - Como o comércio local pode se desenvolver ainda mais para atender as demandas dos turistas? E quais são as demandas dos turistas?
    Klauss - Existe um curso de capacitação ao turismo e hotelaria que envolve alimentação também, no IFMG e esse curso não foi procurado pelas pessoas envolvidas nesse mercado, existe esse curso gratuito de turismo em Piumhi e as pessoas simplesmente não procuraram esse curso. Cada local tem a sua peculiaridade, temos que adaptar os padrões mundiais para a nossa realidade, mas há um bom atendimento aos turistas, atendimento caloroso, cordial e profissional em relação as formalidades do turismo, hoje se trabalha muito a questão de preço por pessoas nos hotéis, isso no padrão hoteleiro não existe, um preço por pessoa, o que existe são preços por quartos, não há comunicação entre a rede hoteleira, alimentícia e de transporte, por exemplo as vezes o taxista não conhece todos os restaurantes, os restaurantes não buscam essa divulgação, não há uma comunicação da rede de turismo, e o turismo é uma rede, você precisa estar envolvido com todos, as empresas de passeio tem que saber onde são os hotéis, saber dos transportes, tudo tem que estar interligado e isso não existe aqui ainda.
     
    FM - Você acha que a região está preparada para receber turistas estrangeiros?
     
    Klauss - Sim, depende do perfil de turista, turistas backpackers (mochileiros) sim, eles gostam dessa informalidade, gostam desse amadorismo, eles acham legal isso, são um tipo de turista, agora trazer um turista que busca um turismo mais sofisticado em que se exija um tradutor, que precisa de atendimento bilíngue nos restaurantes, acredito que não está preparado não, os principais hotéis não conheço ninguém que fale inglês, nem nas principais empresas de passeio, só conheço um que fale inglês, então existe sim a capacidade de trabalhar esse turista, mas depende do perfil dele, um perfil que busque um turismo mais simples como os mochileiros que fazem parte de um mercado mais grande, atendem sim muito bem, mas os com o perfil mais sofisticado acredito que ainda há muito para se desenvolver.
    FM - Você conhece locais atrativos que não sejam muito famosos na região?
     
    Klauss - Existem muitas grutas para se fazer um trabalho de espeleologia, com pinturas rupestres, tem alguns tipos de turismo diferenciados como por exemplo o de mergulho, que ainda não são explorados.
     
    FM - A novela global das 21h “O Sétimo Guardião” está sendo gravada na Serra da Canastra, em sua opinião como isso influenciará no turismo?
     
    Klauss - Capitólio foi muito divulgado pela Globo, e hoje de dois a três anos pra cá houve um crescimento muito grande por conta dessa publicidade em massa, isso que está acontecendo na Serra da Canastra pode ser um início do que aconteceu há três anos em Capitólio, acho que pode aumentar muito o fluxo turístico, mas tem que continuar com essa mídia espontânea.
     
    FM - Você acha que essa região está preparada para receber esses turistas se esse fluxo aumentar?
     
    Klauss - Lá tem um controle ambiental muito grande em relação à visitação ao Parque, então existe uma capacidade de carga hoje que não permite a entrada de muitas pessoas no Parque, então o que acontece hoje por exemplo no parque do Ibitipoca em Lima Duarte, perto de Juiz de Fora, é que a cidade cresceu muito por conta dos turistas, e os turistas não conseguem entrar no parque, então por volta de 05 a 06 horas da manhã já tem gente na fila para entrar no parque, e salvo engano, são por volta de 800 pessoas por dia que podem entrar no parque, então se você quer entrar no parque, você precisa chegar cedo e encarar a fila, e vai entrando na medida que vai saindo pessoas, ou seja, vai liberando a entrada aos poucos. Existe na Serra da Canastra um crescimento limitado em relação a visita ao parque, mas existem muitas cachoeiras em volta, assim como em Lima Duarte, não existe só o parque, existe locais ao entorno, então para os turistas que não conseguirem entrar no parque, podem procurar outras cachoeiras.
     
    FM - A região da Canastra tem esses outros atrativos?
     
    Klauss - Ao entorno do parque tem sim, a Trilha do Sol, Paraíso Perdido, Complexo Capivara, são limítrofes ao Parque, eles estão fora do Parque mas então ao entorno do mesmo, então são alternativas para o turista que não quer participar desse controle, e são complexos turísticos pagos, você paga para usufruir do espaço assim como no parque, mas existem muitas cachoeiras que não são muito conhecidas e o acesso a elas é gratuito, por isso o auxílio de um guia é muito importante nesse momento, a contratação de um guia para fazer esses passeios alternativos e diferenciados, menos conhecidos.
     
    FM - Como você analisa o mercado turístico atual?
     
    Klauss - Eu vejo um grande potencial turístico que precisa de mais controle e mais capacitação, controle de visitação ao Lago de Furnas, onde há várias balsas flutuantes trabalhando de formas não muito higiênicas nem adequadas dentro do Lago, tem uma quantidade de lanchas que não é adequada, tem muita sujeira no lago, pichação nas pedras, precisa melhorar isso e aí o turista vem, vê isso e acaba não voltando, vai se queimando ao longo do prazo e pode ocorrer de acabar, acabar o meio ambiente e acabar os turistas que não vão voltar mais, ou mudar o perfil do turista, para um turista de perfil bem mais popular, como por exemplo em Porto Seguro, onde se iniciou um turismo fantástico na década de 80 e hoje em dia é um turismo bem popular, as coisas muito baratas, tudo barato, um estilo de turismo muito diferente o qual eu não vejo se encaixando no ecoturismo, porque o ecoturismo para se manter ele precisa de um perfil de turista de maior renda, porque para se preservar precisa de investimento.

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