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    01/11/2018 08h10 - Atualizado em 01/11/2018

    Segregação judaica em plena Segunda Guerra

    Falar sobre o anti-semitismo desde o período pós-guerra passou a ser praxe da instituição cinematográfica em âmbito mundial. E tentativas de aculturação estão presentes em todas as artes, cujo objetivo é induzir seu público a reflexão ou promover o debate, que indubitavelmente o filme em análise consegue exitosamente.
     Com méritos, A Luz é Para Todos – que o Cine Clube Pipoca & Bala Pipper vai apresentar na próxima semana – arrebatou três dos principais prêmios Oscar em 1947 – uma data propícia à abordagem do tema – um espaço de dois anos após o término da Segunda Grande Guerra. Retratando o preconceito étnico-religioso em pleno solo yankee, o que para início de muitas questões é um contrassenso incomparável com a ideologia da “liberdade” norte-americana, principalmente pelo fato de que os EUA estão econômica e culturalmente em dívida com os judeus, que representam majoritariamente as duas grandes fontes de orgulho americano: Wall Street e Hollywood.
     O filme narra a história de um Jornalista, Phillip Green (Gregory Peck), que é convocado por uma revista para fazer uma série sobre o anti-semitismo norte-americano, e para isso ele propõe se passar por judeu e sentir na pele a discriminação insossa e arrogante de seus conterrâneos, além de intrincar um romance do escritor com Kathy (Dorothy McGuire), sobrinha do presidente da revista. Phillip passa então a entrar em conflito com o que é ser judeu em terra inóspita, descobrindo o condicionamento humano que foi estabelecido por conceitos intrínsecos a uma cultura de acepção ideológica - inerente a WASP (White Anglo Saxion Protestant) - em que um indivíduo, sendo negro, índio ou professando uma fé não cristã, é motivo de vergonha social. O protagonista intui que para a eficiência de uma matéria não basta apenas fatos, estatísticas e dados afins para pungir a sociedade sobre o mal estar sócio-cultural gerado por ela, mas sim a assunção de uma identidade alvo que, através de tal alteridade e ainda por deter uma voz desengajada (não-semita), alcançaria resultados positivamente incisivos.
     A Luz é Para Todos tem uma coesão dramática polidamente arregimentada, consegue em plena era de ouro de Hollywood nos presentear com uma fábula urbana tematicamente madura. E, com efeito, vivenciamos o próprio conflito da personagem; Gregory Peck e todo o elenco apresentam uma perfeita e equilibrada interpretação mantida pela segura direção de ninguém menos que Elia Kazan. Ele foi o fundador (junto de Lee Strasberg) do Actor Studios, considerada a melhor escola de interpretação americana, enquanto Strasberg continuou no teatro, Kazan mudou-se para os estúdios e leva consigo sua técnica que mudará para sempre o modo de interpretação para cinema, tornando-a realista sem as afetações expressionistas e teatralizadas dos filmes da época. Contudo, o mérito de Kazan como diretor sempre se limitou a qualidade de direção de seu elenco e escolha temática, deixando a desejar como cineasta, isto é, seu trabalho cinemático ou estético sempre fora muito prolixo, prendendo-se as convenções narrativas e estilísticas já desgastadas ou então imitando técnicas de seus contemporâneos, ou no máximo adotando iconografias de gêneros específicos a cada tema abordado.
     É curioso o fato de que a película ainda apresente uma estrutura verborrágica ao estilo de um teatro filmado, com poucas cenas externas – conhecidamente como um Filme Falado, que contrasta com o Filme Sonoro europeu, numa década onde despontaram obras inspiradoras de dois grandes mestres do visual cinemático: Orson Welles e Alfred Hitchcock, que articulavam suas narrativas através dos meios específicos da linguagem fílmica sem depender dos diálogos, usando-os somente em casos necessários. É notável a discrepância estética deste filme, que ao invés de mostrar fatos ocorridos, esses são comentados em conversas – não prejudica o filme, mas o experimentamos de um modo diferente do habitual, que é admitido como estética e ontologicamente adequado à sétima arte.
     O filme ao menos vale por sua qualidade de expressão dramática, até mesmo por tratar de um tema tão recente à sua época. E em suma, o filme nos revela que basta alguém se importar com alguma causa e assim retrucar publicamente para que não possa haver nenhum resquício de conformidade ao chamado Racismo Cordial que, infelizmente, ainda existe sub-repticiamente na sociedade contemporânea.

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