• Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    ÁREA DO
    ASSINANTE
    ESQUECEU SUA SENHA?
    Você receberá em seu e-mai uma nova senha para login.
    

    Assine 35 3529-2750

    Fale Conosco contato@clicfolha.com.br

    WhatsApp 35 9 9956-5000

    
    26/10/2018 10h27 - Atualizado em 26/10/2018

    Dia a Dia: As botinas novas do Tuco

    Maria Mineira - Especial para a Folha

    Há mais de meio século numa casinha de roça no interior mineiro, um casal conversava:
    — Jasminor, o Tuco já tá rapaizinho, si nóis fô na festa lá da cidade esse ano, temo qui comprá umas butina pr’ele, né memo?
    — Sei não, Merenciana, e os ôtro, vai discarço?
    — Nóis tem cinco fio e os cobre tá custoso, num dá pá comprá pá mininada tudo.
     — Os minino mais novo ispera, quando crescê ganha butina. Vai hoje na cidade vende umas galinha e incumenda só um par pru Tuco, manda fazê grande pá durá mais tempo, os pé dele inda vai crescê munto.
     O rapaz nem acreditou quando viu o pai chegar com um par de botinas novinhas:
    — Qui belezura, pai! Num querdito qui é pra ieu...
    — É procê i na festa lá na cidade, ixprementa, bamu vê si cabe os pé aí dento.
    — Ô trem bão, sô! Nossa, inda é das de gominha, iguali as butina do sô Teodorico, nosso patrão.
    A família toda se arrumou e se pôs a caminho da cidade. O Tuco diz que se lembra até hoje da alegria de andar uma légua na estrada poeirenta e ver os rastros no chão quando olhava para trás.
    — Ô gente, óia pá trais, só procêis vê qui bonito qui é os rasto da butina na puêra!
    Estava orgulhoso, já era um homem. Tuco gostou tanto das botinas que parava vez em quando na estrada colocava um pé e depois o outro num barranco, cuspia nelas e lustrava com o lenço para ficarem brilhando.
    Ficou o dia todo calçado, foi à missa, acompanhou a procissão num longo percurso, dançou no pagode caipira que durou até de madrugada e ainda voltou com a família pra casa. Tudo isso calçado com as botinas novas.
    A mãe preocupada fala ao marido:
    — Jasminor, manda o Tuco tirá as butina na hora de drumi.
    — Uai, Merenciana, já pelejei qu’ele e num dei conta de fazê ele tirá. Faiz três dia qui ele num tira essas mardita pra nada.
    — Acho qui nóis num feiz bem de dá butina pr’ele, bem qui os mais véio fala qui quem nunca cumeu melado, quando come se lambuza...
    Tuco tomava até banho de botina, quando ia lá no corguinho se lavava calçado mesmo. Um dia, amanheceu com febre e não deu conta de levantar cedo para ir pra roça com o pai.
    — Bamu tirá as butina do Tuco na marra, Jasminor, é isso que tá adueceno ele.
    — É memo, Merenciana, os pé dele parece que tá inté inchado, né?
    Enquanto o rapaz dormia com efeito de um chá que a mãe preparou para baixar a febre, o pai foi tirar as botinas do filho, que pareciam cimentadas em seus pés, não queriam sair. Quando conseguiu, gritou para a mãe do rapaz:
    — Merenciana do céu! As disgramadas é qui tava dexano nosso minino duente, vem vê só... As zunha du Tuco ficaro tudo lá dendas butina. 

    Mais sobre a editoria

    Guia da Cidade
    INCLUA SEU ESTABELECIMENTO

    Assine (35) 3529-2750

    Fale Conosco contato@folhadamanha.com.br

    WhatsApp (35) 9 8829-8351

    © 1984 - 2019 Folha da Manhã. Todos os direitos reservados.
    Desenvolvido por Mediaplus