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    28/09/2018 09h28 - Atualizado em 28/09/2018

    Dia a Dia: A televisão, a jiboinha e os porquim fujão

    Maria Mineira - Especial para a Folha

    Depois que o Manuel do Juca viu televisão primeira vez, ficou invocado. Ele queria uma de qualquer jeito. Logo, soube que se construísse uma pequena usina no Rio Samburá, que cortava a sua fazenda, teria luz elétrica e o tão sonhado aparelho. Vendeu um lote de bois e, dali a poucos meses, viu sua fazenda iluminada e o sonho realizado.
    Foi uma festa em toda a vizinhança. Aos finais de tarde todos se reuniam para assistirem as novelas durante a semana e aos jogos de futebol nos domingos.
    Certa vez, a enchente destruiu o açude da usina. Manuel do Juca chamou o povo para fazer um mutirão e consertar os estragos. Não apareceu uma viv’alma para ajudar. Ele, já de couro curtido com seus compadres e vizinhos, saiu cedinho de casa, disposto a fazer alguma coisa. Foi logo para a casa do vizinho João Fulô.
    — Bom dia, cumpadi João!
    — Dia, cumpá Mané...
    — O cumpadi anda munto apertado de sirviço esses dia?
    — Ihhh, nem mi fale! O cumpadi querdita qui os meus leitãozin arrombaro o chiquêro e iscapuliro tudo? A muié tá braba mode quê ês tão fuçano na horta de côve. O pió é que ieu tô cum medo dês mexê na prantação de mandioca. Si contecê isso, esse ano nóis num faiz porvio... Vô gastá uns trêis dia pá rumá o manguêro e fechá os porquim lá travêis.
     —Ah... Esses bicho dá trabaio memo... mais podexá... Vim vê se o cumpadi tivesse a tôa, ieu ia querê que fosse cumigo lá no Bambuí, num leilão de gado, mode mi ajudá iscoiê umas vaca leitêra, qu’eu tô quereno comprá.
    — Uai, intão é prá isso qui o cumpadi vêi aqui in casa?
     — É, mas já qui ocê num pode, eu chamo o cumpadi Oripe...
    — Quê que isso? Indeus de quando ieu falo um não pro cumpadi? Pensano mió, esses porquim tão sorto faiz tempo, e nem passaro perto do mandiocar, num é agora qui ês vai fuçá lá, né memo?
    Manuel, após combinar a hora da viagem do dia seguinte com o compadre, foi para o próximo sítio.
    Oripe do Januário viu o compadre Manuel chegar e ficou ressabiado, se lembrando da arrumação do açude.
    — Dia, cumpade Mané! Bamu chegá...
    — Dia cumpadi, a demora é pôca... Faiz tempo qui ocêis sumiro lá de casa, uai. Ieu quiria sabê se ocê tá munto apertado de sirviço esses dia...
     — Nóoo... Cumpá Mané do céu!... Nem mi fale de apêrto sô! Faiz uns dia qui ieu num tenho sussego...
    — Uai, tem arguém perrengue na famia?
    — Não. Grazadeus num é duença, não! É a Jibóinha qui sumiu... A vaca mió de leite qu’eu tenho. Já pelejei pá achá ela, campiei nessas grota, nesses pasto e inté hoje nada. Num vi urubu avuano, ela tá é escondeno a cria... Vaquinha trêtera tá ali!
     — Ah... Intão vombora, num quero istrová (,) não. Ieu vim vê se o cumpadi tivesse forgado, ia te chamá pá i cumigo no Beraba, mode vortá guiano uma das caminhonete, pruquê ieu vô comprá uma D20 nova.
    —Cumpá Mané do Céu! Indeus de quando ieu dexo de ajudá um amigo? Num vô te fazê uma disfeita, sô! Vô cocê no Beraba!
     — E a vaca Jibóinha? Cê num tem qui campiá ela nos pasto dos vizinho?
    — Mais óia só procê vê... Inté parece milagre! Se num me faia as vista... Si tô vendo dereito... Acho qui cabei de avistá a fedazunha da vaquinha amoitada! Óia ali, ispia uns chifre apontano... Bem no mêi dos imbiri do corguim...
    Seguiu caminho, agora indo para o sítio do Joaquim Duardo.
    — Cumpadi Mané... Que bão vento ti traiz aqui? Falou Izilda, a esposa do Joaquim.
    — Boas tarde, cumade Izirda, o cumpadi Joaquim tá in casa?
     —Joaquimmmm!— Gritou Izilda. — Cumpade Mané tá qui, vem cá, home!
    Joaquim apareceu na porta com cara de sono.
    —Vamu apiá do cavalo e entrá pá dentro, bebê uma água doce...
    — Outro dia cumpadi, ieu vim vê se ocê pode me ajudá...
     — Bem qui eu quiria, mas o cumpadi num sôbe qui a dona Girtrudi, vó da Izirda, tá morre num morre?
    — Num subi não... Tadinha da dona Tude, intão já vô ino. Eu vim memo só pá vê se ocê podia ir cumigo amanhã lá no Araxá comprá uns adubo... Num gosto de viajá de carro suzim...
    — Eu vô demais da conta! Devo muntos favor procê, sô!
    — Mais... E a dona Tude?
    — Ahhh.... Qué sabê duma coisa ? Pote ruim num quebra! Onte memo, inda falei pá Izirda, — Muié, sua vó inda vai interrá nóis tudo! Ô véia custosa pá morrê! Credo!
    Noutro dia cedinho, apareceu mais de uma dúzia de compadres na casa do Manuel do Juca, prontos para a viagem. Porém, este avisou ter adiado para a outra semana e para que não perdessem as pernadas entregou-lhes as ferramentas para o trabalho no açude da usininha e a consequente volta da luz elétrica e da televisão.

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