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    10/08/2018 06h00 - Atualizado em 10/08/2018

    PF prende por tráfico de transexuais

    FRANCA - A Polícia Federal informou que o esquema de tráfico internacional de transexuais brasileiras descoberto pela Operação Fada Madrinha, deflagrada nesta quinta-feira, 9, tinha pelo menos três núcleos criminosos, sendo um em Franca (SP), onde um casal foi preso apontado como líder da quadrilha.
     
    O homem e a mulher eram responsáveis por aplicar o silicone industrial nas vítimas - o que é proibido pelo Ministério da Saúde - e chegaram a enviar pelo menos sete pessoas à Itália em 2017. Os outros municípios apontados como “sede” do esquema são Aparecida de Goiânia e Jataí, em Goiás.
     
    De acordo com a delegada da Polícia Federal Luciana Gebrim, o casal se denomina “empresário” por vender roupas, sapatos e promover shows para o público transexual. Nas rede sociais, o homem se chamava de “bombadeira”, porque aplicava o silicone industrial e fazia propaganda do serviço. Pelo menos 14 vítimas foram resgatadas em uma casa de Franca, administrada pelos dois suspeitos, durante a operação, nesta quinta.
     
    “O próprio investigado aplicava o silicone industrial nas transexuais. Ele determinava a quantidade a ser aplicada e o local do corpo onde deveria ser aplicado. Tudo isso a um preço superfaturado. Para pagar essas dívidas, as transexuais tinham que se prostituir nas ruas de Franca e também na casa onde eram exploradas a qualquer hora do dia”, disse a delegada.
     
    Outras duas pessoas foram presas, entre elas uma mulher de São Paulo que atuava na Itália e voltou ao Brasil. Oito mandados de busca e apreensão, expedidos pela 2ª Vara Federal de Franca, também foram cumpridos.
     
    Além de Franca e da capital paulista, as ordens foram executadas em Goiânia (GO), Aparecida de Goiânia (GO), Jataí (GO), Rio Verde (GO) e Leopoldina (MG). A operação foi deflagrada pela Polícia Federal, pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e Ministério Público Federal (MPF). Em Goiânia, a força-tarefa resgatou 18 pessoas supostamente mantidas em regime de escravidão para poder quitar dívidas com cirurgias plásticas.
     
    A investigação teve início em novembro de 2017, quando a Polícia Federal recebeu a denúncia de que jovens eram aliciados pelas redes sociais, com a promessa de procedimentos cirúrgicos faciais e corporais, para transformá-los em transexuais.
     
    A quadrilha também prometia a participação das vítimas em concursos de miss na Itália. Entretanto, ao chegarem a Franca, as transexuais eram submetidas à exploração sexual e condição análoga à escravidão.
     
    Diária de R$170 e punição
    A Polícia Federal informou ainda que as transexuais exploradas sexualmente e traficadas para a Itália pela quadrilha eram mantidas aprisionadas na residência de Franca e obrigadas a se prostituir para pagar diárias de R$170. Caso não obtivessem o valor todos os dias, as vítimas eram agredidas com barras de ferro e pedaços de madeira com pregos, ou deixadas nuas em rodovias da região.
     
    “Para realizarem o seu sonho, teriam que pagar uma diária, dos quais R$70 eram para hospedagem e alimentação, R$50 para aquisição de roupas, perucas, sapatos e outros acessórios fornecidos exclusivamente pelos investigados, e os outros R$50 da chamada ‘poupança da transição’, para financiar os procedimentos cirúrgicos, prótese mamária e silicone industrial”, explicou Luciana Gebrim.
     
    As 14 transexuais resgatadas do imóvel nesta quinta-feira passaram por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Franca. Elas devem ser acolhidas e assistidas pelo MPT. O local de destino delas não foi informado pela procuradora.
     
    Transformação corporal
    A Operação Fada Madrinha identificou também que, depois de aplicar o silicone, os investigados encaminhavam as vítimas para clínicas médicas, que realizavam implantes de próteses mamárias. Há indícios de que algumas transexuais tenham recebido materiais provenientes de reúso.
    “Algumas das transexuais que fizeram implante nas clínicas investigadas tiveram sequelas. Algumas tiveram necrose no tecido e há comentários no grupo delas de que essas próteses eram reutilizadas: de outras transexuais, que eram deixadas nas clínicas e os médicos reaproveitavam”, afirmou a delegada da PF.
    Segundo o Ministério Público Federal, as investigações constataram ainda que os criminosos aplicavam silicone industrial nas transexuais para modelagem de bocas, quadris e mamas, dentro da casa, em Franca. “A gente pensa que é muito importante que esse assunto venha à pauta da sociedade até para que essas pessoas que são exploradas dessa forma possam ser vistas com olhos de maior cuidado e maior tutela por toda a sociedade”, disse a procuradora Sabrina Menegário.
     
    Tráfico Internacional
    A PF detalha que as transexuais também eram obrigadas pelos suspeitos a adquirir itens deles próprios, como roupas, perucas, sapatos etc., o que as levava a um ciclo de endividamento interminável.
    “As vítimas consideradas mais bonitas e promissoras eram enviadas à Itália para a participação em concursos de misses, tudo a expensas dos investigados, o que dava causa a um novo ciclo de endividamento”, explicou a nota enviada pela PF.
    Ao chegarem à Itália, no entanto, as transexuais eram novamente submetidas à exploração sexual para o pagamento de dívidas com o grupo criminoso. Segundo a PF, havia uma “parceria comercial” entre os investigados, mediante o “intercâmbio” de vítimas. Agentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT) acompanharam a operação nesta quinta-feira.
    Os criminosos também anunciavam a venda dessas transexuais pela internet, por cerca de US$15 mil. O MPF informou que ao menos 11 transexuais foram traficadas pela quadrilha para a Itália no ano passado.
    De acordo com a PF, os investigados responderão pelos crimes de tráfico internacional de pessoas, redução à condição análoga à de escravo, associação criminosa, rufianismo e exercício ilegal da medicina.
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