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    08/08/2018 11h09 - Atualizado em 08/08/2018

    Anavitória ainda canta o amor

    Álbum ?Tempo É Agora? chegou de surpresa nas plataformas digitais na última sexta-feira, 3, com versões de músicas do longa delas e inéditas

    PEDRO ANTUNES especial para folha
    Tinha uma pureza ali, nos versos de Ana Caetano, a metade compositora do duo Anavitória, formado ao lado de Vitória Falcão, na última faixa do disco de estreia da dupla nascida em Araguaína, no Tocantins: “A cama tá reclamando / A casa te chamando / Vem logo me ver / Tô te esperando entrar / Não precisa bater”, cantam as duas, Ana e Vitória, em Nos, faixa que encerra o álbum de 2015. Inocente. Singelo. A beleza reside na simplicidade de uma cama que, vazia, chama por alguém que não está lá. Mas a doçura dos vocais dobrados, das cordas acariciadas do violão sugeriam mais um atraso da figura sobre quem cantam do que uma ausência definitiva.
    Mas isso foi lá em 2015 e essas canções foram escritas por Ana Caetano quando ela passava dos 15, 16 anos de idade. Inocência e a candura de quem ainda precisava viver grandes amores e suas consequentes desilusões faziam da estreia do duo, agenciado pelo empresário de Tiago Iorc, um bem-vindo otimismo frente à música brasileira mainstream que pensava e sentia pouco.
    Dois anos depois, quando o segundo álbum delas O Tempo É Agora chegou de surpresa, na última sexta-feira, 3, é curioso notar como a inocência se perdeu. Ainda são Anavitória, mais otimistas do que qualquer outra coisa, mas suas canções agora sofrem. Porque nem tudo são flores, pés descalços e camas preenchidas, afinal.
    A começar por Ai, Amor, música responsável por abrir O Tempo é Agora (produzido por Moogie Canazio e, novamente, por Tiago Iorc). Cantam, juntas ou separadas, sobre a espera. De novo. Agora, a porta não deve abrir, o outro alguém não vai chegar. “Ai, amor / Será que tu divide a dor / Do teu peito cansado / Com alguém que não vai te sarar? / Meu amor / Eu vivo no aguardo / De ver você voltando, cruzando a porta”, diz o refrão, mais uma vez escrito por Ana Caetano – uma compositora, aliás, cada vez melhor: sem depositar peso demais nas metáforas, tratando de sentidos e sentimentos.
    O Tempo É Agora também expande o escopo sonoro das duas garotas de 23 anos, acrescenta mais camadas às canções – estas, por sua vez, também mais densas. Amar é bom, afinal, mas Anavitória percebe, como a gente, que às vezes dói.
    Há dois anos, Matheus Souza apresentou em Gramado seu filme mais simpático. Talvez não seja um grande elogio, mas Tamo Junto possuía um encanto todo especial. O filme conta a história de dois amigos, Felipe/Leandro Soares e Paulo Ricardo, interpretado pelo diretor. Felipe fica solteiro e descobre que não quer curtir a vida adoidado e, sim, reconquistar seu antigo amor, ainda no tempo de escola, Sophie Charlotte. Paulo Ricardo, pelo contrário, quer transar muito e se entupir de drogas. A graça – até transgressora – do filme é que ambos vão atingir seus objetivos.
    Ana e Vitória parece agora uma versão feminina de Tamo Junto – Tamo Junta. As cantoras Ana Caetano e Vitória Falcão irromperam no cenário musical com seu pop rural em 2015. Como duo, Anavitória, tudo junto, conquistou o Grammy e uma legião de fãs. Chegam agora ao cinema. O filme já começa musical. Ana e Vitória cantam e, antes mesmo que elas apareçam, a câmera movimenta-se no meio de jovens que não desgrudam de seus celulares, e que também cantam. Na trama, as duas garotas conhecem-se numa festa. Gostam de cantar, e resolvem formar uma dupla. São descobertas por um empresário do Rio, fazem sucesso, ganham até um disco de platina. Mas, exatamente como Felipe e Paulo Ricardo, Ana está atrás de um amor sincero e Vitória disposta a vivenciar o amor livre.
    A partir daí, Matheus Souza entra na onda da comédia musical, integrando as canções (e suas letras) na narrativa. O que poderia ser um risco vira um filme ágil e divertido, mas principalmente moderno. Num Brasil cada vez mais polarizado e no qual os preconceitos se transformam em agressões verbais e físicas, o filme de Matheus fala de tolerância. Amores e relações são encarados sem os pressupostos de certo e errado, bom ou mau. Cada um sabe de si e das suas necessidades afetivas. Tudo o que não agride nem ofende é para ser tolerado.
    Esse frescor que o filme possui deve-se muito às meninas. Há muito de autobiográfico na história de Ana e Vitória, e elas se tornam cada vez mais naturais em cena. Se o tema é o amor, tem de haver parceiros, que o filme vai introduzindo, sempre deixando uma pergunta no ar. Será que vai dar certo? As reviravoltas são muitas, mas, no final, tudo dá certo, exatamente como em Tamo Junto. Não vai nisso nenhum spoiler, porque você não sabe como serão esses pares. Com um diretor inteligente, e antenado, o cinema torna-se ferramenta para agradar ainda mais os fãs de Ana e Vitória.
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