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    30/07/2018 08h33 - Atualizado em 30/07/2018

    Professora Nota 10 começou a lecionar na zona rural de São Sebastião do Paraíso

    Da Redação
    S. S. DO PARAÍSO - Aos 10 anos de idade, Elenir Novaes saiu de casa, na zona rural de São Sebastião do Paraíso, para continuar os estudos na cidade. Na época, as escolas rurais só ofereciam oportunidade de estudar até o chamado 4º ano. Elenir, filha de professora na roça, foi morar com os avós na cidade e, aos 16 anos, já havia concluído o Curso Normal, que habilitava para lecionar no magistério de 1º grau, e começou a ser professora em escolas da zona rural do município. “Naquela época, não tinha transporte escolar e a gente tinha que vir para a cidade estudar”.
    Hoje, aos 44 anos, com quase 30 anos de experiência em magistério como professora do ensino fundamental na rede pública, ela vê o resultado dos esforços, da perseverança e da dedicação que tem investido em sua profissão: no início de outubro, ela vai a São Paulo participar da premiação Professor Nota 10, a mais importante do país, promovida pela Fundação Victor Civita. Ela é uma dos dez finalistas que estão na disputa pelo prêmio principal, o de Educador do Ano, mas já garantiu  o título de Professor Nota 10 na edição de 2018, com direito a um prêmio de R$15 mil e o reconhecimento pela sua carreira no magistério. “Acho que, quando a gente se dispõe a aprender sempre, melhorar o nosso trabalho e se dedicar àquilo que a gente gosta e faz, os resultados aparecem. Estar entre os dez finalistas, para mim, já é um grande reconhecimento do meu trabalho”, afirmou ela em entrevista à Folha da Manhã na última sexta-feira.
    Desde o começo, quando dava aulas para quatro turmas na mesma sala, do 1º ao 4º ano, como era o costume nas escolas de roça nos anos 90 do século passado, até hoje, Elenir fez graduação em Educação Superior e três cursos de pós-graduação, um de supervisão, orientação e inspeção, um de gestão educacional e outro de psicopedagogia. 
    Elenir fala com indisfarçável carinho sobre a evolução no aprendizado de matemática que seus alunos do 3º ano na Escola Municipal Campos do Amaral vêm demonstrando desde o início do ano, quando desenvolveu e implantou o projeto “De Cor e Salteado” na sala de aula. Foi esse projeto que ela encaminhou à premiação da Fundação Victor Civita para a premiação de 2018 e que concorre à final em outubro. Esta é a terceira vez que a professora participa do prêmio Educador Nota 10. A primeira foi em 2015, com um projeto sobre tabuada desenvolvido para alunos do 5º ano, que ficou entre os 50 finalistas, e a segunda foi em 2016, com um projeto sobre língua portuguesa, mas que não ficou entre as etapas classificatórias. No ano passado, ela lecionava no programa de Educação para Jovens e Adultos (EJA) e não participou da premiação.
    Neste ano, Elenir resolveu fazer o projeto “De Cor e Salteado” ao verificar que seus alunos do 3º ano apresentavam dificuldades em resolver problemas simples de matemática, em operações de adição e subtração. “Eu vi que em muitos casos eles estavam presos ao que a gente chama de fazer mecânico, que são as fórmulas consagradas para resolver as operações de matemática, e não tinham segurança para tentar buscar resolver essas operações de outras maneiras, usando o raciocínio e a criatividade, e eu quis mostrar que eles podem usar várias alternativas para fazer os cálculos. Nesse tipo de questão de matemática, o resultado tem que ser um só, mas as maneiras de se chegar a ele podem ser diferentes”, ensinou a professora.
    Sem precisar de laboratórios ou recursos dispendiosos, Elenir recorreu a jogos e exercícios lúdicos para estimular seus alunos a fazer cálculos de cabeça e a perceber que a matemática está presente no cotidiano de todos nós. “Um dos recursos foi usar um antigo joguinho que as crianças da minha época gostavam muito, que era o Stop, normalmente feito com palavras de nomes de filmes, música, cores, plantas, cidades, países e pessoas, mas só que com números e operações de adição e subtração, onde os alunos têm que fazer as contas para chegar aos resultados corretos”, disse.
    Dá para sentir o carinho quando ela fala da evolução de seus alunos na aprendizagem de matemática, que, independente do resultado final da premiação, a professora Elenir já conquistou muito com o projeto que ensina as crianças a fazer cálculos. “A gente conhece e acompanha cada aluno e, além da análise quantitativa que mostra a evolução nas notas das provas da classe toda, fazemos uma análise qualitativa e, nessa análise, eu vejo que um aluno que tira uma nota 6, por exemplo, às vezes teve uma evolução até melhor que um aluno que tira nota 9 ou 10, porque aquela nota 6 representa mais que um esforço e um aprendizado maior, representa uma superação. E hoje eu percebo que os alunos estão mais confiantes em buscar fórmulas para resolver os problemas, estão mais criativos”, disse.
    Casada com Osmar Novaes, Elenir tem um filho de 22 anos, Gabriel Oliveira Novaes, que estuda Engenharia Mecânica na Universidade Municipal de Franca (Unifran) e já sabe o que vai fazer com o prêmio de R$15 mil que faturou na etapa finalista do Educador Nota 10. “Este ano, eu e meu marido completamos 25 anos de casados e já estávamos programando uma segunda lua de mel. Agora, a viagem vai ficar ainda melhor”, afirmou.

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