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    18/07/2018 12h26 - Atualizado em 18/07/2018

    Passos recebe dueto inédito de Mignone

    FERNANDO ARAÚJO E CELSO FARIA APRESENTAM NO 2º FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE PASSOS ?OS MANUSCRITOS DE BUENOS AIRES?, OBRAS TOCADAS APENAS EM DUAS OUTRAS CIDADES

    Adriana Dias
    As obras do compositor, pianista, regente, professor e flautista Francisco Mignone, que nasceu em São Paulo em 1897 – e faleceu no Rio de Janeiro em 1986 – reconhecido como um dos maiores compositores brasileiros do século 20, chegam a público, graças à defesa da tese de doutorado do violonista Fernando Araújo, em trabalho e apresentação notáveis. Passos recebe os músicos em apresentação quase inédita para o 2º Festival Nacional de Teatro de Passos, nesta sexta-feira, 20, a partir das 19h30 no Palácio da Cultura. Os Manuscritos de Buenos Aires têm quatro peças brasileiras que compreendem “Maroca”, “Maxixando”, “Nazareth” e “Toada”, “1ª Valsa Brasileira”, “2ª Valsa brasileira” e “Canção” – todas ausentes dos levantamentos e catálogos da obra de Mignone — e “Lundu”, única documentada anteriormente.
    Essas obras, conforme disse o passense Celso Faria, foram encontradas em um saco de lixo deixado em uma rua de Buenos Aires em 2009, o que deu início a uma descoberta preciosa, que só viria a público recentemente, graças à curiosidade de um porteiro e a um bocado de sorte. Cheio de partituras, o saco foi resgatado na entrada de um conjunto de edifícios onde funciona o Instituto Nacional de Musicologia Carlos Vega — e levado para lá, onde passou quase dois anos guardado, em um canto. Restaurados e catalogados pela musicóloga Silvina Mancilla, coordenadora de música erudita da instituição, os manuscritos salvos pelo porteiro acabaram caindo em mãos de brasileiros, que reconheceram ali um acervo até então desconhecido.
    No bolo, havia peças para violão do compositor paulistano Francisco Mignone, escritas para o Duo Pomponio-Zárate — formado pelo casal de violonistas argentinos Graciela Pomponio (1926-2007) e Jorge Martínez Zárate (1923-1993), concertistas de renome internacional que tocaram nos melhores salões e teatros da Europa e dos Estados Unidos na década de 1960. Sem registro fonográfico e inéditas no Brasil, as partituras de Mignone inspiraram a tese de doutorado do violonista Fernando Araújo, na UFMG, também a partir de um feliz acaso.
    De acordo com Fernando Araújo, em 2012, um professor de Minas procurava em Buenos Aires peças para contrabaixo. “Silvina nos mencionou que havia partituras de música brasileira no Instituto Carlos Vega. Ao ver as imagens enviadas, percebi que eram de grande importância”, contou Araújo, que passou a estudar e fez sua tese em cima dessas obras.
    De acordo com o passense, Mignone foi talvez o músico mais completo que o país já teve. “Ele era compositor de primeira plana, excelente professor, experimentado regente, virtuose do piano, acompanhador insuperável, hábil orquestrador, notável intérprete da música de câmara, poeta aceitável, escritor cheio de verve, intelectual de ampla cultura geral, tornou-se uma das figuras mais importantes da história da música brasileira. E possuía esse tesouro inestimável que tão poucos compositores patrícios chegaram a adquirir - métier, um dos segredos de seu sucesso”, disse, parafraseando o historiador Vasco Mariz.
    Os referidos manuscritos contêm obras para duo de violões escritas em agosto de 1970 e dedicadas ao casal de violonistas argentinos Graciela Pomponio e Jorge Martínez Zárate, que formavam o Duo Pomponio-Zárate. Essas peças permaneciam, com exceção de uma (“Lundu”), inteiramente desconhecidas e ignoradas pela comunidade musical e acadêmica no Brasil, estando ausentes de todos os catálogos e literatura dedicados à obra de Mignone.
    Trata-se, portanto, de pauta valiosa para o apreço de jornalistas atentos ao segmento artístico e musical, professores, músicos, entre tantos que possam perceber a importância significativa de um trabalho que merece ser publicado e, ainda registrado fonograficamente, por Fernando Araújo. Afinal, ainda são raras as oportunidades de fácil acesso a conteúdos de teses úteis e atemporais.
    “A descoberta de uma coleção como essa é como a descoberta de um novo ‘jardim de veredas que se bifurcam’”.
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