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    22/02/2018 15h23 - Atualizado em 22/02/2018

    Um retrato fiel da degradação de um viciado

    Da redação
    Billy Wilder entraria para a história como um dos maiores diretores de Hollywood, tal reconhecimento que ele conquistou não foi devido apenas à qualidade de suas obras, mas também à sua versatilidade. Wilder transitou com desenvoltura por diversos gêneros cinematográficos dentre eles, o drama, o noir e a comédia, deixando como legado uma das filmografias mais importantes do século XX. Produções como Crepúsculo dos Deuses (1950), A Montanha dos Sete Abutres (1951), Quanto Mais Quente Melhor (1959) e Se Meu Apartamento Falasse (1960) se tornaram alguns dos maiores clássicos da história da sétima arte, sendo ovacionados pelo público e pela crítica. O diretor foi um dentre tantos, que na primeira metade do século passado, deixou a Europa e foi para os Estados Unidos fugindo da guerra, sua mãe e avós maternos foram mortos em Auschwitz.
    Ao chegar na América em meados da década de trinta, Wilder firmou uma duradoura parceria com o roteirista e produtor Charles Brackett. Farrapo Humano (1945) foi um dos frutos desta colaboração, dirigido por Wilder e produzido por Brackett, o filme rendeu o Oscar a ambos, respectivamente na categoria de Melhor Direção e Melhor Filme. O filme ainda ganharia o prêmio em duas das outras cinco categorias a que fora indicado. O longa, em cartaz no Cine Clube Pipoca & Bala Pipper na próxima terça-feira, em Passos, foi o primeiro a tratar o alcoolismo abertamente como um drama, deixando de lado a figura cômica do bêbado, que o cinema explorava até então. O realismo contundente da trama, reforçado pela atuação magistral de Ray Milland, que interpreta o personagem principal, tornariam o longa um dos retratos mais fiéis da degradação de um viciado.
    Ao narrar o drama de Don Birnam (Milland), Farrapo Humano tocou em uma verdadeira ferida da sociedade americana. Desde o período da recessão econômica e da Lei seca, o alcoolismo já era tido como um dos principais problemas sociais dos Estados Unidos. Durante os anos 30, a proibição do comércio de bebidos alcoólicas, ao contrário do que o Estado esperava, tornara o problema ainda mais  grave, impulsionando ainda mais o consumo (o velho fetiche da proibição: o que é proibido é mais prazeroso) e deixando lotadas as instituições que davam assistência aos viciados. O brilhantismo do longa está em retratar esta realidade sem usar nenhum atenuante, a adaptação nos induz a mergulhar no fundo do poço junto com o personagem principal e provar cada uma das sensações que ele experimenta, iniciando assim um processo que caminha para a catarse. 
    A história, como o título original do filme sugere, está centrada em um final de semana na vida de Don Birman, mas o recurso de flashback é usado para nos mostrar que a situação vivida por ele teve um início relativamente banal e que pode acontecer com qualquer um. Don era tido como um promissor escritor na época da faculdade, porém ao se formar ele se vê diante de um hiato, ele se convence de que não consegue escrever se não estiver sob o efeito da bebida. Passando a beber cada vez mais, ele já não consegue mais se concentrar e escrever uma linha sequer. A dependência afeta suas relações e a forma com que seus vizinhos e amigos o vêm. Por não tem um emprego, Don passa a viver às custas do irmão, Nick (Phillip Terry), que paga seu aluguel e o dá o que vestir e comer. Além de Nick, a única pessoa que se preocupa com ele e acredita em um recomeço é Helen St. James (Jane Wyman), sua namorada.
    Além do roteiro excelente, Farrapo Humano se destaca pela fotografia e pela trilha sonora, que dão a noção precisa da forma com que o personagem principal enxerga sua realidade.

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