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    04/09/2017 09h08 - Atualizado em 04/09/2017

    Passenses falam sobre a transição

    Adriana Dias - da redação
    ulação regional acompanhou o drama vivido pela personagem Ivana, interpretada por Carol Duarte, em  “A Força do Querer”. Na trama das nove, a personagem está passando por momentos decisivos para descobrir sua verdadeira identidade de gênero. Em Passos, algumas pessoas passam por este mesmo processo de reconhecimento do próprio corpo. A florista, Rhana Damasceno, o estudante de Moda, Levi Alvarenga e o estudante de Biologia, Fran Lima contam um pouco deste reencontro consigo mesmos, que, segundo a sexóloga Priscila Junqueira, deve ser acompanhado com cuidado para não causar traumas.
    Para a florista Rhana Damasceno, 35, que nasceu Rander Antonio Damasceno, a transição de sexo foi tranquila, mesmo isso tendo ocorrido há quase 20 anos. A passense conta que teve a sorte de uma mãe muito amiga e compreensiva. E de um pai ausente, que facilitou o processo de mudança. Por  incrível que pareça, hoje (anteontem) é um dia marcante, afinal, em 30 de agosto ela colocou as últimas próteses, há 9 anos e passou a se olhar e ver exatamente quem era. 
    “Antes dos 15 anos, eu era presa em um corpo estranho. Nem de casa eu gostava de sair. Mas conheci algumas pessoas que foram importantes na minha vida. Alguns amigos que me ajudaram. Comecei a tomar hormônios escondida da minha mãe. Quando fiz 17 anos, fiz aplicação de silicone no bumbum e já me assumi mulher. Foi incrível”, contou Rhana.
    Apesar de ser hoje uma profissional reconhecida por seu trabalho, Rhana conta que já teve que se submeter a trabalhos como garota de programa para conseguir recursos e pagar as próteses e uma cirurgia de rinoplastia. “Não me envergonho nem um pouco, pois eu não tinha como pagar de outra forma. Tive oportunidade de ser cabeleireira e florista e sou feliz. Terminei o Ensino Médio e agora meu próximo passo é conseguir recursos para fazer meus documentos. O CPF já alterei, pois este é de graça”, contou.
    Questionada sobre a cirurgia de troca de sexo, Rhana disse que até já pensou, mas mudou de ideia após algumas amigas que fizeram a operação confessarem terem se arrependido. “Eu seria uma trans mutilada. Não é necessário”, disse.
    Com relação à cena da novela em que Ivana conta para os pais, Rhana afirma que houve, no caso da novela, muito drama no seu entendimento. “Até pode ser assim, mas não foi o que aconteceu comigo no processo de transição. Mas entendo”, disse.
    Já Levi de Lima Alvarenga, 20, estudante de Moda e Design na Universidade do Estado de Minas Gerais, nunca se entendeu uma menina, mas para ele o processo de transição tem sido a melhor fase de sua vida. Ainda não conseguiu mudar todos os seus documentos, mas já tem o CPF atualizado, o que é comemorado.
    Ele explica que sempre soube, desde criança, estar preso a um corpo que não era o que se via. “Eu não sabia dizer ao certo o que era, por não ter acesso às informações sobre a identidade de gênero. Eu posso dizer que esse processo da minha transição tem sido a melhor época da minha vida, sem dúvida nenhuma”, afirmou.
    Levi acredita ser uma pessoa de sorte por nunca ter sofrido nenhum preconceito e já começou o uso de hormônios. “Apenas olhares, mas diretamente comigo nunca. Meu processo de transição com os medicamentos começou tem menos de dois meses, as mudanças físicas ainda não começaram visualmente, mas já sinto que minha voz está começando a oscilar, e alguns amigos mais próximos conseguem identificar que tem algo diferente quando me vêem. Estou bem ansioso pelas mudanças”, comentou.
    Sobre contar para os pais, Levi lembra que achou que seria difícil falar com a mãe, por conta da religião dela, mas que ela entendeu, após o estudante ter mostrado documentários e estudos sobre a transexualidade. “Minha mãe foi bem compreensiva. E todos os meus amigos me apoiaram e ainda apoiam muito, que inclusive é algo bastante importante pra mim agora”, salientou.
    Questionado se houve alguém a quem recorreu ou tenha se inspirado, para esta transformação, Levi diz que buscou em si mesmo e teve ajuda de uma ex-namorada. “Todos os meus pensamentos, o que eu criava de mim antes de começar a mudança, porque eu nunca me vi no meu corpo, então é como se eu tivesse projetado outra pessoa dentro da minha cabeça, e sempre que eu pensava sobre mim mesmo era com essa projeção, que agora no caso, tem sido eu mesmo. Mas força, eu recebi muita da minha ex namorada, inclusive sou muito grato por ela sobre isso”, disse, acrescentando que por ter começado a trabalhar e dar prosseguimento aos estudos ainda não está fazendo academia, mas será seu próximo passo.
    O chefe de Levi, o empresário Orlando Andrade, falou sobre a importância de respeitar o ser humano antes de qualquer crítica. “O Lê já trabalhava conosco quando decidiu passar pelo processo de transição e para nós aqui o que importa, de verdade, é sua integridade. É um excelente profissional, e as mudanças físicas não tem qualquer problema para nós. Eu entendo e respeito”, disse Orlandinho que cedeu o espaço da loja Cave para as fotos desta reportagem.
     
     
    Hormonização deve ter acompanhamento profissional
     
    PASSOS – No registro de nascimento está grafado Francielle Taíse Pereira Lima. Mas a essência do ser humano que está no corpo de Francielle é, e sempre foi, Francys Mark Pereira Lima, 30. Cursando Ciências Biológicas na Uemg, este passense, que tem um filho de 11 anos, se vê realizada com novo CPF e uma nova vida. Ele alerta sobre o uso de hormônios, para que usem com acompanhamento profissional.
    “Sempre soube que minha cabeça não correspondia ao corpo. Mas desde pequeno sabia. Na adolescência eu não queria ter seios. Sempre via meu pai fazer barba e para mim foi difícil esta etapa, porque eu estava me tornando uma mulher e não queria. Não conseguia entender. Eu negava e há 15 anos o preconceito parece que era pior. Muitas vezes eu deixava de me amar para amar alguém. Quando comecei a entender, sabia sobre a Tereza Brant, hoje Tarso Brant (que está atuando na novela A Força do Querer), sobre  Thammy Gretchen, mas ainda assim não entendia o que acontecia comigo”, afirmou Lima.
    Viver 30 anos numa mentira é a definição que Fran Lima aponta. “No dia 21 de setembro do ano passado comecei meu processo de hormonização. Procurei uma médica particular fora de Passos, e ela me deu muito apoio. Resolvi cortar meus cabelos antes de tomar os hormônios. E me lembro que meu avô estava adoecido, o procurei e contei a ele. Minha mãe ficou dias sem falar comigo e ela nem sabia que eu iria fazer o tratamento. Meu avô foi o primeiro a saber. Contei com ele ainda no hospital, e ele disse: ‘se você quer ser homem, mais um homem para a família. Seja feliz’. Resolvi fazer o tratamento sem contar nada para meus pais. Contei para o meu filho, tenho um de 11 anos de uma tentativa de vida ‘normal’. Ele me apoiou bastante”, explicou.
    Ainda conforme Lima, no início do tratamento fica-se meio andrógeno. “Coincidentemente, nesta época, ganhei um intercâmbio para Portugal e precisei também fazer uma viagem para a Itália. Fui e fiquei três meses fora. A mudança maior aconteceu neste período. Minha mãe me via por fotos e skype, mas não percebeu direito as alterações. Ficou sabendo porque alguém contou que eu estava fazendo hormonização. Voltei e minha mãe foi conversar comigo, chorou muito. Ela dizia que não iria mais ver a menininha dela. Para ela eu seria sempre a menininha dela. Eu entendo, é difícil para os pais, que se acostumaram com a minha imagem de mulher. É difícil para qualquer pai e mãe. Tento dar tempo ao tempo e eu queria ser feliz e estou. De vez em quando ainda sofro um pouco por ver que ela sofre. E sofre mais que meu pai. Porque ela se acostumou com o meu feminino. É normal. Eu tive meu tempo para me descobrir e vou dar a eles o tempo que eles precisam. O importante é o respeito. Palavra principal. Passei minha vida toda tentando entender o que eu tinha de errado. Já tentei suicídio, por não entender o que estava de errado comigo. Se eu pudesse escolher, óbvio que gostaria de ter nascido dentro dos padrões de toda a sociedade, para não ter que passar por tudo isso. Mas é uma luta que vou viver. Como eu negava isso dentro de mim, tentei casar, ver se gostava de homem, tentei amigar com mulher. Eu gosto de mulher, mas eu não me amava, aí nada do que eu fazia dava certo. Deste relacionamento hétero, tive meu filho. A gente precisa se amar, olhar no espelho e se amar. Eu olhava no espelho e não me via. Colocava roupas femininas e sentia vergonha. E a sociedade aceita a lésbica, que tem que ser feminina, e a lésbica masculina ela gosta do corpo em si. O pai do meu filho é meu amigo, história grande e diferente da maioria dos transgênero”, salientou.
    Lima é contra rótulos, para ele o que importa é o ser humano, e não se ele é transgênero, mulher, homem, ou qualquer outra nomenclatura. “São cabeças diferentes umas das outras. Hoje olho no espelho e me amo. É um prazer enorme. Mostro para meu filho que precisamos nos amar e ser felizes, é o único sentido desta vida. Não me envergonho de ser mãe e um homem trans. Meu filho tem o pai dele e tem a mim, que sou sua mãe. E só temos uma vida para não sermos felizes. As crianças não tem preconceito. Ele vem dos adultos e piadinhas, que me incomodam muito. Ouço, que eu nunca vou ser homem, que vou ser uma mulher de barba. As pessoas têm que saber respeitar. Minha aparência não tem que incomodar o meu próximo, porque não tem necessidade do meu próximo implicar com o que eu tenho no meu genital e o conselho que dou a quem está se descobrindo é que lute para ser feliz. A novela está passando uma história e cada um tem uma história, mas vale por tratar do assunto e mostrar um pouco do que a gente sente”, orientou.
     
    Levi de Lima
    Levi de Lima

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Rhana Damasceno
    Rhana Damasceno
    Fran Lima gosta de fazer a barba e cortar os cabelos no Alessandro?s Barbearia; antes, quando mulher era vaidosa e se cuidava
    Fran Lima gosta de fazer a barba e cortar os cabelos no Alessandro’s Barbearia; antes, quando mulher era vaidosa e se cuidava

     

    Fran Lima
    Fran Lima

     

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