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    14/05/2017 06h30 - Atualizado em 15/05/2017

    "Nosso povo está decepcionado mais uma vez"

    Fbio Kallas | Foto: Arquivo FM
    Fábio Kallas | Foto: Arquivo FM

     Pela primeira vez depois das eleições de outubro de 2016, quando alcançou 24.523 votos (43,59%), o professor Fábio Pimenta Esper Kallas comenta nesta entrevista que gostaria de ter visto, no primeiro dia de atividades, a implementação de muitas das propostas de campanha. Para ele, o povo está decepcionado mais uma vez.
    “Tenho a tristeza de ver o estado de abandono que as ruas (...) Já foram 4 meses e não percebemos soluções definitivas. Os problemas são acudidos de forma emergencial, quando não há como postergar mais. Não penso que seja esta a forma que gostaríamos que nossa cidade fosse administrada. Não vemos trabalho para geração de empregos”. Ainda segundo ele, a cidade precisa ter uma linha de administração “que nos devolva principalmente a esperança”.
    Também pela primeira vez, ele faz um balanço do que foi a sua campanha, fala dos representantes políticos da cidade, do próximo pleito eleitoral e do futuro do ensino superior em Passos.

    Folha - Professor Fábio, a cidade de Passos tem o que comemorar neste aniversário de 14 de maio?

    R - Nossa cidade é uma das mais belas de Minas Gerais. Temos uma posição estratégica espetacular e um povo que tem ritmo de paulistas, pela forma com que trabalha e dedica a seus negócios. A estrutura que nossa cidade tem é de dar orgulho em todos nós: hospitais de qualidade, universidade, rede hoteleira, indústrias, comércio, prestação de serviços em geral, produção agrícola, restaurantes e muitos outros. Podemos receber qualquer pessoa em nossa cidade e acolher com o que há de melhor em qualquer lugar do mundo. Lembro que além de excelentes escolas de ensino médio, temos especialmente o Colégio Imaculada Conceição, do qual faço parte do corpo docente que faz 100 anos de presença em Passos. Temos muito com que nos orgulhar.
    Agora, quanto à nossa administração municipal, penso que nosso povo está decepcionado mais uma vez. Sabíamos que seria necessário tomar medidas de força e impacto imediatamente nesta administração. Como a cidade está em dificuldades de aplicação de suas políticas públicas nas diversas áreas, seria necessário, reduzir substancialmente o custo de contratação de pessoal e isso só pode acontecer com os cargos de confiança. Em nossa proposta, na campanha, falamos em uma redução mínima de 50 %, porque desta forma poderíamos ter uma economia próxima de R$ 400 mil reais mensais,o que daria para colocar os serviços da Santa Casa negociados, apoiar o Hospital Otto Krakauer em seu déficit mensal, melhorar os estoques de medicamentos do município e consolidar um trabalho de recuperação de ruas permanente. Uma ação desta mostraria a todos a seriedade e a nova forma de administrar e criaria um ambiente de apoio de todos para outras soluções necessárias
    Estamos, no Brasil, em Minas e na grande maioria dos municípios com sistemas de governo falidos. Este sistema de governo partidarista já provou que não funciona em nosso país. O retorno das políticas públicas é pequeno e pior que isso, os administradores acham que tudo esta indo maravilhosamente bem, enquanto que aqueles que dependem dos serviços públicos sofrem por todo período do governo.
    Nossa cidade tem mostrado que está sempre recebendo recursos crescentes ano a ano, basta conferir o orçamento que foi proposto com mais de 10% de aumento com relação ao anterior. Assim, se nossa receita aumenta, não há que se falar em crise. Há que se falar em forma de aplicar os recursos. Há que se perceber que a prefeitura tem aproximadamente 3000 funcionários. É um batalhão de servidores, preparados e disponíveis que precisam de motivação, de liderança para colocar todo seu potencial em prol da cidade. Não se faz isso, chamando 120, agora 111 pessoas, muitas delas em funções que não têm a menor noção do que fazer, para desenvolver o trabalho que todos esperamos pelos próximos anos em nossa cidade.
    Em nossa campanha, disse inúmeras vezes: Só saberemos que ganhamos a eleição, após 4 anos, quando olharmos para traz e dizermos - tivemos uma administração boa, enxuta, dedicada e competente. O caso contrário, será pago por todos, porque uma administração ruim traz dificuldades para todos. Todos nos pagamos a conta. E o tempo é muito longo para nosso povo que sofre em todas as esferas por incompetência e privilégios.

    P - Sobre a nova gestão municipal, qual a avaliação desses primeiros 4 meses da administração Renatinho Ourives?

    R - Gostaria de ter visto, no primeiro dia de atividades, a implementação de muitas das propostas de campanha. Como disse, temos servidores que precisam de liderança e isso não se consegue com o chamamento de 120 cargos comissionados com altos salários. O servidor olha seu chefe, que muitas vezes não tem conhecimento da área e se sente desmotivado. Sou professor da Uemg e passo pelas ruas próximas do campus universitário todos os dias e tenho a tristeza de ver o estado de abandono que as ruas daquele bairro e de outros estão. Já foram 4 meses e não percebemos soluções definitivas. Os problemas são acudidos de forma emergencial, quando não há como postergar mais. Não penso que seja esta a forma que gostaríamos que nossa cidade fosse administrada. Não vemos trabalho para geração de empregos. O tempo é muito rápido e os servidores comissionados deveriam estar debruçados em torno dos problemas, buscando soluções rápidas e permanentes. Precisamos ter uma linha de administração que nos devolva principalmente a esperança.

    P – Na última sexta, o prefeito exonerou 9 assessores especiais. Na sua opinião, essa decisão conseguirá reverter o desgaste que a administração teve ao fazer as nomeações?

    R - Não deveriam ter sido chamados. Não é suficiente esta exoneração. Há necessidade urgente de se reduzir drasticamente o número de comissionados, ou teremos 4 anos de reclamações de que o último prefeito deixou a cidade com muitas dívidas. Administrar não é apenas desfilar com o título. É assumir o ônus das decisões difíceis, mas necessárias.
    Por estas dificuldades que o prefeito tem hoje é que não fizemos promessas de cargos em nossa campanha. Queríamos ganhar as eleições, mas não vendendo caro os votos e o apoio dos partidos. Evitamos promessas que não seriam cumpridas, porque, minha forma de administrar é não ter receio de tomar medidas indigestas. Todo nosso grupo sabia que teríamos que tomar estas medidas e concordamos em nunca fazer promessas que comprometeria a forma que propusemos de administrar a cidade.

    P – Desde o resultado da eleição de outubro de 2016 o senhor não se manifestou sobre o resultado do pleito. Qual o motivo? O senhor ficou decepcionado com o partido, com os eleitores?

    R - A campanha foi muito difícil pata todo nosso grupo. Não tínhamos recursos que gostaríamos de ter. Estávamos lutando contra 9 partidos e 2 deputados da nossa cidade - o Cássio Soares e o Renato Andrade, além do Odair Cunha que veio à Passos em apoio à chapa vencedora. Nós lutamos sós, com nossos companheiros e nosso candidato a vice-prefeito: o Dr Gilberto e com nossas propostas de mudança. Fiquei muito feliz com o resultado das eleições, porque tivemos quase 50% dos votos, mesmo com as pesquisas compradas pelo nosso opositor de que estávamos com menos de 15% das intenções de voto. Perdemos as eleições e saímos de cabeça erguida, orgulhosos. Não gostaria de ganhar esta eleição e olhar para traz e saber que mentimos, manipulamos e prometemos o que não seria cumprido. Nossa proposta foi de não prometer o que não poderíamos cumprir, não unir com quem não estava alinhado com nossas propostas e tudo isso nos desgastou muito. Fui obrigado a pedir exoneração da Uemg para poder participar da campanha e isso provocou uma dificuldade profissional em minha vida. Após a campanha precisei e ainda estou me restabelecendo profissionalmente. Voltei às aulas na universidade e estou cuidando de meus projetos. Durante 12 anos, na administração da Fesp, dediquei à instituição para que ela crescesse e oferecesse à nossa população o que uma universidade deve ter: Ensino de qualidade, muitos projetos de pesquisa e extensão - e o fizemos. Agora preciso voltar aos meus projetos. Sou professor e dependo de meu salário. 

    Em resposta, não fiquei decepcionado. Ando nas ruas e sempre que encontro algum conhecido, a conversa é a mesma: faltaram alguns debates e um pouco mais de tempo. Sinto o contrário: que decepcionei nossos eleitores que acreditaram que nossa cidade finalmente iria ter novos rumos. Espero poder, um dia, devolver em trabalho e em ações estes votos que nos confiaram. Sou muito orgulhoso desta votação. Não é qualquer pessoa que tem 24.500 votos em uma cidade como a nossa. Esta eleição faz parte de minha história pessoal. Os companheiros que nos ajudaram fazem parte de nosso caminhar e aqueles que votaram em nós serão sempre reconhecidos por terem acreditado em nossas propostas. Torço para que tenhamos tempos melhores, porque precisamos e merecemos uma cidade, um Estado e um país melhor, mais sério, mais seguro e mais profissional.

    P – No pleito do próximo ano o senhor vai ser candidato a deputado? Acha que surgirão novos nomes, como Tuco, Gilberto Almeida, Ataíde Vilela, entre outros?

    R - Nada é certo ainda para 2018. Temos que conversar muito, ouvir especialmente nosso Deputado Federal, Rodrigo Pacheco, que provavelmente estará disputando as eleições em cargos maiores e esta decisão passa pelos caminhos que o Rodrigo tomar antes. O fato é que surgiram novos nomes, na campanha passada e que se credenciaram para estar disputando o ano que vem. Nosso povo se decepcionou muito com o que está acontecendo com a atual administração, com a influência dos deputados que temos, com a interferência que tiveram na escolha dos cargos comissionados. Foi uma falta de sensibilidade exigir cargos comissionados e deixar o prefeito com dificuldades de implementar políticas públicas urgentes. O nosso povo está com sede de mudança. É hora de termos representantes que apoiam nossa cidade e não ao seu grupo partidário. Pensar na cidade é dar oportunidade de que o melhor aconteça em nosso dia a dia. Vencer eleições não é o mais importante. Manter a linha de pensamento é que vale.

    P – Como vê as chances de reeleição dos nossos atuais representantes na Assembleia e Câmara dos Deputados?

    R - Acho que terão muitos votos, afinal estão com mandato em andamento e têm oportunidade de trazer benefícios para nossa cidade e região. Espero que surjam novas alternativas e, já dito acima, o Tuco Campos, o Telmo Santiago ou outros que possam se dispor a este desafio para que tenhamos condições de comparação e escolha. Hoje, temos um Deputado Federal que está se despontando no cenário nacional. O Rodrigo não é o que chamamos de deputado despachante. É Deputado de alto escalão e isso aconteceu em apenas 2 anos de mandato. Estar como presidente da Comissão de Constituição e Justiça ( CCJ ) é para poucos e apenas para quem tem capacidade. Temos uma grande liderança que vai nos dar muito orgulho em futuro breve. Precisamos pensar grande. Pensar em termos um governador de Passos ou um ministro ou um senador. Se desejarmos pouco, teremos pouco.

    P – O senhor está criando uma nova escola de ensino superior em Passos. Quais serão os cursos e qual o cronograma dessa implantação?

    R - A incorporação da Fesp pelo Estado foi uma ação esperada por toda nossa população e conseguimos, juntamente com outras 5 fundações em Minas Gerais esta importante absorção. Hoje a Uemg mantém nossos cursos e traz para Passos recursos na ordem de 50 milhões anualmente. É como se todo ano recebêssemos uma obra de 50 milhões. Imagine a Casa do Menor infrator, que custou 3 milhões e já há 3 ou 4 anos não fica pronta. Pela ação da estadualização recebemos 50 milhões todo ano e será eternamente. Isto é de enorme importância para a economia de nossa cidade e região.
    Mas, o que podemos observar nos alunos que estão entrando nos cursos da Uemg em Passos, e é importante salientar que sou professor dos anos iniciais de diversos cursos, é que em sua grande maioria são alunos de outras cidades, de outros Estados porque o processo de ingresso é nacional através do Enem. Assim, nossos alunos de Passos e região estão com menor condição de ingresso e de escolha de novos cursos. Sabendo disso, unimos alguns professores da antiga Fesp e propusemos a criação de uma nova faculdade onde poderíamos dar condições maiores de ingresso, além de oferecer novos cursos para os alunos daqui e da região, procurando sempre atender ao desenvolvimento de nossa região e à formação do profissional que as empresas necessitam. Um fato novo que aconteceu com a vinda da Uemg é que ela está mudando os cursos de engenharia para o período da manhã e tarde, o que tira também a condição daqueles que precisam trabalhar e fazer seu curso superior.
    Neste cenário, estamos implantando a Faculdades de Inovação e Tecnologia de Minas Gerais - FIT MG que inicialmente terá os cursos de Hotelaria, Recursos Humanos e Gestão Financeira. Acreditamos que estamos iniciando um centro educacional de ensino superior e pós-graduação presencial que terá um papel muito importante na qualificação de nosso povo e uma geração de empregos bastante forte, porque cada curso já começa com 10 professores.

    P - Sobre a Uemg, como o senhor está vendo a implantação e o processo de transição dos servidores, a qualidade do ensino e o futuro de nossa universidade estadual?

    R - A Uemg não está mostrando que vai implantar o processo de concurso rapidamente. Estamos em estado de designação que é um contrato de trabalho por 11 meses, sem garantia de continuidade e sem os direitos de todo trabalhador contratado pela CLT. Além disso, o salário é quase que a metade de um servidor concursado da Uemg. Esta situação tem deixado nossos colegas desmotivados e procurando alternativas em outras instituições. Esta é a hora que precisamos de representantes no governo, para pressionar e exigir o concurso não somente para Passos, mas para todas as unidades da Uemg em Minas Gerais. Não é hora de fotos - é hora de ações concretas e resolutivas. Estamos próximos de uma eleição de governador e é necessário escolhermos alguém que tenha compromisso com a educação em todos os níveis. Nossos representantes passam o tempo todo reclamando de crise mas não tomam atitude de investimento no que mais favorece a saída da crise que é investir no conhecimento, na qualificação de seu povo, como muitos países fizeram e se despontam em tecnologia no mundo todo. O caminho é claro e já trilhado por outros - não há que se inventar a roda. É preciso investir forte em inovação, tecnologia e conhecimento.
    Espero ser lembrado como alguém que dedicou sua vida à educação em nossa cidade e que crê no potencial de nosso povo, no seu poder criativo, empreendedor e em sua capacidade de trabalho. Este novo desafio vem consolidar nossa cidade como polo educacional em todos os níveis, do fundamental ao superior com qualidade e inovação.
     

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