Opinião: Insensato falar

18/11/2019

E se volta a falar nas aflições verbais do presidente Bolsonaro. Para toda e qualquer provocação externa, sem licença formal à boa educação, resolve botar a sagrada mãezinha no meio.

Sem consulta prévia ao analista Arlindo Ribeiro, reduto de tempos em tempos, chego a pensar que talvez o gesto resulte na carência de competente estado mental. Massa cinzenta deficitária. Sem querer ofender, é claro.

Uma diarreia oral não fica bem para um chefe de Estado, ou chefe de Governo, em tese, o líder da nação. E percorre os quatro cantos do mundo!

Na síndrome da verborragia – compulsão para falar – o paciente não se segura com o número de informações contidas no lobo frontal do cérebro e acaba por desaguar na primeira oportunidade uma porção de palavras sem qualidade e serventia.

Ao longo da vida conheci pessoas com síndrome de verborragia. É isso. Falam muito sem passar o verbo no processador racional do bom senso.

Exemplo do cotidiano. Em audiência o advogado dirige-se à colega, quando esta defende o cliente com ardor. E manda ver: “deixe de ser galinha choca!”

Linha direta de ação e reação, no instantâneo, a advogada reage: “Galinha é a mãe!”

Percebe-se, ninguém chamou ninguém de galinha. Em sensata explicação, “galinha choca” tem a ver com a fêmea do galo que dos ovos cuida enquanto choca e deles cuida com unhas e os dentes que não tem. Mas, convenhamos...

Noutra circunstância, é muito comum uma pessoa pensar uma coisa e falar outra. No juridiquês isso se chama “lapsus linguae”. Ato de pensar uma coisa e dizer outra. Por conseguinte, ocasiona erro no falar.

E quando alguém pensa errado e faz exatamente errado? Outra questão. Isso acontece muito. Em casos assim, nem Dr. Arlindo e nem Freud dão jeito.

Podem o quanto quiserem se debruçar em profundos conhecimentos psicanalíticos. Com certeza, vão chegar a uma conclusão cabulosa: nem mesmo as agruras e o tormento do lago de fogo e enxofre podem refrear a loucura.

No insensato caça às bruxas, não vão impedir mesmo. E menos ainda um pobre torneiro mecânico há de conceber uma trava de freio para dificultar a fala descontrolada de quem não quer ou não consegue parar de falar.

E é o que está no páreo. E, lado a lado, em prazeres mórbidos, trupes se contorcem em ácidos estampidos, para quem quiser ver e ouvir. Meu Deus!

LUIZ GONZAGA FENELON NEGRINHO, advogado trabalhista e previdenciário, com escritório em Formiga, escreve aos domingos nesta coluna. 


UMA DIARREIA ORAL NÃO FICA BEM PARA UM CHEFE DE ESTADO