Opinião: Salva-se quem puder

19/10/2019

A crise entre o Presidente Jair Bolsonaro e a cúpula do PSL tomou conta de Brasília e dos noticiários políticos dos últimos 15 dias. As rusgas já existentes tornaram-se públicas com as palavras de Bolsonaro, a um pré candidato de Recife, para que esquecesse o partido e seu presidente, o deputado federal Luciano Bivar, que não registra presença no plenário da Câmara dos Deputados há quase 20 dias.

De lá para cá, um turbilhão de acusações, ofensas, ameaças e traições deram o tom da questão, com destaque para a possibilidade do Presidente deixar a legenda, juntamente com seu grupo na Câmara e no Senado. A debandado só não começou ainda por causa da conhecida fidelidade partidária, que impõe a perda de mandatos legislativos em casos de troca de partido, com algumas exceções, dentre as quais, não inclui-se seguir Jair Bolsonaro.

As lideranças entraram diretamente no foco da crise, tendo sido destituída do cargo de Líder do Governo a deputada Joyce Hasselmann, que de malas prontas para o DEM, legenda pela qual pretende disputar a prefeitura de São Paulo, afirmou que o gabinete de Bolsonaro se transformou em um “instrumento de coação”. Também houve tentativa da ala ligada ao Palácio do Planalto para substituição do Líder do PSL na Câmara, por Eduardo Bolsonaro, em detrimento do deputado Delegado Waldir, que ameaçou implodir o Presidente com os áudios que mantém em seu poder. Faltaram assinaturas na lista de Eduardo para que substituísse Waldir, impondo ao governo uma derrota ainda mais doída, em função da ligação familiar.

O Presidente Nacional do PSL, deputado Luciano Bivar, não pretende deixar barato e já avisou que pretende substituir os filhos do Presidente, Eduardo e Flávio, nas presidências estaduais do partido, em São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente. A questão agora é pessoal e a família de Bolsonaro, extremamente ligada ao seu projeto político, não será poupada, inclusive em relação à indicação de Eduardo para a Embaixada do Brasil em Washington, que deve encontrar grandes dificuldades no Senado, inclusive por parte do Senador Major Olímpio, que há pouco tempo era um dos queridinhos do Planalto até ser chamado de “bobo da corte” pelo vereador geral da república, Carlos Bolsonaro.

A quantidade de gente que quer ver o “circo pegar fogo”, aliada com a falta de figuras capazes de apaziguar os ânimos , fará com o assunto ainda vá muito longe, restando saber se a crise afetará diretamente a governabilidade e os projetos que realmente interessam ao país, e mais, se existe vida no PSL sem Jair Bolsonaro e o fundo partidário. É ver para crer.


JOÃO PAULO CASTRO FERREIRA é advogado, vereador na cidade de Carmo do Rio Claro e secretário da Comissão Especial em Defesa dos Municípios do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil .