Opinião: Totalitarismos e agências livres

14/08/2019

“É aos escravos, e não aos homens livres, que se dá um prêmio para os recompensar por se terem comportado bem.” (Baruch Espinoza)

Renovação e troca são princípios fundamentais da vida.

É o que se pode observar em suas várias manifestações. Água estagnada, apodrece.

É da natureza de um rio seguir seu curso e, ao fim, desaguar em um lago - ou no mar. Um lago que não se renova, torna-se tóxico.

O mar, na sua dinâmica, no ciclo de suas águas e de suas correntes, mantém-se vivo e sustenta grande diversidade de vida.

De igual forma, estes princípios se aplicam a todos os seres vivos. Sem o crescimento e a renovação das células que compõem os organismos vivos, sejam animais, sejam vegetais, a vida não se sustenta. 

Grosso modo, é próprio do homem e de suas organizações e instituições quererem se perpetuar e prevalecer sobre os demais, muitas vezes de forma hegemônica, absoluta.

É o que se pode observar, por exemplo, de forma mais explícita, no contexto da política e da fé religiosa, na busca do poder absoluto, na eliminação ou anulação dos divergentes, sem espaço para o convívio civilizado, saudável, entre correntes diferentes de pensamento.

A história está aí para demonstrar, ao longo do tempo, dos milhares de anos da civilização, a luta pelo poder, dos impérios (babilônico, persa, romano, britânico...), das ideologias (comunismo, nazismo, capitalismo...), das religiões (judaísmo, catolicismo, protestantismo, islamismo...).

Qual destes permaneceu e prevaleceu de forma absoluta?

A mesma história se repete atualmente em todos os campos das relações humanas, da guerra ou guerras que se travam para a prevalência sobre os demais, para a destruição alheia, seja moral, intelectual ou até física (nos esquecemos que vivemos no mesmo e único planeta habitável conhecido até agora).

As discussões ensandecidas e estapafúrdias nas redes sociais são reflexo claro disso. Sucumbimos, todos, sem nos apercebermos, aos totalitarismos de direita, de esquerda, religiosos... qual marionetes manipuladas de fora, por poderes alheios à nossa vontade.

E, quando nos comportamos bem, de acordo com o poder de plantão, quer político, quer religioso, recebemos a nossa ração diária, que nos mantêm sempre cativos ao sistema.

Necessitamos, urgentemente, recuperar a nossa autonomia como agências livres.

E isso passa, obrigatoriamente, pelo autoconhecimento, pela renovação e pela troca, não nos conformando com o presente estado de coisas e buscando, sempre, a verdade, que liberta.

WASHINGTON L. TOMÉ DE SOUSA, bacharel em Direito, ex-diretor da Justiça do Trabalho em Passos, escreve quinzenalmente às quartas nesta coluna.

NECESSITAMOS RECUPERAR A NOSSA AUTONOMIA