Moda com propósito: mais que vestir

Nos tempos atuais, já não basta sofisticação para seduzir os chamados millennials, isto é, a geração que tem entre 20 e 30 anos e que vê o mundo sob um novo olhar

17/06/2019

A moda inventa e se reinventa para encontrar novos caminhos para conquistar o consumidor. Nos tempos atuais já não bastam a elegância e sofisticação para seduzir os chamados millennials, isto é, a geração situada entre os 20 e 30 anos de idade que vê o mundo sob um novo olhar. As pesquisas mostram que essa turma quer consumir a chamada ‘moda com propósito’ – algo assim como peças que signifiquem mais que vestir e se mostrar.
Nesse rico nicho de vendas, entra a ecomoda e a moda consciente. Parecem iguais, mas não são: enquanto a moda sustentável (eco) respeita os meios de produção (tintura naturais, fibras orgânicas sem quimicos, reciclagem, atitudes eco-friendly, etc,etc), a moda consciente envolve as questões ambientais (C02 reduzido e outros) e sociais (risco de trabalho escravo, por exemplo) do assunto.
O crescimento dessa questão foi tanto que, mesmo as grandes marcas, passaram a respeitar o que chamam de ‘moda com significado’. Se nomes como Stella McCartney ou Dana Cohen estão nisso há tempos, agora até grifes como Ralph Lauren e até o poderoso grupo Zegna (da Itália) entraram na onda.
Embora os preços continuem o triplo do que o das roupas do fast-fashion (que não respeita, necessariamente, esses princípios), esse mercado avança.

 

CAPITAL DA MODA MASCULINA
Organizado poucos dias antes dos desfiles de Milão, que começam neste final de semana, o Pitti Uomo celebra em 2019 seus 30 anos, com luxo e desfiles especiais. “Pitti Uomo é o salão que marca o ritmo da moda masculina, aqui acontece tudo”, diz Stéphane Gaffino, fundadora da sofisticada marca The egoist, presente pelo quarto ano consecutivo. “Desfilamos na Inglaterra, nos Estados Unidos, mas, se há um salão onde você tem que estar presente, é o Pitti, porque tem muito impacto. Todo o mundo da moda masculina está presente, nos reunimos com grandes grupos que não conseguimos ver em outros lugares”, diz Gaffino.

EXPOSITORES ESTRANGEIROS
A maioria dos desfiles acontece na Fortezza da Basso, uma fortaleza do século 16 que recebe por quatro dias mais de 30 mil visitantes, incluindo 19 mil compradores. Quase metade deles são estrangeiros ou expositores. Roupas, jaquetas, acessórios. O salão oferece tudo o que é necessário para vestir o homem da cabeça aos pés, seja com um estilo clássico ou esportivo. Vários homens cheios de elegância esperam para ser fotografados. São estilistas de marcas menores e influenciadores que cobrem o evento.

CRESCIMENTO VELOZ
Desde sua criação, há 30 anos, o Pitti Uomo, administrado diretamente pela Federação Italiana de Moda, cresce em velocidade constante. “Em 1989, eram 400 expositores, hoje chegamos a 1.220”, comenta o diretor do evento, Raffaello Napoleone. Para entrar para esse grupo seleto, existe uma lista de espera com cerca de 500 nomes. Florença é hoje a grande capital internacional da moda masculina, uma tradição, pois, no passado, foi também a capital de toda a moda italiana. Na cidade, foram organizados os primeiros desfiles, em 1951, graças à ideia visionária do empresário Giovanni Battista Giorgini. Armani, Givenchy, Ferragamo, Prada, Karl Lagerfeld, Carine Roitfeld, Marco de Vincenzo, MSGM e Dirk Bikkembergs estão entre os protagonistas da moda e do luxo, além do artista americano Sterling Ruby, marcando presença com instalações e desfiles.