Quem está com 'nome sujo' ainda não consegue financiar imóvel

Única exceção é para famílias com renda de até R$1,8 mil do programa Minha Casa, Minha Vida

27/05/2019

É regra: os bancos não concedem financiamento para quem possui dívidas e está com o nome sujo. Isso porque a instituição financeira tem um risco maior de não receber o valor devido. Resolução do Banco Central proíbe financiamento nessas situações. E nem adianta tentar esconder a informação, são feitas pesquisas nos cadastros de proteção ao crédito (SPC/Serasa).
 “A única exceção é para o programa “Minha Casa, Minha Vida”, para as famílias que se enquadram na faixa 1, ou seja, que possuem renda de até R$ 1.8 mil. Nesse caso, como o Governo subsidia a maior parte do valor do imóvel, geralmente não é feita pesquisa para saber se o comprador está com o nome sujo“, explica o advogado Donald Donadio Domingues, especialista em Direito Imobiliário.
 Ricardo Cintra Júnior, também advogado especialista em Direito Imobiliário detalha que o programa do Governo Federal prevê exigências, além da renda. O interessado, diz ele, não pode ter outro financiamento imobiliário ativo e nem ser dono de imóvel.
 “Uma vez aprovado o financiamento, a pessoa poderá comprar o imóvel normalmente. Porém, para se obter a inscrição no programa, o interessado deverá ir até a Prefeitura de sua cidade. Esse pedido pode demorar vários meses ou até anos para ser aprovado”.

Renegocie
 Se o seu caso não é para o “Minha Casa, Minha Vida”, não se desespere. Donald Domingues sugere a negociação e pagamento das dívidas. “Após isso, a pessoa deve movimentar por alguns meses sua conta bancária, pagar pontualmente as contas, cartão de crédito etc, antes de tentar um financiamento. Mesmo com nome limpo, os bancos podem negar financiamento pois analisam as dívidas passadas”.
 Outra dica importante é não assinar nenhum contrato de compra de imóvel antes de ter o crédito aprovado, pois é comum haver multa caso a transação seja desfeita. “Como ainda há risco de o banco negar o financiamento, melhor não se comprometer antes de ter certeza”, pontua o especialista.