Tecidos, Consumo, Investimento

Meio Ambiente

16/05/2019
Especial para a Folha
Vanessa da Silva Reis

Atualmente no Brasil não temos uma preocupação ostensiva com a reciclagem de tecidos. Geramos restos de tecidos diariamente, toneladas e toneladas saem das confecções e vão para os aterros sanitários ou lixões. Esse lixo gerado e descartado de forma incorreta deveria servir de matéria-prima para confecção de outros produtos como ecobags, panos de chão, bonecas, tapetes, colchas, barbantes, novas peças de roupas, fios, etc. Podem também ser usados por indústrias de outros setores.
Importamos aproximadamente 15 mil toneladas de restos de tecido de outros países e descartamos muito mais do que a metade dos restos de tecidos que produzimos, em nosso lixo comum. Uma enorme contradição! Já melhoramos em termos de reciclagem, atualmente estima-se que o Brasil recicle um quarto da produção de restos de tecidos. Mais ainda deixamos muito a desejar.

Consumo

Estamos culturalmente acostumados a consumir, consumir e consumir, sem pensar nos processos que envolvem este consumo. Como as roupas são feitas? Quais impostos nós pagamos nestes processos? Como esses impostos são revertidos? Quais empresas de confecção estão trazendo soluções para minorar os impactos ao meio ambiente? Quais produtos químicos são usados nos processos de fabricação?... Ou seja, sair da zona de conforto e pensar em reduzir o consumo desenfreado que desencadeia uma produção igualmente desenfreada.
Pensar e agir de forma ambientalmente correta. Reaproveitar as roupas que serão descartadas em suas casas e ou em suas empresas, procurar soluções para este material e jamais descartar no lixo comum.

Confecções

No Brasil temos confecções de grande, médio e pequeno porte espalhadas por todo o país, gerando resíduos diários. O problema está justamente aí, coletar resíduos em várias cidades e em grande volume, armazenar, separar e destina-lo a outras fábricas.
A coleta para reaproveitamento demanda conhecimento em logística e investimento em tecnologia. E por enquanto o poder público e os empresários estão simplesmente ignorando este problema. Jogar fora para eles é a melhor solução. Precisamos de investimento, fiscalização e tecnologia. Empresas maiores deveriam ter setores responsáveis pela coleta, separação e destinação deste material para empresas “recicladoras”. Poder público e os empresários precisam firmar parcerias para solucionarmos estes problemas e os problemas que advém deste descarte incorreto.

 

VANESSA DA SILVA REIS é Engenheira Ambiental em Passos
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