Alugar ou comprar?

Especialistas alertam que é preciso avaliar financeiramente os prós e os contras

29/04/2019
Do Lugar Certo
José Alberto Rodrigues

Comprar ou alugar um imóvel, eis a questão. Muitas dúvidas podem surgir na hora de analisar qual a forma mais assertiva de adquirir um imóvel. Há numerosos aspectos que devem ser observados antes de fechar o negócio, que, geralmente, envolve elevado recurso financeiro. De acordo com Ricardo Maila, administrador e fundador da Plano Consultoria, não há uma resposta simples e objetiva. “É preciso avaliar financeiramente todos os prós e contras; além de avaliar se estaria adequado ao seu orçamento, independentemente do caminho”, diz. Porém, devido a uma mudança na economia e no estilo de vida, o aluguel vem ganhando destaque nas grandes cidades brasileiras, segundo o administrador.
Para Ricardo Maila, muitas vezes, na decisão de compra em vez de alugar, pesa o emocional de ter uma casa para chamar de sua. Além disso, as pessoas fixam na ideia o fato de a parcela do financiamento ser talvez próxima ao aluguel. “Mas a continha é muito mais complexa que isso. E, quem a faz com calma, por muitas vezes, verá que o aluguel é uma boa alternativa.” Por isso, além das finanças, é importante entender em qual momento da carreira e da vida a pessoa está. “Muitas vezes, será necessário mudar de bairro ou cidade; assim como perder algum tempo com problemas e obras na casa; nesses casos, o aluguel também dará vantagem.”
A liberdade e a flexibilidade do aluguel podem ser uma das justificativas para a procura desse investimento, constantemente visto como vilão no mercado imobiliário. Se o morador mora sozinho, é possível dividir o espaço com outra pessoa, assim, o valor do aluguel pode cair pela metade e influenciar diretamente na economia da renda. Outro ponto é a flexibilidade de mudança em caso de troca de emprego, evitando gastos elevados de transporte, além do tempo de locomoção. Às vezes, na ansiedade de adquirir o imóvel próprio, o cliente acaba financiando e pagando o triplo do valor.

Estabilidade financeira
Flávia Vieira, vice-presidente das Administradoras de Imóveis da Câmara do Mercado Imobiliário e Sindicato das Empresas do Mercado Imobiliário de Minas Gerais (CMI/Secovi-MG), explica que é necessário fazer uma adequação do imóvel pretendido com a realidade em que o morador vive. O aluguel entra como importante facilitador para quem quer conquistar estabilidade financeira em início de carreira. “É importante checar todos os custos que o imóvel pode trazer”, pondera. Ela conta que há uma mudança de paradigmas com a desmitificação de que o aluguel é um ‘fantasma’ e que a locação é um peso nas contas no fim do mês. Continua depois da publicidade
Ricardo Maila explica que as novas gerações não valorizam tanto a propriedade de bens; entendem que a flexibilidade do aluguel é importante para o dinamismo da vida deles. “Ter um imóvel é ter um casamento para as partes boas e ruins”, exemplifica. Já as gerações mais antigas sofreram crises econômicas e perderam por vezes a referência do valor do dinheiro. Desse modo, se agarraram na propriedade de imóveis. “São gerações com experiências diferentes, porém em mudança. Na minha consultoria, tenho clientes com mais de 75 anos se desfazendo de imóveis para ter mais renda e qualidade de vida”, comenta.
Para o administrador, quem quer fazer um bom negócio deve procurar bem, assim já terá andado metade do caminho. “Deve avaliar a idade do imóvel, possíveis dívidas ocultas, problemas estruturais, a parte documental e os custos com IPTU”, salienta. Além disso, é preciso avaliar o quão desejado ele seria no futuro pelas suas facilidades, como tamanho, localização, leiaute e, especialmente, o preço.