Herói da resistência

Chevrolet Cruze Sport6 é um dos últimos hatches médios e na série Black Bow Tie

28/03/2019
Especial para o Folha Motors
Tião Oliveira

O Cruze Sport6 é um dos últimos hatches médios à venda no Brasil. segmento foi particularmente afetado pela onipresença dos SUVs. Para dar sobrevida ao modelo, que logo ganhará atualizações, a Chevrolet lançou a série Black Bow Tie (gravata borboleta preta, em tradução livre). Por R$ 99.790, o modelo baseado na versão LT, de entrada, traz itens exclusivos.
Trata-se de um bom negócio. Apenas a cor “Preto Ouro Negro”, única disponível para a edição especial, é opcional na LT (a partir de R$ 97.790), e sai a R$ 1.500. Os outros diferenciais são a gravatinha da Chevrolet com fundo preto (alusiva ao nome da série), assim como as rodas de liga leve de 17 polegadas escuras.
O Cruze é aquele tipo de carro para quem gosta de dirigir. O quatro-cilindros tem muito fôlego para acelerar e trabalha de forma silenciosa.
Os 24,5 mkgf surgem a partir das 2 mil rpm e são entregues de forma bastante linear. Há força de sobra para arrancar e retomar velocidade.
Mérito também do bom câmbio, que garante passagens de marcha rápidas e sem trancos. O senão é o modo manual, na alavanca. Borboletas atrás do volante deixariam o Cruze ainda mais gostoso de guiar.
Aliás, a direção com assistência elétrica é mais voltada ao conforto e o ajuste da coluna poderia ser um pouco mais “elástico” para atender quem gosta de dirigir com o volante alto. De qualquer forma, não é difícil encontrar a melhor posição graças também às regulagens do banco do motorista.
As suspensões são bem calibradas. Garantem firmeza para encarar curvas rápidas e conforto em tocadas suaves. O Chevrolet produzido na Argentina, utiliza a plataforma D2XX, a mesma do Astra europeu. Isso ajudar a explicar o fato de o hatch ser tão equilibrado quanto o sedã.
Com 2,70 metros de distância entre os eixos, há bom espaço para quatro pessoas. Já o porta-malas, de 290 litros, é apenas 10 litros maior que o do Onix.

Motorização é um dos destaques

O trem de força é o mesmo das versões regulares. O motor é o 1.4 turbo flexível de 153 cv de potência e o câmbio, automático, de seis velocidades. Exemplar, o motor 1.4 turbo tem torque amplo em baixa e arranca forte como o rival VW Golf 1.4 TSI: são necessários 8,6 segundos no zero a 100 km/h. O torque de 24,5 kgfm a apenas 2.100 rpm (com etanol) ajuda a dar aquela tocada relaxada. Não há necessidade de cravar o pé no acelerador a todo o momento. No segmento, ter um desempenho esportivo é algo indispensável.
Mesmo com um câmbio automático que faz trocas cedo para poupar combustível, as retomadas são curtinhas. São necessários 4,6 segundos para recuperar de 60 a 100 km/h. As frenagens também se destacam. O Cruze percorre apenas 25,3 metros para estancar vindo a 80 km/h.
O consumo médio de 9 km/l de etanol poderia ser melhor, mas está na média. No dia a dia, o carro também agrada com uma dinâmica acertada. A esportividade do conjunto motor e câmbio só deixa a desejar pela ausência de borboletas no volante.