Opinião

Opinião: A saúde dos profissionais de saúde frente à pandemia

4 de abril de 2020

A contaminação pelo novo coronavírus (Sars-Cov-2) que desenvolve a doença Covid-19, vem se disseminando rapidamente pelo Brasil. Fato este que já era esperado, diante do que tem acontecido no cenário mundial. Os dados oficiais apontam que o número de pessoas contaminadas tem aumentado, bem como o número de óbitos, infelizmente!

Diante dessa situação calamitosa, têm-se os chamados “heróis” e “heroínas”, que lutam na linha de frente contra o problema. Estes são os profissionais da saúde, que têm recebido inúmeras homenagens pela coragem e dedicação ao ofício. Estes profissionais são os trabalhadores e trabalhadoras que fazem o primeiro contato com os pacientes, supostamente contaminados, evoluindo-os para os cuidados necessários.

Então, ao que se sabe, o paciente é recebido pelo profissional da saúde e, posteriormente, já recebe os cuidados. Mas, e o profissional que o atendeu receberá também algum cuidado ou avaliação? Está preparado para essa situação? E suas condições de saúde mental como ficam? Há algum acompanhamento para esse trabalhador?

De fato, estes profissionais também necessitam de cuidados, de atenção, de descanso. Contudo, esses “heróis” e “heroínas” estão expostos à situações totalmente adversas. Primeiro, deparam-se com a escassez de equipamentos de proteção individual (EPIs), que são elementos básicos e necessários para o atendimento aos pacientes. Estes equipamentos são indispensáveis para manter a saúde e a segurança do trabalhador. Assim, na ausência deles forma-se um cenário totalmente penoso ao exercício seguro da profissão.

Diante disso, outras questões podem ser levantadas no que tange à segurança, à continuidade e à qualidade dos atendimentos. Esses profissionais deverão improvisar EPIs? Correrão o risco de serem contaminados para salvar outras vidas? Sabe-se que há profissionais da saúde adoecendo e morrendo em decorrência do contato com o vírus! Isso tudo precisa ser pensado!

Outro fato que tem tornado a vida do profissional da saúde ainda mais difícil, é o isolamento familiar. Isto é ainda mais doloroso para o profissional que, ao chegar em casa após uma dura jornada de trabalho, precisa manter-se afastado de seus entes familiares. Isto implica que estão desprovidos de atos de afetos, como abraços e beijos de seu(s) filho(s), companheiros(as) e/ou familiar(es), e tampouco, podem sentar-se à mesa para fazerem uma refeição junto aos seus. Tudo isso, para manter a saúde e a segurança dos seus entes queridos.

Essas são questões que podem afetar as condições de vida, de trabalho, de saúde física e mental dos profissionais da saúde. Por isso, esses trabalhadores e trabalhadoras – os “heróis” e “heroínas” – precisam de mais atenção, proteção, reconhecimento, valorização da vida e das condições de trabalho. Todos nós precisamos deles, não somente hoje, mas amanhã e sempre!

Estes fatores apontados necessitam de mais atenção e respeito das autoridades. Daquelas mesmas autoridades que por mera intuição pessoal, sem qualquer evidência científica, julgam que estamos lidando com uma simples “gripezinha”. É lamentável acreditar que o profissional de enfermagem deve trabalhar por até 24 horas e com tempo de descanso reduzido. Pior ainda, é agir na direção oposta às recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, por mero achismo, pregar posições contrárias ao isolamento social, além de criar uma discussão do “indiscutível”: economia versus vida humana. Por aqui, optamos pela vida e seguimos acreditando que os profissionais da saúde possam ser valorizados e respeitados!

 

SÉRGIO VALVERDE M. SANTOS é doutor em Ciências pela Eerp/USP, docente da Uemg Unidade Passos e coordenador do Ambes.