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Quarentena afeta mercado de autônomos

30 de março de 2020

PASSOS – Para conter a disseminação do novo coronavírus em Passos, a Prefeitura Municipal divulgou um decreto que suspende diversas atividades na cidade. Eventos e reuniões foram adiados, escolas cancelaram as aulas e a maioria dos estabelecimentos se encontra com as portas fechadas. Apenas os serviços essenciais estão funcionando e essa é uma realidade enfrentada em território nacional.
A necessidade do isolamento social dificulta o trabalho e a renda de boa parte da população. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou uma pesquisa que mostra que 24 milhões de brasileiros trabalham de forma autônoma, enquanto quase 40 milhões ganham a vida na informalidade. Em meio a crise, os profissionais estão sem saber o que fazer e muitos oferecem seus serviços em casa.
Felipe Mansur trabalha com assistência técnica e venda de acessórios para aparelhos eletrônicos e revela que sua clientela diminuiu em 90%. “Os fregueses sumiram, tive até que dispensar um funcionário que ainda estava no período de experiência. O cenário da economia é crítico, mas, por outro lado, se o comércio voltar, vai superlotar os hospitais e as coisas vão piorar ainda mais. O governo precisa oferecer um suporte para os trabalhadores que estão sofrendo este impacto”, completou.
O passense José Marques da Silva morou na capital paulista por 32 anos e resolveu trazer a família para sua cidade natal no início do ano passado. Desde então, trabalha como motorista de aplicativos de mobilidade urbana. “Eu não me preparei para isso e a quarentena afetou diretamente no meu ganho diário. Não consigo pensar em alguma forma de trabalhar neste período porque tudo está parado, estou divulgando o meu serviço nas redes sociais porque não posso ficar sem colocar comida na mesa, mas espero que isso acabe logo e que a nossa rotina seja reestabelecida”, explicou.
Há 18 anos no setor de beleza, a cabeleireira Rose Fátima Martins atende cerca de 20 clientes por semana, no entanto, atendeu apenas três nos últimos seis dias. “Minhas clientes são parte da minha história e nessa situação de emergência, entendo que seja tudo mais difícil, mas infelizmente estamos sofrendo as consequências no bolso, porque não há para onde correr com o mercado paralisado. Com fé em Deus, tudo isso vai passar, mas espero que seja logo”, revelou.
O grande medo dos profissionais é que o isolamento imposto pelo poder público dure muitos dias e acabe falindo os estabelecimentos.